sábado, 21 out 2017
Administração

O bom cacique

J.F foi uma paciente que tratei em 2006, após grandes melhoras largou a terapia para não mais voltar voltar. Entre as grandes lições que lhes deixou seu inconsciente a que transcrevo a seguir foi uma das mais bonitas, e que lhe deixou, de certeza, marcas profundas, pois além de ser sua última regressão, também veio de encontro à grandes mudanças que ela precisava fazer em sua vida, daí talvez o abandono da terapia, quem sabe?

“Vejo um homem de cocar grande e colorido, numa tribo de índios, tem entre 45 e 50 anos, é moreno de cabelos lisos e curtos, olhos oblíquos e usa roupas coloridas, está de botas de couro rústicas. Tem outras pessoas com ele, se vestem parecido, com mantas e cocares menores, também crianças, estão todos participando de instruções que ele dá a índioselas. Aquele índio sou eu. Estava ensinando sobre a vida, sobre como viver, de coisas boas, eu era o cacique da tribo. Dizia que para viver não precisava fazer maldades, me sentia bem passando algo positivo.

Fui preparado desde a infância para ser cacique, mas não ligava muito pra isso. Com doze anos já sentia o peso da responsabilidade e não gostava, queria liberdade, mas não podia fazer o que os outros faziam.  Com 17 anos minha mãe morreu, me senti muito triste e sabia que minhas responsabilidades iriam dobrar a partir dali. Assumi a liderança do meu povo com 25 anos, não tive alegrias nem liberdade, só poder,  não gostava, mas cumpri bem minha missão. Me uni a uma índia de longos cabelos negros e tive dois filhos com ela, nossa união não durou muito e ela me abandonou, não gostava muito de mim, arranjou outro parceiro e foi embora.

Me senti muito decepcionado e a angústia me tomou o coração, foi difícil viver dali pra frente assim. Mas consegui, com 78 anos peguei uma gripe e meus pulmões ficaram doentes, emagreci e findei morrendo disso. Ao rever minha vida após ter morrido avaliei que embora não quisesse o poder cumpri bem minha missão, só lamentei não ter ficado com minha companheira, me senti triste por ter ficado só. Pensei que mesmo a gente tendo o poder não precisamos ser ruins, a beleza da vida está na bondade, em fazer o bem e em não ser injusto com ninguém; me sentia bem fazendo o bem”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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