domingo, 28 mai 2017
Administração

Covardia e coragem

M.M, dentista, casada, 35 anos, me procurou em 2009 encaminhada por um colega. Apresentava alguns conflitos familiares, principalmente com a mãe,  e com ela mesma, devido ao seu modo de ser. Além disso já  fazia algum tempo que queria engravidar e não conseguia, o que lhe deixava muito frustada, insegura e com a auto estima em baixa. Ao longo de suas primeiras regressões descobrimos mais sobre sua personalidade e temperamento como sua obsessão pelo trabalho e algumas vidas infelizes, principalmente por perdas familiares e casamentos frustantes. Após muitas melhoras em pouco mais de dois anos de tratamento suspendeu por sua conta a terapia, retornando ainda algumas vezes depois sem muita vontade de ir em frente, até que parou de vez. Mas aprendeu grandes lições, das quais vou contar aqui a que veio em sua sexta e última regressão. A estória de uma mulher que perdeu a vida por seus medos.

“Sou uma jovem de 22 anos branca, bonita, de cabelos pretos longos, olhos castanhos, de vestido longo. Estou cansada como se tivesse correndo, fugindo de alguém, me sinto com raiva e estou chorando sentada num banco de um parque, tinha discutido com meus pais, era filha única e queria mais liberdade, coisa que eles não queriam me dar. Tem um lago aqui com várias pessoas passando, bem arrumadas. Estamos em torno de 1930/1040 e eu vivia numa casa grande. Passaram-se três anos.

Ainda pensava em fugir dali, me sentia contrariada e insatisfeita, estava com 25 anos e queria mudar minha vida, mas não tenho coragem, me sinto inútil e isso me incomoda bastante. Dois anos depois foi meu noivado, estávamos em casa num jantar e eu sinto muito medo do desconhecido. Na minha casa, mesmo com toda dificuldade podia gritar e fazer birra, agora estava apreensiva com o porvir. Mas depois do casamento minha vida foi tranquila, sem conflitos com meu marido, e foi bem assim até começar aquela insatisfação de novo, ficava muito tempo sozinha e queria mais atenção do meu dele, que era um homem bom.

Sentia vontade de ir embora, de procurar algo para me dar alegria e satisfação, mas isso eu ainda não tinha encontrado. Vi que eu era covarde, não fiz nada pra mudar aquilo, tive raiva de mim mesmo por isso , e por não fazer o que queira, não fazer o que era preciso para mudar. Queria que tudo mudasse sem fazer nada. Com o tempo fui começando a me fechar ecovardia distanciar das pessoas, fingia ser feliz, mas por dentro não estava,  e isso ia me sufocando…

Com  50 anos adoeci, fiquei de cama, com febre e tosse, muito fraca, sem vontade de reagir. Meu marido ficava comigo e um dia falou chorando que não queria que eu morresse. Somente aí eu vi o quanto errei, mas não falei nada, tudo estava  se revelando ali, tudo o que achava que havia escondido dele, percebi que na realidade ele sabia. Eu só conseguia chorar. Morri pouco depois, com um aspecto de sofrimento muito grande.

Depois de sair do corpo pensei em como poderia ter tido uma vida feliz se não tivesse tido tanto medo, se não tivesse me trancado. Deveria ter dividido as coisas com quem estava ao meu lado. Mas me recusei  a ter medo de sofrer, prometi pra mim mesma que a partir de agora quando quisesse uma coisa iria atrás. Quero ir atrás da paz e alegria que não tive ali e se tiver de sofrer não vai ser por tristeza. Decidi lutar para manter e buscar a paz e a tranquilidade. Não sei se estes sentimentos são a felicidade, mas não vou cruzar os braços e esperar a vida passar. Quero fazer algo por mim e pelas pessoas estão à minha volta”.

Talvez até por estas lições tão fortes M.M não tenha mais voltado, se realmente ela aprendeu tudo isso para usar aqui de que mais ela precisaria? De mim é que não seria, de certeza.

 

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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