sábado, 19 ago 2017
Administração

O samurai apaixonado

“”Vi inicialmente uma lareira crepitando, em um pequeno e simples aposento, era noite no Japão feudal, fazia um pouco de frio e sob a luz fornecida pelas pequenas chamas da lareira me vi lustrando algo que parecia um elmo ou um capacete negro e lustroso, fazia aquilo carinhosa e metodicamente. Percebi aquele elmo fazia parte de uma armadura, uma armadurasamurai samurai da qual eu gostava muito. Era a mais ou menos a 500 anos atrás, pelas roupas que estavam ali vi que eu era um soldado,  jovem, nem chegado aos 30 anos, pequeno, mas forte. As lembranças e insights surgiram rapidamente em minha mente. Soube que fui adestrado como samurai  a vida inteira, e, por causa dessa educação, me tornei muito fechado em minhas crenças e disciplinas, vivendo por um código de conduta rígido que julgava me fazer bem. Não tinha família e vivia só, achando que nunca teria uma família e que tinha nascido apenas para ser o que era, um soldado.

O status de samurai muito me orgulhava e me fazia sentir superior pelas minhas habilidades com o arco e flecha, bem como no combate a cavalo. Sempre me destacava nas provas que disputava e nas lutas que eventualmente travávamos com outros clãs, sentia-me como exemplo de força. Mas aconteceu o inesperado, numa celebração em nossa aldeia, haviam muitas autoridades e visitantes estranhos e uma em especial me chamou a atenção, era uma jovem, muito nova, quase uma adolescente, de traços muito finos e delicados, muito branca, com os cabelos negros colocados num arranjo simples que lhe emprestava ainda mais formosura. Vestia-se com uma túnica leve, branca, com delicados detalhes de cores pálidas. Aos meus olhos de então ela era como se fosse uma flor-de-lótus, linda, diáfana e delicada, e ali, naquele momento, me apaixonei perdida e irremediavelmente. Tivemos poucos contatos com ela dali para frente, mas ela parecia me corresponder os sentimentos também, só que disfarçados pelo recato e timidez que imperavam na época. Nós parecíamos nos entender e imaginava que um compromisso futuro poderia ser prazeroso e feliz.

Mas existiam coisas que iriam impedir a concretização desses sonhos, a filosofia de vida e os códigos pessoais dos guerreiros não permitiam esse tipo de relacionamento. Para mim não seria possível formar família com ninguém, meus valores eram mais importantes do que o amor que sentia e julguei ser possível suplanta-lo apenas com vontade e disciplina, o que se mostraria ser um grande engano. Nas minhas tolas crenças eu havia nascido para matar ou morrer em batalhas, não sabia quanto tempo iria viver, além disso o relacionamento romântico se assemelhava a uma fraqueza que meu grande orgulho não me permitiria ter, talvez eu simplesmente não soubesse amar.Decidi então me afastar dela, afinal eu era forte e determinado, conseguiria dominar e controlar meus sentimentos. Essa foi uma decisão muito sofrida, mas a levei adiante e não a vi mais. No fundo eu não sabia como lidar com aqueles sentimentos e isso me confundia.

Ela ficou só por um tempo e finalmente casou indo viver sua vida enquanto eu permanecia presa de sofrimentos atrozes, não conseguia dormir direito e tudo o que me dava prazer perdeu a graça, a vida ficou sem cor e sem sentido. Não suportando mais esse sofrimento decidi dar fim à minha própria vida, pois harakirinão via saída daquela situação. Um dia, ao raiar do dia pela manhã, vesti uma roupa simples, apenas um tipo de saiote bufante preto com uma blusa leve branca, e me dirigi a um belo campo verde, estava armado de uma espada pequena e curva. Sentei-me à sombra de uma árvore frondosa, meditei por alguns momentos e enfiei a espada no abdômen cometendo um suicídio ritual que à época parecia honroso.

Logo depois do meu espírito se desprender do corpo, me vi caído na relva, de bruços e pensei: “Como fui tolo, achei que estava sendo forte, mas fui fraco e covarde, devia ter tomado outras decisões na minha vida e agido de outra maneira”. Me senti triste e arrependido pelo que fiz e me passou pela cabeça que não deveria ter feito aquilo, mas já era tarde. Cheguei à conclusão, lá ainda, que não adianta tentar controlar os sentimentos, isso só causa mais sofrimento, não mais iria fazer novamente a tolice de me matar. Decidi também que a partir dali, que em todo meu futuro, nunca mais iria viver por códigos ou regras e deixaria de tentar ter controle sobre tudo na minha vida. Dali a algum tempo lembrei de um momento em que reencontrei minha amada num outro plano. O sol se punha e nós dois nos abraçamos carinhosamente com seus raios nos iluminando. Sussurrei então ao seu ouvido uma promessa que não mais esqueci: Nunca mais vou lhe abandonar de novo, esperarei outra oportunidade e seremos felizes juntos”


1 Comentário

  1. pode.mencionar.quem.escreeu.isso……..é.muito.importante

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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CONSULTAS EM MANAUS