sábado, 21 out 2017
Administração

O desbravador

O início das Grandes navegações se deu quando Portugal e Espanha se lançaram corajosamente ao mar em busca de riquezas e do famoso “Caminho para as Índias” no Século XV, foi um período de aventuras, heroísmo e grandes descobertas que ampliaram as fronteiras do mundo levando-nos ao que conhecemos hoje. A influência desses dois países se fez conhecer em todo o Ocidente e Oriente do Globo afetando relações comerciais e a cultura de inúmeros países. Um de meus pacientes, M.F, em tratamento em 2007 passou por uma regressão que lhe trouxe a memória uma personagem desta época, e, ainda mais impressionante, com a sua tentativa de influenciar a história mesmo depois de ter deixado nosso plano. M.F era um senhor de meia idade, casado, sentindo-se frustado com a vida e o “sistema” revoltado com os fatos de sua vida. Os fatos que narro a seguir foram de sua primeira regressão:

“Vejo uma cachoeira, tem mato, é de dia, num lugar muito bonito. Estou procurando algo. Era um homem alto de mais ou menos 45 anos, de  longos cabelos castanhos e olhos castanhos também, uso uma roupa de couro e chapéu, carrego uma espingarda…sou um desbravador, estou a procura de algo… ouro, pensei que poderia ter por aqui. Me sentia valente, apesar de solitário. Tenho medo dos animais, das cobras”.

Fiquei curioso para saber como M.F havia ido parar ali e perguntei-lhe o que acontecera anteriormente:“Estamos num navio de madeira no meio do oceano, movido a velas, tem um grupo de pessoas sob meu comando à procura de terras, me sentia muito aflito e com muita incerteza das minhas conquistas, não via nada só oceano…não sei se o destino é correto, tenho esperança de conseguir. Depois de um tempo chegamos a uma praia, envio um grupo e fico no navio, vão em pequenos barcos  a remo. Fico algumas horas no navio, me sentindo aflito, envio outro grupo em busca do primeiro, estou preocupado com eles. Mais tarde vamos todos até a praia, uso um uniforme preto com uma faixa branca e um chapéu pontudo, pareço um português. Estou inadequado naquela roupa, ph_cosmografia-devaultdesconfortável, mas satisfeito por ter atingido, meu objetivo” – Falava com orgulho.

Depois de entender estas cenas pude perceber que nosso desbravador, após ter chegado aquelas terras saiu a explora-las, que foi a cena que viu logo de início ao entrar na regressão, e a partir daí a estória continuou: “Estamos reunidos em volta do fogo, meus homens me admiram, e são submissos, alguns não falam minha língua, mas vai haver uma disputa, eles estão revoltados com a incerteza da volta e desconfiam de mim. Percebo que existe um grupo que se rebela, tento identificar o líder e mando enforcar três deles, quero dar um exemplo para os outros, sou muito autoritário” – M.F  deu um breve suspiro como quem aguarda algo – “Vou dormir, mas estou preocupado, estou deitado perto do fogo, todo de uniforme, eles me olham, acho que querem me matar. Me amarram…tento resistir, mas algo me prende a garganta, tanto fugir, mas não consigo, me espancam e me dão uma paulada na cabeça que sangra” – Após pequeno intervalo o desbravador contou-me o desfecho da breve luta: “Findo morrendo ali, na praia, com a testa sangrando.

Entre a raiva e a indignação M.F continuou seu relato: “Eles cometeram um erro… eu não queria o mal deles, me senti traído, indignado! Eu tinha um compromisso, fui frustrado…eu era orgulhoso, me senti impotente por não ter voltado, o rei estava esperando por mim, é meu irmão, meu nome é João” – Nesse momento aconteceu algo interessante, a personagem parecia não conhecer muito bem sua nova condição de espírito livre – “Voltei para ver o rei mais rápido que o navio, ele está preocupado comigo, mas não me vê. Ele estava num castelo em Portugal, estamos em torno de 1400, fiquei perto do rei impulsionando-o a tomar a decisão de enviar navios para a Índia. As pessoas estavam aflitas com uma revolução em Lisboa.

Estudando esta época e seus acontecimentos descobri algumas coisas interessantes, que possivelmente nem eram do conhecimento de M.F, apesar de, na época, eu não ter me preocupado em checa-los com ele. Apesar disso descobri que por volta  de 1400 Portugal estava envolvido em lutas internas e externas pela sua independência que culminaram coma ascensão ao poder de D. João I como Rei; este tinha um meio-irmão também de nome João, estando ambos lutando do mesmo lado pela união e posteriormente desenvolvimento de Portugal como potência marítima. Não consegui descobrir o destino desse meio irmão em minhas pesquisas, mas no relato de M.F temos uma boa indicação do que houve, e de como ele, mesmo depois de morto, influiu nos destinos de seu país.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS