sábado, 21 out 2017
Administração

Abuso e perdão

A.F era uma jovem psicóloga que se tratou comigo em 2012, nessa época passou por uma regressão muito interessante de um problema sempre atual, o abuso sexual. E com um final interessante que merece ser contado. A seguir vai a estória pela voz daquela moça que tanto sofreu pela inconsequência humana, com pequenos ajustes que fiz para uma melhor compreensão.

“Parece que estou numa festa à fantasia, européia, com pessoas bem vestidas, brancas, altas. Elas dançavam todas juntas, ao estilo medieval. Estamos num grande salão com escarias douradas e camarotes, na cúpula do lugar tem um símbolo que parece uma cruz que forma uma rosa com pétalas brancas, tipo uma jóia. Pelas escadarias desce uma mulher de andar imponente vestida com um longo vermelho, é a anfitriã da festa. Acho que ela é minha madrasta. Ela havia me prendido num cômodo deste castelo, mas me soltou porque meu pai precisava me ver na festa. O lugar que eu ficava era sujo, pouco iluminado, para escravos e serviçais.

Ela me prendeu porque tem ciúme de mim, porque meu pai me toca como mulher. Ainda não tinha 18 anos. Ela quer me bater e eu passo mal, vomito, diz que eu quero a atenção dele, acho que engravidei. Mandam fazer um aborto em mim e logo depois sou mandada por ela para um convento, lá sou tratado como criada, humilhada, olhada pelas freiras como uma prostituta, diziam que eu era impura e tentavam me exorcizar. Os padres ainda me estupravam em nome disso, diziam qe eu devia procura-los como procurava meu pai. Eu nào entendia bem o que estava acontecendo, estava tudo confuso, só queria voltar para a casa do meu pai, mas ela me perseguia.  

Me sentia uma mulher sem valor, imunda, uma pecadora, uma vadia, as freiras diziam que eu vivia possuída, e eu acreditava nelas. Me batia com um chicote até sangrar para essas coisas ruins saírem de mim. Com 18 anosconvento conheci um padre de verdade, ele era diferente, só fazia orações, dizia que eu seria uma boa cuidadora de enfermos. Me mandou ficar com outras freiras que cuidavam dos indigentes e abandonados, me senti no paraíso…elas me respeitavam, eram devotas de Maria cantávamos juntas, eu amo esse lugar.

Fiquei lá até os 37 anos quando meu pai morreu, um mensageiro veio e disse que eu tinha que voltar, mas eu não queria, mas tive que ir. Quando cheguei encontrei a mulher dele doente, quando me viu quis pedir meu perdão, mas eu não acredito nela. Herdei dinheiro e não precisava mais voltar ao convento, mas ainda ia visita-lo às vezes. Comprei um palacete menor e fui morar lá com alguns criados. Depois de um tempo adotei um menino que viveu pouco tempo, o que me entristeceu muito, me senti despedaçada, vendi tudo e voltei ao convento para trabalhar com os enfermos.

Depois de alguns anos adoeci, sentia febre e findei morrendo. Depois da morte meu pai veio me ver, estava diferente, me pediu perdão, eu não consegui culpa-lo, gostava muito dele, só não entendia o porquê dele ter feito aquilo. Vi também aquela mulher, ela ainda tinha ódio de nos ver juntos. Ele me falou que eu podia perdoa-la como o perdoei, mas eu não conseguia, tinha medo dela. Mas entendi que o sofrimento um dia tem fim, nenhum é para sempre. É melhor sofrer sendo útil do que só viver se lamentando”. 

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS