quarta-feira, 26 jul 2017
Administração

Na Roma antiga

“No início da minha regressão me veio à mente a imagem de uma mulher branca, muito jovem e bela, de cabelos castanhos, vestida com uma túnica branca, leve, ao estilo romano, ela parecia me olhar. Pude perceber logo que naquela vida eu era um homem na faixa dos 30 anos, moreno e forte, de cabelos escuros, penteados para frente à romana, vestido com uma túnica simples, caseira, senti que era um nobre, de família rica e tradicional da Roma antiga, aquela mulher era uma das minhas servas e nós estávamos em uma “Villa” de verão, como uma casa  de campo, muito luxuosa e com vários servos. Estava lá para descansar, pude me ver andando dentro dos espaçosos aposentos, usufruindo dos banhos em meio a mármores e brocados.

Logo depois minha mente me levou e Roma, e me vi andando pelas suas ruas espaçosas  numa bigaroman-chariot puxada por dois corcéis, correndo rápido, indo trabalhar, tinha uma  postura enérgica e vigorosa, era muito orgulhoso, tinha títulos e riqueza que meus pais, já falecidos, me deixaram”. Meu serviço era na burocracia romana, em meio a papiros e registros, vivia satisfeito e desfrutando do meu status e nobreza.

A um estímulo do terapeuta voltei mais no tempo e me vi muito novo, ainda um rapaz. “Estava num porto movimentado, num dia de sol brilhante e fresco pela brisa marinha, vi muitos barcos de madeira e velas, com escravos suados embarcando e desembarcando mercadorias. Em meio a admiração por aquela movimentação percebi que tinha ido lá receber um presente, um bebê, uma menina que me foi dada para ser  minha escrava, que na hora identifiquei como aquela mulher que vi no início da regressão.

O tempo passou e quando ela tinha 14 anos eu a possui, como era comum fazermos com as escravas, o que eu não sabia é que ela me considerava um pai e a partir daí passou a me querer como seu companheiro. Mas naquela época esse tipo de união não me interessava, muito menos constituir família, além de estar sempre muito ocupado, estava preocupado apenas na satisfação dos meus desejos, usando as pessoas, principalmente os escravos, sem nenhum pudor ou culpa.

Aquela escrava nutriu durante toda a vida um amor não correspondido por mim, até que quando eu já ia lá pelos 70 anos ela finalmente teve coragem de me falar de seus sentimentos. Aquilo me causou muita surpresa, pois eu nunca sentira nada por ninguém e desconhecia completamente o que era o sentimento de amor, achava que todas as pessoas eram como eu, buscando apenas a satisfação dos sentidos.

retrato romanoNão aceitei a ideia de ter qualquer tipo de relacionamento com ela, principalmente por orgulho. Era inconcebível para mim me unir a alguém de classe inferior. Com a minha recusa ela se desiludiu muito e a vida lhe perdeu todo o sentido, findou se suicidando. Nada senti com sua morte, era uma pessoa completamente insensível, toquei a vida normalmente.

Poucos anos depois morri também, já velho, de forma natural. Após a morte a primeira coisa que vi foi minha antiga escrava, seu olhar era de crítica, mas sem ódio. Senti uma culpa imensa e pensei que havia errado muito naquela vida, eu deveria ter tentado ser melhor e não apenas usado as pessoas para meu deleite. Fui orgulhoso e egoísta”.

P.S.: Como todas as outras, essa regressão apresentou muitas coincidências com minha vida, pensamentos e comportamentos atuais, por exemplo, tive muitas dificuldades na minha juventude a aprender, literalmente, a ter sentimentos, isso só aconteceu por esforço e algo no meu inconsciente me dizia ser extremamente necessário. Outra dificuldade era lidar com meu egoísmo, isso também me fez entender porque não consigo hoje negar ajuda a ninguém.


1 Comentário

  1. Muito bacana o relato. Me ajudou a refletir bastante.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS