domingo, 23 abr 2017
Administração

O monge

No início da disseminação do cristianismo na Idade Média pela Europa os mosteiros eram os postos avançados da Igreja, serviam como abrigo, hospedaria, escola, hospital e centros de cultura de uso de muitas famílias nobres, para onde se enviavam os filhos, além disso eram muitas vezes a única instituição com poderes para julgar e condenar quem quer que fosse, com base nos cânones religiosos da época.  Foi dentro de uma destas instituições rígidas que viveu a personagem de S.B séculos atrás, este paciente se tratou comigo durante pouco mais de um ano entre 2005 e 2006 com uma ótima evolução para qual contribuiu muito esta história com que seu inconsciente nos brindou.

“Sinto um calor nos pés…como se estivesse numa fogueira. Sou um homem, de mais ou menos 30 anos, meio gordo, de sandálias de couro, de cabelos pretos lisos, bem baixos. Estou com muita raiva, fui condenado à fogueira por ter ido longe demais, tinha buscado ocultismo e conhecimentos proibidos pela Igreja”. Como ele já lembrou de uma cena que iria determinar possivelmente o fim de sua vida naquela época pedi-lhe que recordasse cenas anteriores àquilo, e ele me trouxe o seguinte:

“Desde criança sabia que teria que ir para um mosteiro, com 15 anos fui obrigado a ir, fui bastante revoltado e com ódio, sentia um vazio por ir de encontro a uma vida que não queria”— Sua fala expressava toda a dor e raiva que sentia — “Ao chegar lá fiquei solitário, quieto, era dissimulado, estudava mais do que os outros monges e mais do que devia, queria me vingar da minha família fazendo isso”. Deixamos que o tempo avançasse para mongesconhecermos o fim da história: “Estou em uma rua de pedras, fora do mosteiro, converso com outras pessoas, elas eram curandeiros, trabalhavam com chás e poções, um superior do mosteriro me flagrou conversando com elas e me levou de volta me reprimindo e dizendo que poderia acabar na fogueira por causa daquilo. Me senti desafiado, não ia deixar de vê-las, só que seria mais cuidadoso e camuflado. Queria aprender sobre magia negra”.

O tempo foi passando e nosso monge já com quase 30 anos fugiu do mosteiro para trabalhar, não sabemos exatamente em que, mas foi capturado e levado de volta. No mosteiro foi submetido a um rápido julgamento por uma comissão e condenado quase que imediatamente à fogueira, que foi a cena que abriu a regressão deste relato. Após sua morte seu relato foi o seguinte: “Meu corpo ficou na fogueira, enegrecido e queimado, principalmente o tronco e o rosto. Senti um grande ódio por terem me impedido de fazer minhas próprias escolhas, desejei outra vida. Pensei que tudo aquilo que me orgulhava, meu nome, de família respeitável, findou me cobrando um preço muito alto. Nomes passam, o resto é nossa responsabilidade. Temos que buscar o conhecimento para crescer e não por vingança” — Suspirou profundamente e terminou: “Tinha que aceitar os fatos e não tentar o que era impossível, ter mais humildade e resignação, tinha que fazer o melhor dentro do que me propunha”.

Assim terminou a vida daquele monge, reencarnado hoje, séculos depois, como nosso paciente e preparado para enfrentar a vida com os novos conhecimentos que adquiriu, e parece que funcionou, pois ele teve alta alguns meses depois muito melhor do que chegou.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS