terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Cuidar do jardim

L.F estava em tratamento comigo a seis meses, com trinta e poucos anos já era divorciada e vivia uma vida infeliz, havia chegado muito angustiada e ansiosa, sem conseguir manter nenhum relacionamento romântico mais satisfatório a tempos, padecia do que poderia ser um transtorno bipolar e de pânico. Além disso era compulsiva por compras e estava cheia de pensamentos negativos, inclusive de suicídio. Em sua quinta regressão nos trouxe uma história que mostra o quanto a inveja e a insatisfação com a vida podem ser destrutivas, além disso descobriu outros padrões negativos que lhe afetava a qualidade de vida.  Para nós ficou a lembrança de uma tragédia familiar iniciada quando uma simples criada resolveu mudar sua vida a qualquer custo, sem medir consequências. A seguir ela nos conta o que aconteceu.

“Sou uma mulher…vagando por uma casa grande antiga, de madeira, com janelas grandes. Vejo três senhoras bordando e conversando, elas usam roupas antigas e não me vêem…estou morta, elas são intrusas…aquela é minha casa”. Após essas palavras pedi a L.F que retornasse ao seu papel no tempo em que ainda estava viva, e ela assim o fez.

“Estou num jardim, plantando algo, sou uma criada branca, de roupa comprida, com aproximadamente 18 anos. Penso que quero aquela casa, não vou viver ali como criada, sinto raiva de quem é rico, revolta de ter nascido no local errado…ainda vou ser dona dali. Tenho um plano, vou seduzir o filho do dono, ele tem 21 anos, vou me oferecer a ele, ele vai gostar de mim.

Logo depois tentei seduzi-lo enquanto estávamos sozinho num cômodo, mas ele não me quis. Mesmo assim tivemos uma relação, mas ele me deixou, não me deu atenção, me senti humilhada, usada…sou só uma criada mesmo… mas eu ia destruir o relacionamento dele. Ele tinha uma noiva, rica e bonita, eu queria as roupas dela, sua casa…eu ia ter um filho de qualquer jeito” – Falou determinada.

“Tive que engravidar de outro homem, pois ele não ligava pra mim, fiz um pacto com outro criado pra isso, de ajuda-lo se ele me ajudasse, o filho era o que menos importava, não queria mais ver as outras mulheres tendo tudo e eu nada. Um tempo depois falei pro filho do dono da casa que o filho do dono da casa que estava grávida e o filho era seu; ele não fez nada, não me amava, mas seu pai o fez se casar comigo, isso me fez sentir vitoriosa. Ia expulsar a noiva dele e ter roupas bonitas, não me sentia feliz, mas não me arrependi. Meu maior trunfo era meu filho, eu sabia que o criado poderia estragar tudo, mas isso era fácil de ser solucionado, era só elimina-lo quando eu fosse dona de tudo.

Mas as coisas não saíram como eu queria, gostei do meu filho e não tive coragem de matar o pai dele. Depois de um tempo meus sogros morreram, ficamos só nós dois e a criança. Eu me sentia ameaçada pelo pai real do meu filho, ele queria o lugar do meu marido. Acertei com ele de uma noite ele entrar no meu quarto e matar meu marido. No dia que acertamos ele entrou em nosso quarto pela janela, como um bandido, vi seu vulto e não permiti que ele consumasse o assassinato, me joguei na frente da faca que ele tentou enfiar no meu marido, e ela me acertou em cheio, caí morta em cima do meu marido!! – Exclamou L.F

“Fiquei toda ensanguentada, de camisola, com sangue saindo pela boca, tinha 24 anos. A armadilha deu errado por minha falta de coragem. Meu marido não merecia, era justo, só não me amava. Senti que fiz tudo errado…usei uma criança, mas eu ia proteger meu marido e meu filho, vagando pela casa todo dia. Aquela casa nunca foi mufloresminha de verdade, e eu nunca fui rica de nada, não amei meu  filho e separei um casal que se amava, não ia mais atrapalhar os dois. Eu só não queria ser uma criada, sentia muito arrependimento, tinha que consertar tudo o que fiz de errado. 

Podia ter sido feliz de tivesse feito a coisa certa, eu nunca mais iria usar uma criança. A gente tem que viver com o que a gente tem e não ter sonhos maiores que o possível . Temos que encontrar beleza na vida que se pode ter, eu nunca fui feliz afinal. De que adiantou ter aquela casa?

O jardim que eu cuidava tinha muito mais beleza que aquela casa. Só lembro das flores amarelas do jardim, devia ter cuidado melhor delas…”

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS