sábado, 21 out 2017
Administração

O traidor

Adelson estava indo muito bem na terapia, apesar de seus vinte anos, naquele já distante 2004, era determinado e tinha muita vontade de se melhorar como filho e ser humano. Suas regressões e seu tratamento lhe ajudaram muito nesse processo e creio que o fizeram ser hoje um adulto completo. Esta é a história de sua quarta regressão.

“Um navio no mar, com muitas pessoas, uns sem camisa, outros bem vestidos, todos homens, estão levando mercadorias. Eu fui designado pelo Rei para comandar uma frota de navios para buscar ouro; isso foi uma honra, não pensei em nada nem na minha família nessa hora, mas na hora  de partir comecei a sentir angústia por deixa-los…não ia ver minha filha crescer, mas aceitei. Sou um estrategista e na nossa esquadra tem mais quinze navios. Estou bem vestido, uso uma camisa de mangas com colete, calça e botas, chapéu, tenho os olhos azuis, cabelos castanhos e minha pele é muito branca, estou por volta dos trinta anos. Me sinto ansioso, tenso, estou com medo de que algo possa acontecer, existem piratas ou inimigos que poderiam nos atacar para tomar nosso ouro. Sinto saudades de casa também…de minha mulher, da minha filha, queria que isso tudo acabasse logo pra retornar ao lar.

Vimos uma frota de inimigos no horizonte, fiquei muito ansioso, senti medo, mas eu tinha que decidir se iríamos enfrenta-los ou fugir. formulei um estratégia com os colegas e decidi recuar no início para depois formarmos uma linha de combate. Nossos navios eram pequenos,batalha-naval1 mas rápidos, atirávamos de longe até que conseguimos afundar todos os inimigos e vencemos a batalha. Me senti muito feliz e honrado, digno de mim mesmo, pensei na recompensa que o Rei iria me dar e na minha família. Retornamos com nossa missão cumprida, e reencontrei, feliz, minha família.

Me vejo no palácio entregando o ouro ao Rei, esperava uma recompensa por faze-lo tão bravamente, mas não recebi nada, nem mérito, nem honra…me senti como uma peça de xadrez, fiquei muito decepcionado, angustiado e triste com a atitude do Rei. Tive vontade de sumir, de não fazer mais nada por ele, só tinha raiva e desprezo por sua pessoa, resolvi ir embora daquele país, sozinho. Deixei minha família para trás e fugi para a nação inimiga, treina-los nas minhas táticas; no início não me aceitaram bem, mas depois me reconheceram; fui em busca de satisfação, de provar para o Rei o meu valor. Me deram riquezas, mulheres, mas não estava feliz, queria notícias da minha filha e esposa, não havia como voltar mais, era um traidor; findei ficando por lá até minha morte.

Morri naturalmente, aos 75 anos, pensando que havia jogado para tudo para o alto apenas por minha satisfação pessoal, eu não devia ter feito isso. Pensava na minha família, me sentia culpado e muito triste. Não consegui ser feliz apesar de todo o luxo que consegui. Depois da morte resolvi que se tivesse de tomar alguma decisão iria pensar na minha família em primeiro lugar, não iria mais abandona-los”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS