segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

O empresário

A.P tinha apenas 20 anos quando adentrou meu consultório para se tratar, em 2003, sem encaminhamento nem indicação nenhuma, guiado apenas pelo meu nome na placa que estava na porta, resolveu sozinho que precisava de auxílio. Findou sendo um cliente que me deu muitas alegrias por sua ótima evolução e alta breve. Seus problemas não eram nada de grave, mas mereciam atenção; dificuldades de relacionamento com os pais, uso recreativo de maconha, temperamento intolerante e irritável. Esta foi sua terceira regressão, aonde vemos que a sabedoria não aparece só porque morremos e mudamos de planos, nossas falhas de caráter e equívocos continuam a nos acompanhar aonde quer que nós estivermos, como foi a caso de sua personagem.

“Vejo uma cidade com prédios, cavalos pelas ruas, muita gente, todos bem vestidos, homens de terno, mulheres de vestidos. Estou dentro de um escritório, em cima de um dos prédios assistindo tudo aquilo, sentado, fumando um charuto, tenho mais ou menos 40 anos, me visto elegantemente com camisa e calça de seda e smoking. Sinto prazer e poder, como se tivesse o mundo em minhas mãos, gostaria de comprar várias empresas, investir em outras — Pedi-lhe para voltar no tempo e me contar o que lhe aconteceu antes daquela cena e ele me falou: nyhs-01

“Vim de uma infância humilde, mas sempre pensei que merecia algo mais, tinha muitas ideias. Nessa época tive a ideia de comprar coisas e vender mais caro, e o fiz, ajudei minha família, até achar uma empresa para comprar, depois de muita negociação o negócio não se concretizava. Fui então até a filha do dono e começo a namora-la, por interesse mesmo, mas acabei me apaixonando, nos casamos depois de um tempo e recebi parte da empresa. Quis vender parte dela para obter lucro, mas o pai dela não concordava, eu não conseguia aceitar um não como resposta e fui morar longe por um tempo” — Parou um pouco relembrando e continuou:

“Minha esposa engravidou e tivemos nosso primeiro filho em meio a muita felicidade. Logo depois disso o pai dela morreu e assumi a empresa, que não parecia mais tão importante, agora minha família era o mais importante para mim. Minha mulher ficou administrando a empresa e eu continuei a comprar e a vender empresas, me senti completo.

A vida foi assim até eu ficar doente estava com sessenta e poucos anos, sentia febre, falta de ar…vou morrer. Depois que deixei meu corpo senti o desejo de voltar ao que estava fazendo e uma angústia muito grande, uma tristeza por deixar minha mulher e filho, mas ainda me lamentava também por não ter conseguido aquela empresa pelo meu modo. Pensava que só poderia ser feliz se ficasse com alguma mulher por interesse, sem me apaixonar, afinal amor e sucesso podem andar juntos”.

Esse tipo de pensamento levou A.P a repensar muitos de seus valores e tomar as decisões que depois findaram por direcionar sua vida para um destino mais acertado do que o que foi vivido naquela.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS