terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Casar pra quê?

J.B chegou no consultório no fim de 2012, disposta a se tratar de um gênio difícil que estava lhe trazendo muitas perdas na vida. aos Chegando aos 30 anos se sentia inerte e muito resistente à mudar, mas dizia que isso era irracional e fugia ao seu controle, achava que fazia isso justamente por medo de perder o controle das coisas. Já tinha tido dois episódios depressivos além de chorar às vezes compulsivamente sem descobrir o motivo. Não se achava muito afetuosa, apesar de aparentemente não ter problemas nos relacionamentos pessoais.

Após seis sessões e algumas regressões seu inconsciente lhe trouxe uma vida rica de experiências que ajudaram a superar tudo isso e, afinal, ter alta. Abaixo transcrevo suas palavras:

“Vejo uma mulher andando numa praia de pedras, está anoitecendo, o céu está muito vermelho. Sou eu, tenho por volta de 30 anos, tenho os cabelos e olhos negros, minha pele é branca; estou com um homem um pouco mais velho, de colete e chapéu, as roupas parecem ser do século XIX para o XX. Estamos conversando e rindo, me sinto muito alegre e feliz, é um momento muito bonito. Logo depois daquela cena me percebi casada com ele e começaram as dificuldades. Eu não era fácil de lidar, bem que ele tentava, mas não conseguia superar as dificuldades de convivência. Tudo piorou quando descobri que não conseguia ter filhos. Me senti incompleta, triste, e apesar de morarmos num lugar lindo ele estava vazio.

Com quase 40 anos consegui engravidar, foi libertador, era um menino, meu marido ficou aliviado e feliz, eu melhorei e a convivência melhorou muito, mas eu continuava uma pessoa difícil de lidar, tinha uma carência e insatisfação muito grande dentro de mim. A vida passou e com quase 70 anos comecei a perceber que minha vida estava chegando ao fim e que não havia sido feliz por minha própria culpa, não me contentei com o que tinha, podia ter aceitado melhor as dificuldades, as coisas não foram como sonhei. Qualquer coisa fora do lugar me tirava do sério — Sua voz assumiu um tom de arrependimento. infeliz2

Dois ou três anos depois morri, após sentir uma dor muito forte dentro de mim. Meu espírito ao se libertar do corpo se lamentou e se culpou muito. Deveria ter sido menos controladora… não é porquê as coisas não são do jeito que queremos vão ser ruins. Queria ter sido menos exigente e mais compreensiva e paciente, principalmente com meu marido. Talvez as pessoas não sejam como você queria, mas ainda assim lhe amam. Decidi que dali para a frente seria mais compreensiva, menos amarga, mais tolerante e paciente. Procurar ser menos “perua” e dondoca, menos  vaidosa enfim” — Tomou fôlego e continuou — “Tive tudo para ser feliz e não soube aproveitar, só notei isso quando meu marido morreu antes de mim e vi o que tinha perdido. Às vezes achamos que um pessoa não é amorosa o suficiente conosco, mas somos nós que não nos permitimos, não temos um olhar carinhoso. Cobramos coisas muito bobas e tiramos o brilho de nossa vida conjugal. No fim descobri que não fui muito amorosa”.

Depois dessa regressão as melhoras de J.B foram acentuadas e ela teve alta bem mais tranquila em sua vida, com o cessar dos seus sintomas depressivos.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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