quinta-feira, 19 out 2017
Administração

Aquiles

Esta é uma estória muito interessante, para quem gosta de batalhas e guerras épicas, principalmente do mundo antigo. Veio através de um paciente que a trouxe sem indicação nenhuma de algum tipo de interesse histórico ou pessoal sobre o assunto e do qual ele mesmo se impressionou muito em descobrir tais fatos dentro de suas próprias memórias. Como já falei anteriormente, todos nós possuímos uma máquina do tempo dentro de nossa própria consciência e que torna possível irmos aonde for, bastando apresentarmos para isso as condições corretas. Este foi o caso de C.N, um jovem de apenas 20 anos, com alguns problemas familiares e vários conflitos com o pai e a mãe, que dizia que sempre lhe trataram mal, principalmente o pai. Inteligente e amadurecido, talvez devido à precoce separação dos pais num divórcio litigioso, C.N veio cheio de mágoas e revoltas com o tratamento que o pai lhe dispensava, tendo a pouco tempo expulsado-o de casa com a desculpa de que ele não se entendia com a nova madrasta. Além disso C.N tinha mais um mérito, reconhecia em si vários defeitos de caráter como a arrogância e a sede de poder e dinheiro. Desejoso de “deixar um legado na vida” já na primeira sessão disse que queria ser poderoso. Aí nos contou uma estória bem conhecida aonde o mito se mistura à realidade, a estória de Aquiles, o herói da guerra de Tróia, e que findou nos explicando muitas facetas de suas própria personalidade.

“Estou navegando por águas lindas, é o Mar Egeu na Grécia, 12 ou 13 séculos antes de Cristo, estou em um barco, passando perto de um monte. Sou louro de olhos azuis, alto e forte, uso um tapa olho e uma capa azul e estou com um machado na mão, tenho mais ou menos 28 anos, me sento feliz, eu era o comandante de uma frota de navios de guerra e um guerreiro respeitado, nosso rei era Agamenon, um velho gordo. Penso apenas em conquistar e matar pessoas, mas também sinto um certo medo disso e não sei bem porque o faço. Avançamos por terra depois de aportar na praia do reino que íamos atacar, saímos correndo em direção a uma muralha muito, muito alta, vou matando todos aqueles que vem em minha direção, há muito sangue me minha mão e eu adoro isto, grito com todas as forças de euforia e prazer. Me sinto tremer pela adrenalina, lá e aqui” – Nesta hora C.N ainda inexperiente em fazer regressões (Aquela era sua primeira) me perguntou preocupado: “Dr. estou tremendo, sentindo toda aquela euforia, é normal isso?”, confirmei e ele continuou seu relato:

“Invadimos a cidade aos gritos, encontro um templo onde entro e lá vejo uma mulher escondida, eu pego sua cabeça e a esmago contra a parede vendo-a morrer, eu adoro isso, essa sensação, me sinto poderoso. Nesse momento nossas tropas derrubam uma parte da muralha e invadem e destroem tudo ao seu redor. Procuro um lugar mais alto, uma pilha de destroços e subo nela, de lá consigo ver nossas tropas na praia ainda, eram mais de 50000 mil homens, ergo meus braços num sinal de vitória e grito para os homens, em resposta todos começam a hqdefaultgritar também, como se fosse um grito de guerra, estou cheio de sangue. Saqueamos e tocamos fogo em tudo. Isso foi só o início, me sinto invencível, poderoso, quero conquistar e matar tudo na Grécia inteira, mas no fundo sinto um certo arrependimento de ter matado aquelas mulheres. 

Mas nem tudo foram vitórias nesse dia para o guerreiro, logo em seguida C.N contou: “Desço dali e começo a procurar uma mulher, era minha esposa, um soldado lhe deu uma surra e a apunhalou, enquanto eu estava fora, quando a encontro ela está morrendo, e termina de morrer em meus braços. Ela era linda, loura de olhos azuis, mas ficou desfigurada de tantos golpes. Fico revoltado, não acredito!! Parece que acabou minha vida…sinto muita tristeza…ela era o amor da minha vida, Me dá uma angústia – e sua voz é toda isso – muito forte, sinto muita raiva. A mataram para me atingir, sabiam que ela era minha mulher, quem a matou foi o filho do rei derrotado de Tróia querendo vingança. Tínhamos quatro filhos que ficaram no acampamento. Vou em busca do assassino até encontra-lo e quando o encontro o pego pelo pescoço gritando. Mato ele a golpe de punhais e dentadas, o estraçalho enquanto choro, arranco-lhe pedaços, ele era um homem jovem, vestia uma armadura dourada. Matei-o, mas estava destruído por dentro, toda aquela euforia havia passado. Ainda cheio de ódio, mandei que queimassem tudo, não queria que sobrasse nada!!”- C.N falava cheio de raiva – “Depois disso peguei o corpo de minha mulher e fiz um funeral para ela. queimamos seu corpo numa pira e depois botamos os restos em um navio e o queimamos também. Após o funeral fui descansar em minha tenda.

Minha vida foi de conquistas, guerras e mortes fúteis, me tornei um homem mal. Consegui me tornar rei, mas não sentia mais aquela euforia do início das minhas lutas. No final da minha vida estava numa tenda com várias pessoas me olhando, pareciam ser meus generais e ministros; meu aposento é luxuoso cheio de ouro e pedras preciosas, mas eu estava doente, com febre e suava muito” – Sua voz se torna baixa e fraca – “Achava que tinham me traído, que tinham me envenenado, estava doente a uns 40 dias, nesta época contava com mais ou menos 33 anos. Não estava acreditando que iria morrer tão cedo, sinto revolta!” – Falou mais alto – “Entra uma mulher oriental no meu aposento com meu filho, eu não gostava dela, mas ela era minha esposa. Ele vestia uma armadura dourada. Penso que vão matar meu filho e toda a minha família quando eu morrer, aqueles desgraçados me traíram! Vão tomar tudo o que é meu!” – Sua voz era só revolta 

“Morri na cama” – Terminou ele – “Magro, as costelas aparecendo…fui levado num caixão de ouro e brilhantes pelo povo, sendo ovacionado. Me senti feliz e satisfeito depois que vi o que tinha feito, vou ficar pra história, pensei. Mas aparece uma horda negra, são dezenas de milhares das pessoas que matei, e me atacam com ódio, me cercam e me batem, estrangulam e sufocam. Quando elas fazem isso volto a sentir aquela euforia que sentia, de querer matar todos eles de novo, eu não sentia arrependimento ou remorso. Ninguém conquistou tanto quanto eu! Me orgulhava de ter sido que eu fui e me sentia melhor do que todos” – Falava com satisfação.

“Por um momento a horda foi embora e me vi vestindo minhas vestes reais de novo, perambulando em espírito por meu reino, vendo a desgraça e a pobreza do meu povo. Sinto que eu deveria ter melhorado a vida deles, trabalhado mais pelos mais pobres, fico triste com aquilo, pensando que aqueles que usurparam meu trono estão fazendo meu povo sofrer. Mas eu também poderia ter dado mais atenção ao meu povo e cuidado melhor deles e ter feito as coisas diferentes. Começo a pensar que minha busca pelo poder e pela conquista jamais sairão da minha alma, esta é a essência da minha vida e é para isso que eu vivo, nunca vou deixar de querer o poder, mas não quero mais prejudicar os outros”.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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