domingo, 23 abr 2017
Administração

A ratazana

R.M veio se tratar em 2002 com um problema que estava lhe perturbando a vida: uma intensa fobia a ratos; esta era de tal forma forte que já havia lhe causado inúmeros constrangimentos e estava interferindo no seu dia a dia. Como a Terapia de Vidas Passadas não tem em seu escopo nenhum enfoque mais direcionado a este tipo de assunto iniciei seu tratamento confiando que seu inconsciente uma hora nos mostraria a origem da fobia ou mesmo se ela estaria ligada a outras disfunções psíquicas e emocionais de R.M. Após seis regressões que vieram sem nada de específico, na sétima, por fim, R.M relembrou de uma vida que explicava uma boa parte de sua fobia. Vamos conhece-la.

“Estou vendo uma rua, de terra batida, perto dela tem troncos de madeira e várias pessoas vendendo coisas em uma feira de animais, são maltrapilhas. Um menino de uns onze anos está andando com uma gaiola, vendendo animais também. Eu sou o pai do menino, tenho cinquenta anos, maltrapilho também, de boné, fumando encostado numa parede, observo ele vender as coisas. Me sinto ansioso pelo dinheiro da venda, louco para irmos embora, aquele lugar me repugna, é sujo. Que vida! Que vida medíocre” — Exclamou em tom de lamento R.M.

“O menino é meu enteado e faço ele trabalhar para mim, quero dinheiro, mas até o final do dia ele não vendeu nada, eu o culpo por não ter conseguido o dinheiro que eu desejava. Ele tenta inutilmente se defender e chora dizendo que não tem culpa, me dá vontade de castiga-lo e logo resolvo o que fazer. Perto dali tinha um prostíbulo, numa casa antiga, botei ele lá dentro e mandei ele se prostituir, fiquei fora esperando ele me trazer dinheiro. Depois de um tempo ele me traz, sem dizer uma palavra, me dei bem, pensei, ninguém vai ficar sabendo” — Falou com satisfação R.M — “Eu já havia feito isso outras vezes, me deu até um certa pena, mas pensei que não era meu filho e eu não gostava daquela vida, então continuava. Tinha medo que descobrissem, voltamos para nossa casa que  ficava num vilarejo próximo, moro lá com minha mulher e outra criança; entro pela frente e o menino pelos fundos”.

“Passados muito anos o menino ficou adulto, eu já tinha uns sessenta anos e estávamos num celeiro, no meio de lixo e galinhas; começamos uma discursão e depois a lutar, ele aperta meu pescoço com um ancinho com muito ódio de tudo o que fiz com ele todo esse tempo. Me sinto arrependido com pena dele, mas mereço isso, se ele acabar com minha vida é um favor” — Falou uma angustiada R.M — “Neste momento a mãe dele entrou e ele lhe contou tudo o que aconteceu, ainda segurando o ancinho no meu pescoço; ele num instante o tirou da mão dele e o enfiou no meu pescoço…jorra sangue…ela enfia várias vezes”— Parei alguns momentos de lhe fazer perguntas, esperando o desenlace daquela morte; em seguida lhe perguntei como se sentiu depois que morreu: “ Fiquei no celeiro, com o pescoço todo furado, jogado no meio do feno…sangue jorrando da boca. Pensei que havia sido muito passivo, ao invés de procurar trabalhar, abusei do menino para conseguir ratosdinheiro, me senti um idiota, um morto vivo que não fez nada na vida, fiquei com medo de tudo o que fiz, fiquei magoado comigo mesmo”.

De repente, R.M se assustou e disse:” Tinha uma ratazana muito grande naquele celeiro, ela fica passando em volta do meu corpo morto. Fiquei olhando aquele bicho , como se uma coisa estivesse ligada à outra…um igual ao outro, eu e o animal…um bicho asqueroso e nojento, junto a outro bicho asqueroso e nojento. Depois disso fiquei vagando…flutuando.. não chego a lugar algum, estou pagando por aquilo que fiz, minha preguiça me fez pagar caro, vou ficar aqui até me arrepender do que fiz. Leva muito tempo até que finalmente vou descer e vou para aquela casa, em outra vida. Nunca mais vou repetir o que fiz com aquela criança, o que fiz foi indigno, fiquei com nojo do que fazia, nunca mais vou fazer algo fora do normal, a preguiça não é uma coisa normal”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS