sexta-feira, 22 set 2017
Administração

O sofrimento do guerreiro

J.F era já uma senhora aposentada de 61 anos que tinha uma relação problemática com os filhos, se sentia desprezada e desrespeitada por eles. Divorciada a 20 anos padecia também de solidão e sentimento de rejeição por nunca mais ter arranjado ninguém. Muito pessimista e controladora de tudo reclamava, achando sempre que era vítima das circunstâncias e das pessoas que haviam lhe tirado tudo, sem nunca assumir o protagonismo de sua vida. Essa foi sua 16a regressão e nela foi possível vislumbrar que seu inconsciente estava lhe ensinando sobre como ser feliz e o real valor das coisas, mas infelizmente abandonou a terapia antes do seu término apesar da boa evolução. Vou dividir com vocês esse aprendizado e dar voz a alguém que a muitos séculos viveu dificuldades e frustrações que lhe marcaram até a morte, frutos de seus valores equivocados.

“Era um guerreiro forte, moreno, de cabelos pretos enrolados, vestido de couro, para guerrear, tipo medieval, de uns quarenta anos de idade. Me sentia vibrante e eufórico, pensando em ganhar uma luta; estava com uma tropa de cavaleiros vestidos como ele” — Contou, assumindo sua personagem logo em seguida — “Depois que vencemos fomos festejar numa taberna, a sensação era de alegria e otimismo”.

Pedi-lhe para deixar o tempo passar e ver como a sua vida ficou, ao que J.F respondeu: “Vejo uma mulher e uma criança, é minha esposa e filho passeando comigo, foi logo depois daquela guerra. Tem alguém lá que é a autoridade do lugar e manda me chamar depois de um tempo para trabalhar direto com ele, me  senti feliz e lisonjeado com a nova posição. Mas aquela ‘autoridade’ queria que eu fizesse maldades como prejudicar pessoas e matar; como me recusei fui preso, pensava arrependido que nunca deveria ter aceitado esse posto” — Falava  amargurado a personagem pela voz de J.F.

“Depois de cinco anos sendo maltratado e surrado consegui fugir e mepastor esconder num vilarejo; lá fiquei vivendo como pastor de ovelhas até a velhice, morando numa casa humilde. Arranjei uma nova mulher e com ela tive um filho, mas não esquecia minha outra família da qual nunca mais tive lembranças. Ficava noites pensando, me sentindo sozinho e me perguntando porque minha vida estava assim. Me sentia muito arrependido por ter lutado por nada e ver que o sonho de ser grande tinha acabado. Resolvi que tinha que deixar as lembranças para trás, tinha de seguir em frente, cuidar de minha nova família e de minha casa, apesar de nunca esquecer a outra; queria estar com os dois juntos”.

J.F suspirou, parecendo se preparar para o fim da história, que provoquei, perguntando como havia terminado sua vida ali: “Morri com mais ou menos 70 anos, ainda estava forte. Depois da morte meu espírito pensou que não deveria ter querido a glória da batalha…teria sido mais feliz se tivesse ficado no anonimato, nada do que fiz valeu a pena. Cheguei onde queria, mas não fui feliz. A felicidade é conseguida com poucas coisas e não com as grandes, mas meu espírito se sentiu grato por não ter se submetido à maldade”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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