sábado, 18 nov 2017
Administração

Incompreensão

E.P começou seu tratamento em 2004 tendo alta em 2005, nesse período aprendeu coisas importantíssimas sobre sua vida e seus problemas, mas uma de suas regressões em especial, a segunda,  me chamou a atenção, por trazer do passado uma personagem que lhe ajudou a entender coisas que lhe atrapalhavam na vida presente, principalmente em relação aos conflitos que teve com o pai. Vou reconta-la aqui para vocês.

Logo no começo da regressão E.P disse que estava sentindo um “nó na garganta” com uma sensação de ser cobrado, sentiu medo dessa cobrança, como se estivessem lhe pedindo algo. Suspeitando de uma “Visita” ou “Presença” do passado em nossa sessão perguntei-lhe quem estava lhe causando aquela sensação, ao que ele imediatamente respondeu: “Um homem, ele está aqui, é velho, entre 50 e 60 anos, alto, branco, de cabelo e olhos pretos, vestido de roupa comum, ligado à fazenda, de classe elevada, do início do século”. Perguntei-lhe o que seu olhar lhe transmitia, isso é uma boa forma de sabermos das intenções da “presença”; ele me disse: “ Severidade, raiva, exigência”.

Curioso, eu quis saber do restante da história e do que havia ocorrido entre os dois, até para poder ajudar E.P, e ele foi me contando: ”Morávamos numa fazendo só nós dois, com os empregados, me sentia muito só, tinha 18 anos e ele me tratava com muita severidade. Tinha uma vida muito triste, não sabia fazer nada, nem o que realizar; foidownload (3) assim até eu ter idade para ter independência financeira, ele já estava idoso, enquanto eu ganhei o poder ele perdeu. Quando consegui isso o desprezei, vivia com ele, mas o desprezava, ele ficava magoado.

Se tornou um velho amargurado; quando contava 70 anos e eu estava com 45 entramos numa discursão, ele queria que eu fizesse algo na fazendo que eu não queria, a mágoa que eu tinha guardado por anos veio toda à tona e eu o estrangulei, minha esposa soube, mas não fui punido. Depois disso passei a viver com um sentimento de culpa constante que terminou por me levar a tirar minha própria vida. Peguei uma pistola e dei um tiro na minha cabeça, ainda não tinha chegado aos 50 anos” — E.P narrou esses fatos com dor e sofrimento, mas precisávamos saber o que ele aprendera de tudo aquilo e continuamos : “Ele tinha as razões dele em querer ser daquele jeito, era da época, eu fui errado em tomar aquela atitude, poderia ter resolvido as coisas de outra forma, acho que sou parecido com ele, desde então venho buscando me transformar. Eu quero perdoa-lo e merecer o perdão dele, quero tirar a mágoa do coração, não quero mais mudar os outros”.

Depois de tudo isso perguntei como estava o seu pai, afinal ele estava ali, ouvindo tudo aquilo. Ele me disse: “Apreensivo, ainda está triste, parece não acreditar muito no meu pedido de perdão, está em dúvida, não sabe se aceita, ainda tem muita mágoa — Pedi-lhe para explicar que essas mágoas só traziam dor e sofrimento e E.P transmitiu o que via: “Ele concorda com essa disposição, essa vontade de seguir em frente; tem uma luz e ele segue em direção a ela”.

Finalizamos a sessão com grandes insights que E.P usou durante todo seu tratamento e de certeza depois dele. Quanto a seu pai, de certeza está bem melhor depois de perdoar e ser perdoado.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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