sábado, 24 jun 2017
Administração

O inquisitor

L.C era uma professora de 32 anos que veio se tratar comigo em 2016 numa situação interessante: tinha acabado de se separar de sua parceira após sete anos de convivência, e aquela havia se tratado comigo justamente por causa do enorme sofrimento que estava tendo, pois a iniciativa da separação partira de L.C e esta dizia já não suportar conviver com ela e seus problemas. Só que depois da separação L.C descobriu-se também sofrendo muito em meio à uma confusão de sentimentos e muito angustiada, enquanto sua ex parceira ficava cada vez melhor. Assim decidiu se tratar, para entender como melhor se relacionar e resolver suas angústias internas. Em sua segunda regressão nos veio a seguinte história:

“Vejo uma igreja grande , tipo gótica, parece uma catedral dedicada a S. Pedro, é em Praga, à noite. Tem um padre lá… sou eu, com uma batina antiga e escura, de barba branca e pele clara, com uns 70 anos, carrego um castiçal na mão, estou sozinho dentro da igreja, chorando muito. Sinto uma tristeza profunda…uma vida infeliz, tenho vontade de prague-Vysehrad-5morrer, mergulhei num universo equivocado…a religião, como se fosse a salvação, buscando conhecimento, a ciência, mas estou desesperado e me suicido”. Logo após essa visão de sua sofrida morte antepassada, já no início da regressão, busquei mais informações e ela, agora aquele padre, voltando no tempo, me contou:

“Estava andando na rua de uma vila muito pobre, pensando em como ajudar minha mãe, ainda era um rapazinho, com uma grande vontade de conhecer o mundo, tinha outros irmãos, mas não tinha pai, vendia carvão pra sobreviver, me sentindo um lixo humano, um nada. Com 17 anos busquei melhorias de vida e entrei para uma ordem católica, fui estudar num grande casarão longe da vila, só voltava pra ver minha família nos fins de semana, me ordenei aos 23 anos. A partir daí pude ajudar  minha família, mas não era feliz, sentia que aquela não era a escolha certa, ainda me sentia um lixo, queria me libertar daquela vida, mas não podia, minha família dependia de mim, estamos em 1723” – L.C falava com tristeza na voz.

Pelo seu relato pude verificar que este personagem estava vivendo os dias mais tenebrosos da Inquisição, perseguição que a Igreja Católica infringiu aos homens e mulheres que considerava hereges, principalmente na Idade Média, condenando-os à morte após sessões de tortura das mais cruéis.

“Vivi assim até que mudei minha postura, começamos a julgar as pessoas, principalmente os mais pobres, porque elas questionavam a divindade. Nós (da ordem) as torturávamos para que elas se redimissem e aceitassem a INQUISICAO-3religião católica, que Deus havia posto na Terra. No início foi difícil , mas depois entendi que aquilo era necessário. Algumas vezes pedi perdão a Deus, outras gritava para eles aceitarem a Deus, alguns pediam perdão, outros morriam antes disso. Julgávamos eu e mais dois bispos, outros torturavam sob ordens da Igreja, não tinham escolha.

Foi assim até que tive que julgar um irmão meu – Disse-me angustiada –  ele havia se negado a seguir a religião e não acreditava nela, não acreditava num Deus da vingança. Eu disse que não podia fazer isso, mas o dever me cegou e os bispos me ameaçaram de assumir o lugar dele. O visitei e pedi para ele pedir perdão, mas no momento do julgamento ele disse não, me senti um lixo de novo, mas era minha vida ou a dele, fiquei em silêncio. Ele foi torturado até a morte pelos bispos, eu só chorava arrependido de ter assumido um compromisso com aquela religião maldita, estava com 32 anos naquela época. Depois disso eu me condenava todos os dias, minha vida ficou um inferno na Terra, sentia raiva, autopiedade… vontade de morrer, minha mãe disse que eu não tinha mais família.

O tempo passou, estava já com 62 anos e depois de um AVC fiquei com dificuldade de fala e movimentos. Trabalho com os pobres e em cada um deles procuro ver meu irmão, buscava neles o amor da minha família, aquele amor que havia perdido, também buscava o auto-perdão e o amor próprio perdido. Aguentei isso até aquele momento em que cheguei no altar da igreja, pedi perdão a Deus e me matei. Foi uma morte dolorosa, continuava no escuro, sentindo auto piedade, queira recomeçar, ser perdoado, mas não podia. Ficava vagando por ali, em cada canto, pedindo perdão, mas não o encontrava. Precisava de uma nova oportunidade, mas era difícil por que dormia, acordava e só via escuridão, uma tortura para meu espírito, isso era o pior, não tinha paz, sentia uma solidão indescritível, queria morrer… mas já estava morto”.

Uma curiosidade que ocorreu com essa estória foi que L.C depois da sessão procurou se informar sobre a igreja que visualizou e na próxima sessão chegou me contando, muito animada, que comprovou que aquela igreja existe até hoje, e que a visão que teve, principalmente de seu interior, como ilustra a imagem deste post, corresponde exatamente ao que viu.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS