terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Morrer em paz

C.L, 30 anos, era uma cliente que chegou à terapia muito perturbada com o fim de um namoro aonde se dizia extremamente apaixonada; se queixava de que sempre seus relacionamentos eram problemáticos. Muito ansiosa não sabia como administrar suas relações românticas e queria muito um compromisso. Possivelmente por isso seu inconsciente lhe trouxe lembranças de uma vida aonde pôde aprender sobre tudo isto e que tanto lhe ajudaram a ter alta mais à frente com suas angústias resolvidas. Vamos conhecer essas lembranças sua segunda regressão na transcrição a seguir:

“Eu era uma menininha pequena, lourinha, de bochechas vermelhas, vivia com meu pai, minha mãe havia morrido de tuberculose a algum tempo… era uma época de guerra, num lugar tipo um mercado, com várias pessoas vendendo,  mulheres de saias, homens de suspensórios, todos sujos e suados. Meu pai era escritor, escrevia enquanto uma criada cuidava de mim. Nós fomos expulsos de casa na guerra pelo exército, perdemos tudo, minha mãe era linda, branca de nariz fino, e dentes lindos, usava um chapéu de pano e um capuz cheio de babados, morávamos numa casa grande de dois andares. Um dia prenderam meu pai por causa das coisas que ele escrevia e eu fiquei só com aquela criada, vivendo num estábulo com outras criadas, passando frio e com muito medo. Com 14-15 anos fui trabalhar num cabaré, recebia homens em troca de moradia, mas queria uma família, alguém que me protegesse.

Um dos homens que ia lá me convidou para trabalhar na lavoura, colhendo laranjas, estava com uns vinte anos na época. Fui e fiquei morando com a família dele, cuidando dos seus filhos. Acho que a mulher dele sabia de tudo, mas cuidava de mim assim mesmo, eu gostava dela. Ficamos vivendo assim até que ela ficou tuberculosa, todos morriam assim…eu cuidei dela até ela morrer. Fiquei muito mal quando ela se foi, não queria ficar sem ela. Depois disso passei a cuidar dos filhos dele e fiquei com ele, nós nos gostávamos demais. Tivemos um filho, uma menina, eu era feliz agora, tinha uma família grande.

O tempo passou e os filhos dele cresceram, um se formou, é médico, penso que tenho tudo e sou feliz. Alguns anos depois minha filha se casou e meu marido morreu também, de tuberculose, eu estava com uns 45 anos. Fiquei aliviada porque ele parou de sofrer e meu dever estava cumprido, cuidei  de todos. Fiquei morando com minha filha até a velhice. Morava no campo, minha morte foi em paz, em casa, sentada numa cadeira de balanço. Estava olhando o pôr do sol na varanda, enquanto o sol se punha no horizonte sentia sua luz amarelada tocar meu rosto, ainda parecia uma menininha apesar de já passar dos cem anos, de nariz arrebitado, os cabelos brancos num coque, magra. Fechei os olhos e morri, parecia que estava dormindo.

Por-do-sol

Depois que meu espírito se libertou senti paz. alegria e sentimento de dever cumprido, me doei muito e isso me fez muito bem. Pensei que eu não precisava desejar as coisas elas iam vir da maneira certa, da forma que eu queria”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS