terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Queimado

Marcelo, 35 anos, chegou à terapia em 2005 com problemas familiares. Relacionava-se mal com a esposa, o pai e principalmente o enteado, de quem dizia gostar muito, mas que o contrariava demais “endurecendo seu coração”. Dono de uma personalidade crítica e pessimista se dizia, e realmente parecia, ser submisso às vontades alheias, sentindo-se muito infeliz com o resultado disso na sua vida.Queira melhorar, se sentir menos crítico e culpado por não sentir e fazer o que achava serem os comportamentos corretos como pai e marido, mas infelizmente não levou seu projeto em frente abandonando a terapia logo após a primeira regressão, que vamos conhecer a seguir e tirar, cada um, suas conclusões.

“Vivia com minha família nuca casa pobre, mas feliz, com meus pais e irmãos; era um menino claro de cabelos lisos e olhos escuros. O tempo foi passando e vi minha irmã grávida e depois tendo um menino pelo qual senti muito apego e amor,  Com 27 anos peguei um trem e fui pra S.Paulo atrás de emprego, mas me  sentia triste e preocupado com meus pais que iam ficar, sinto que sou necessário a eles, mas acho que  de lá vou poder ajudar melhor.

Vou trabalhar como pedreiro até os 42 anos, nessa idade acontece uma tragédia, caio de um prédio e depois que me recobrei descobri que não sentia mais meu corpo, fiquei tetraplégico. A sensação era terrível: impotência, incapacidade, tristeza…não tinha mais nada a fazer; as pessoas vinham me ver, mas não podia me mexer, só me lamentava. Nessa época tinha mulher e dois filhos morando numa casa simples, sentia vontade de morrer, pensava em me matar, mas como? Até que tive uma ideia: na cabeceira da minha cama ficava acesa uma vela, pensei em derruba-la na cama e me matar queimado. Fui em frente com meu plano, estiquei o pescoço o que deu e puxei o lençol sobre o qual a vela se mantinha e ela caiu na cama que começou a queimar, assim como meu corpo, começo a gritar!” — Nesse momento a voz de Marcelo sobe de tom e ele parece se desesperar, para em seguida se acalmar a continuar a história quando lhe pedi.

“Fico todo queimado, mas não morro, fico mais infeliz ainda, pois fico cego, a tristeza é imensa”— Lamenta — Depois disso fui jogado num asilo, para ser cuidado só pelas funcionárias, podia falar, mas sentia vergonha das pessoas cuidarem de mim e chorava de tristeza, amargurado. Nunca mais vi meus pais, me sentia arrependido de ter saído de perto deles,  não teria acontecido nada daquilo; minha esposa ia me visitar de vez em quando, muito entristecida.

Um dia, após algum tempo, minha irmã veio me visitar, estava alegre, pegou na minha mão e disse, entre lágrimas de alegria e rindo ,  que iria cuidar de mim a partir daquele dia. Me levou para sua casa, junto daquele sobrinho que gostava, e também queria me ajudar, senti muita felicidade. Vivi bem, até minha morte, aos 85 anos, estava com meu sobrinho, na casa dele, perto da morte, minha irmã jogue-fora_1353424920451já havia morrido de forma natural; ele chora e segura na minha mão e diz entre lágrimas que me ama. Morro naturalmente.

Vejo aquele corpo de fora, acabado, deformado, enrugado com o rosto desfigurado, sem olhos e com os membros retraídos me surpreendo ao me ver novamente com meu corpo jovem, com os movimentos recuperados, senti uma felicidade muito grande. Revi minha vida e pensei que apesar da  pobreza minha família era feliz. Decidi nascer de novo, receber o carinho de mãe, a atenção e felicidade da família e começar a ser feliz novamente”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS