segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

O capataz egípcio

Era minha primeira regressão, estava ansioso como um viajante inexperiente, mas já intuía nitidamente aonde iria parar, talvez porque na vida atual sentia saudade e nostalgia inexplicáveis  do antigo Egito, mesmo sem nunca haver estado lá. Agora estava finalmente  descobrindo de onde vinha aquela sensação clara, associada a um desejo de rever aquelas paisagens, e não deu outra,  foi como se eu houvesse entrado numa máquina do tempo e me vi novamente naquela época, quando, literalmente, entrei no meu personagem. Me vi perto do deserto, sob um sol intenso. Querendo matar a saudade procurei imediatamente desfrutar de todas as sensações que pude naquela hora, busquei sentir a areia sob meus pés, senti o calor do sol daquele meio de tarde sobre minha pele, os aromas do deserto que me chegavam. Perto de mim havia uma palmeira da qual me aproximei e coloquei a mão para sentir seu tronco áspero, a cada impressão e toque meu espírito deleitava-se, era como se uma saudade milenar estivesse sendo saciada, finalmente.

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Percebi meu corpo, um corpo jovem, forte, robusto, um tanto atarracado, de pele morena, vestia um pequeno saiote e um arranjo de cabeça, ambos de linho, típicos dos egípcios do antigo reino, usava sandálias de couro e tinha o torso estava nu, com mais ou menos 28 anos, eu estava olhando os reflexos do sol nas dunas no deserto, que se revelava em toda a sua beleza e grandiosidade.

Após essas impressões iniciais me localizei e vi que estava num canteiro de obras, minha perspectiva mudou e passei a ver a cena que se desenrolava de fora. Aparentemente eu era um capataz de obras, enérgico com meus subordinados e muito eficiente no trabalho. Me vi em meio a centenas de trabalhadores suados e escurecidos pelo sol inclemente da minha amada terra, disparava ordens e castigos, com severidade. Sentia muito orgulho e satisfação pelo que fazia, construía templos e outros tipos de obras para o estado, era obcecado pelo trabalho, que me dava respeito e uma vida confortável.
Me veio à mente que vivia apenas para satisfazer minhas necessidades e não cultivava vínculos nem afetividade; tinha mulher e filhos apenas por convencionalismo social, vivia praticamente para o trabalho e dividia os poucos momentos de prazer com os amigos e uma amante. As  cenas e sensações do cotidiano se sucediam enquanto estava regredido, passavam rápido na minha mente, como num filme, ora numa casa pública bebendo com os amigos, ora nos  braços da amante, em outras cenas me vi andando nas ruas de barro batido em meio à casas e tendas simples.

Não sei precisar que época era aquela da história egípcia, acho que foi entre 2500 e 3000 anos atrás. Vivi aproximadamente 60 anos, o que era muito naquela época, e morri de velhice, desgastado, no momento da minha morte vi que estava muito envelhecido, completamente careca, magro, deitado em uma mesa de pedra em minha casa. Era noite, no aposento apenas uma luz fraca iluminava minha mulher e filho que estavam comigo, tristes e abatidos, tudo muito silencioso. Naqueles momentos, avaliando tudo o que havia feito, senti remorso, pensei que deveria ter feito mais pela minha família, me deu culpa por não ter cuidado melhor deles e lhes dado mais amor; senti também um grande vazio na alma por ter passado a vida apenas pensando em mim, sendo egoísta. Poderia ter olhado mais para quem estava à minha volta, eles precisavam de mim também, falhei.

Após a morte meu espírito avaliou que não devia ter passado a vida cuidando só das suas necessidades, na próxima vez iria olhar com mais carinho os outros. Decidiu ali, após tudo isso, que em outra oportunidade (outra vida) não seria mais tão egoísta.


2 Comentários

  1. nossa me identifiquei e muito nisso descobri q fui um capataz tbm,vc descreveu igual a mim,bem tirando o detalhe da familia q fui cuidadoso com ela,enfim.fiquei identificado nesse relatorio

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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