sábado, 24 jun 2017
Administração

Dançando no Moulin Rouge

Ricardo, 35 anos,  ficou em tratamento comigo durante dois anos, vítima de Esquizofrenia que lhe causava, e à família, um enorme sofrimento. Findou abandonando o tratamento quando se viu frente a grandes melhoras e a uma encruzilhada da vida na qual ainda não tinha condições psicológicas de superar: o enfrentamento do cotidiano como uma pessoa praticamente “normal”. Absolutamente intolerante como é característico desta patologia foi levado pelo seu inconsciente à várias regressões interessantes, esta é apenas mais uma, mas que merece ser relida para que demos voz a alguém que talvez precisasse disso.

“Imagino que estou num bordel, tipo Moulin Rouge, os homens vestem ternos e as mulheres longos, estão apreciando a dança. Sou uma das dançarinas, tenho trinta anos, de cabelos louros, compridos, olhos azuis e a pele branca, sou alta e uso uma lingerie, estou dançando,  feliz, à vontade, mas sinto como se não quisesse estar ali, me sinto meio constrangida de mostrar meu corpo, indigna e vulgar, tinha asco dessa vida mundana e pervertida, mas não tinha como sair dela. Fui vivendo assim até ficar mais velha.

Com 55 anos estava acabada,gorda e enrugada, os cabelos agora eram ruivos, mais  escuros, não tive filhos, sou só; tenho apenas uma amiga. Sinto um grande arrependimento por ter levado aquela vida, me dá raiva de mim mesmo por ter feito tudo errado e não ter mudado enquanto pude. Sinto muita tristeza também por não ter constituído uma família e  da discriminação da sociedade que me considerava uma mulher vulgar. Pensamentos que me tomavam o tempo todo: Como eu faço para mudar? O que as pessoas estão pensando a meu respeito? O que vai ser de mim? Não cuidei do meu lado espiritual…queria levar uma vida mais espiritual e não consigo, me sinto muito discriminada. Fui vivendo assim até a velhice, com 70 anos;  me sinto já quase sem consciência, e com um grande peso nela, sozinha no mundo. Com 95 anos estou numa cama, com roupas antigas, não tenho consciência de mais nada, apenas espero a morte…morri como um passarinho.

Depois que morri sento pesar, rejeição e discriminação por mim mesmo, baixa auto-estima…penso que não levei a vida que quis por falta de condições…não tive chance. Queria ter sido uma princesa, não uma plebeia, era meu sonho. Desejei ter botado todo o meu vigor para ser respeitada, admirada e não desejada” — Ao mesmo tempo seu espírito confessou o que a levou àquela profissão, quando lhe perguntei: “ Eu queria aparecer, que todos me apreciassem, batessem palmas para mim, me desejassem, queria ser admirada pelos homens, cortejada, bajulada, era muito bonita. Mas no fim acho que fui muito vaidosa, e me deixei levar por isso, devia ter tido mais humildade, mas eu queria ser melhor melhor que todas as mulheres.

Na próxima vida, vou ser uma mulher digna, fazer de tudo para ser mais humilde, não ser tão bela e tão arrogante, desejo ser mais simples e amável com as pessoas…foi uma vida efêmera, passei como um cometa”.

can-can


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS