segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

A queda de Constantinopla

Interessante regressão aconteceu com um paciente jovem, de 21 anos, L.B, em 2010, que me procurou por ter algumas dúvidas sobre o que fazer de sua vida. O interessante nesse caso é que ele lembrou o nome da cidade em que vivia, Constantinopla, e o ano aproximado em que os fatos ocorreram, por volta de 1400 d.C, além disso as circunstâncias históricas que findaram envolvendo-o em eventos que culminaram com sua morte tem tudo a ver com o que a história nos conta.

Após ouvir seu relato fui pesquisar o assunto e fiquei convencido de que ele esteve presente na queda de Constantinopla, fato importantíssimo na história e que marcou o fim da idade média e Na Idadeconstantinopla Média Constantinopla era a maior cidade cristã do mundo, tinha resistido a mil anos de cercos e tentativas infrutíferas de invasões, até ser tomada pelos turcos otomanos, em forma de triângulo, em duas faces se voltava para o mar, na terceira, voltada para a terra, contava com a proteção de um fosso e de altas muralhas, a cidade parecia inexpugnável.

Para além de um marco religioso da época, sendo símbolo do cristianismo e do poder da Igreja, era um importantíssimo porto comercial, sua queda representou um risco enorme para o Papa, a Igreja, e um eminente aumento da influência muçulmana no mundo. A seguir transcrevo, com algumas poucas alterações para facilitar a leitura,  o relato de meu paciente, presente em tão memorável episódio, ao qual vou incluir alguns comentários.

“ Estou andando à cavalo no meio de uma cidade fortificada com um castelo dentro, parece na idade média, mais ou menos no ano de 1400, quando as pessoas começaram a ir para a cidade (sic). As ruas são estreitas, e as construções de pedra, tem gente vendendo frutas pelo caminho, são sujas e maltrapilhas. Eu sou um cavaleiro, de mais ou menos 25 anos, bronzeado, de turbante e calça parecendo de cetim, uma roupa tipo do Aladim, tenho cabelos pretos e olhos castanhos, acho que sou muçulmano, de Constantinopla, e estou em excursão pela Europa para vender tapetes e tecidos, vou com 02 ajudantes. — Parou um pouco e continuou:

Penso em vender logo e voltar para casa, para minha família, tenho mulher e dois filhos, meu sogro era um grande mercador que me explorava, sentia raiva de viver assim e queria parar com aquilo.– Falou com a voz carregada de ressentimento — Fiquei trabalhando daquele jeito 02 anos, até que um dia voltei para minha cidade, ao chegar meu sogro tentou me assassinar numa emboscada, mas consegui fugir e queda de constatinoplaquando o encontrei na sua casa lutamos de espadas e o feri muito, peguei minha mulher e filhos, as joias e moedas que encontrei lá e fomos embora”.

Aqui notei vários pontos interessantes, que logicamente meu paciente poderia conhecer caso se lembrasse das suas aulas de história, mas que ainda assim é bom que se conheça. A queda de Constantinopla aconteceu em 1453, logo meu paciente viveu nessa época, conforme se lembrou do ano, por volta de 1400. Aquela cidade era o maior entreposto comercial e cultural daquela região do mundo na época, fazendo a ligação entre a Ásia e a Europa, muito de acordo com a profissão de mercador entre os continentes,do personagem de meu paciente.  Última grande cidade do que restou do grande Império Romano, e apesar de predominantemente cristã tinha grande miscigenação de raças, línguas e religiões; logo cristãos e muçulmanos coexistiam na mesma área.

Continuando a regressão meu paciente disse: “ Arranjamos um lugar longe da cidade (Constantinopla) onde comprei uma fazenda e fui criar ovelhas. Depois que meus filhos cresceram voltamos para a cidade, montei uma mercearia e fiz amigos, mas a vida era dura, eu queria dar sossego à minha mulher e filhos, ganhar mais dinheiro, mas me sentia incapaz de mudar aquela situação, estava com 35 anos, envelhecendo.

Meu filho começou a trabalhar de artesão e a ajudar em casa, e sua vida foi melhorando,  minha filha casou, a vida ficou mais leve e estável. Meu filho casou depois de um tempo também e fui morar com ele, comecei a ter mais tempo de passear e desfrutar a vida. Vivemos assim alguns anos até que houve uma guerra, de uma cidade contra outra, invadiram nossa casa, tocaram fogo em tudo e me mataram com uma lança na barriga; aprisionaram meu filho que foi levado embora e minha mulher foi trabalhar como serva numa casa de prostituição.

Depois da morte senti muita raiva e ódio pela injustiça que me acolheu, pensei que na próxima encarnação ia ser um general para dizimar aqueles que nos atacaram. queria voltar como um líder forte, para reerguer nossa cidade, junto com os outros espíritos que foram dizimados também, só pensava em vingança”.

Bem, hoje meu paciente não é general, e já se passaram séculos desde o fato consumado naquele episódio e seus desdobramentos, agora ficou apenas o aprendizado, e a chance de viver de novo uma nova vida.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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