sábado, 24 jun 2017
Administração

Sofrer na Segunda Guerra

A segunda Grande Guerra transformou um mundo que parecia civilizado e evoluído num grande celeiro de sofrimento humano. Países contra países, homens dizimando homens, de forma sistemática e sórdida. Minha cliente S.R lembrou, em uma regressão que realizamos em 2008, de uma vida num dos campos de concentração que haviam nessa época terrível. Por sua boca ouvimos o relato de uma personagem anônima, que, como milhares de outras, sofreram os horrores daquela guerra. Vamos lhe dar voz, como se fosse para todos aqueles que estiveram lá também, e nunca conseguiram contar de suas dores.

“Estou num campo de concentração, sou uma mulher de mais ou menos 30 anos, magra, sem cabelo…todos são carecas aqui, tenho os olhos castanho claros. Estamos numa fila para pegar comida, são homens e mulheres, todos magros e carecas, de roupas listradas. A gente sofria, apanhava, trabalhava…as pessoas morriam, era muito frio”.

Após esse relato inicial pedi a S.R que retrocedesse no tempo, para quando ainda estava livre e ela me contou o seguinte: “ Eu era professora, dava aula para crianças, era casada e tinha duas filhas, morava na Alemanha na época da guerra. Um dia me prenderam na escola, senti desespero, queria ver minhas filhas, fugir, pensava na minha família, mas de nada adiantou, me colocaram num trem que me levou até aquele lugar. Quando cheguei senti muito medo, pensava se minhas filhas haviam morrido”.

S.R continuou seu relato falando de forma pesarosa: “Uma vez tentamos fugir, mas nos pegaram e nos colocaram isoladas, nos bateram. Sentia muita tristeza, como se nada mais importasse, sabia que nunca mais iria ver minha família, tinha vontade de morrer. Sentia também medo e desprezo pelos homens, pelo mundo…por tudo o que sofríamos. Não tinha mais esperança, mas lá no fundo queria voltar minha vida; sentia o estômago doer e não conseguia comer mais, mas algo não me deixava morrer: a esperança de um dia aquilo acabar.

Perguntei a S.R quanto tempo ele passou lá e ela foi se encaminhando para o desfecho da sofrida história, contando entre sentimentos de tristeza e revolta: “ Fiquei lá 3 ou 4 anos, aí fomos libertadas….todos fugiram; eu não sabia mais como ser livre, não conseguia mais nem caminhar, pensava em encontrar minha família. Conseguimos sair e27-soldiers-1945-prisoners.n fomos cuidados depois disso, nos deram comida. Pouco depois comecei a trabalhar numa fazenda, mas não tinha notícias da minha família, me sentia com muita saudade e melancolia, pensava sempre em encontra-los. Com esse pensamento tentei voltar para onde vivia, mas estava tudo destruído, soube que eles foram presos também; nunca perdi a esperança de vê-los novamente, mas fiquei sempre triste.

A personagem de S.R morreu alguns anos depois, num hospital, sem nunca ter reencontrado seus parentes, possivelmente mortos nos campos de concentração. Após a morte a tristeza ainda lhe dominava: “Parece que usei toda a esperança e não consegui sair dali, fiquei com medo então de ser feliz, senti decepção comigo mesmo. Eu era feliz e de repente você não consegue aquilo que deseja, tinha muita saudade, restou uma sensação de incapacidade e de insegurança. resolvi ficar quieta e não lutar mais, me sentia amarrada”.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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