sábado, 18 nov 2017
Administração

O mosqueteiro apaixonado

Em muitas regressões que presenciei essa foi talvez uma das mais belas, entre tantas histórias trágicas contadas pelos pacientes regredidos a épocas tão diversas, como distantes da humanidade foi bom ter ouvido uma história reconfortante de amor e perdão entre duas pessoas, superando a barreira do tempo e do espaço. C.S. era uma jovem por volta de seus 30 anos, e após algumas sessões identificamos que tinha problemas com seus relacionamentos no geral, principalmente os românticos. Muito frustrada se queixava que nenhum romance que tinha dava certo e não conseguia achar o amor verdadeiro.

Logo no início da regressão C.S. disse que tinha um homem perto dela e praticamente gritou: “Ele está aqui!! em cima de mim, quer me machucar!!”. Fiquei curioso e notei que estávamos frente a uma visita do passado. Quem seria ele e o que desejava? Bem, só tinha um jeito de saber, perguntando à paciente, e foi o que fiz e ela foi me contando a história a seguir, enquanto a visita a ouvia próxima.

mosqueteiro“Eu vivia num palácio, a mais ou menos 500 anos, era jovem e rica, usava roupas bonitas, vestidos rodados e perucas, parecia a corte francesa,  conheci ele — a visita — numa festa de máscaras lá, ele era um mosqueteiro, bonito, de presença marcante, tinha cabelos escuros e compridos, era alto e trabalhava no palácio, eu era filha do rei, nos aproximamos e tivemos um romance rápido na festa, depois dali continuamos nos encontrando.

Empolgada, depois de pouco tempo fugi com ele e fomos para uma cabana rupestre, acho que ele pensou em vivermos lá juntos… mas eu não queria aquela vida, não era para mim. Acostumada no luxo e na riqueza logo me entediei e o abandonei, fugi, aquilo durou só uma noite, mas ele achou que eu ia ficar com ele”. Enquanto falava ela me dizia que estava tendo sensações de amor, carinho e as mágoas que percebia serem do mosqueteiro. Isso ocorre porque nesses momentos a ligação entre a “presença” e o paciente telepaticamente fica muito forte; ela chegava a senti-lo fisicamente,  “Ele é alto, me abraça” , disse ela.

Ao perguntar-lhe o que aconteceu depois daquilo ela continuou, com uma certa tristeza na voz : “Ele não conseguiu mais voltar ao palácio, além do problema que arranjou ficou com vergonha da minha rejeição; findou indo embora, acuado e triste, para um lugar que ninguém conhecia, casou, mas nunca foi feliz, porque se lembrava de mim, me amava de verdade, sentia culpa de não gostar da mulher e não me esquecer, viveu assim até morrer”. Perguntei-lhe sobre como terminou a vida do mosqueteiro ela finalizou: “Depois de morto ele prometeu para si mesmo que não me deixaria ser feliz, por eu não ter tido coragem e nem amor suficientes para ficar com ele”, nesse momento ela gritou: “Ele está enfiando uma espada na minha cabeça!!”. Lembrei de suas queixas, principalmente de seus namoros, que normalmente terminavam mal, e comecei a entender que isto tinha relação com as influências daquele homem.

Interessante como, depois da morte, nas lembranças das regressões, as pessoas interagem e conseguem visualizar e saber da vida e das mortes das outras, com detalhes, é só perguntar; isso mostra para mim que, com certeza, temos todos alguns tipo de “interligação” espiritual. Mas não a deixei se fixar nessa sensação e continuei perguntando à ela o que poderia fazer a respeito do problema, ela pensou em pouco e respondeu que deveria pedir perdão a ele, e o fez, de forma muito emocionada. Dirigindo-se diretamente à “presença” confessou que foi inconsequente e não imaginou que tinha lhe causado tanto sofrimento.

Pedi que observasse a reação do nosso visitante que, após alguns segundos de reflexão, pelo que ela pode observar, pareceu aceitar, segundo ela, seu pedido de perdão. Colocando as mãos em torno de si mesma, como num abraço carinhoso, a paciente disse em meio à lagrimas: “Ele está me abraçando, posso até sentir o calor do corpo dele…passa a mão nos meus cabelos, beija minha cabeça, parece entender tudo, e está indo embora, mas diz que nunca vai me esquecer…”. Depois disso disse que o viu ir desaparecendo devagar, indo em busca de um futuro que estava paralisado já a 500 anos, era uma despedida linda da qual apenas eu era a testemunha, pedi apenas que ela o deixasse ir, me emocionando também.

Terminamos a regressão com ela se sentindo bem melhor e disposta a dar um novo impulso na sua vida e seus relacionamentos a partir dali, entendendo que na vida às vezes deixamos rastros de dor e sofrimento pelo caminho dos quais nem suspeitamos, e eu acreditando cada vez mais na misericórdia divina, que nos dá sempre uma nova chance de redimir e corrigir nossos erros.


1 Comentário

  1. eu vivo a mesma historia que essa moça. Gostaria de saber como fazer pra não viver mas isso. COMO POSSO SABER ONDE FAZER ESSAS COISAS..

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS