quarta-feira, 22 nov 2017
Administração

Morte na selva

L. C era médica e veio ao tratamento em 2003 muito mal, cheia de problemas domésticos e profissionais, mas findou evoluindo muito bem e teve alta após seis meses de tratamento. Entre as coisas que viu e aprendeu está a regressão que transcrevo a seguir, que lhe ajudou muito em sua terapia, principalmente no sentido de entender a felicidade, vamos a ela:

“É noite…vejo uma clareira numa floresta ao ar livre, com tochas por perto e pessoas negras dançando e cantando num círculo, batendo tambor, como se fosse num ritual, invocando e pedindo a proteção de um Deus. Eu sou uma dessas pessoas, um homem descalço, com uma roupa rústica, curta, de uns vinte anos, de cabelo raspado, alto e forte. Estou em transe…a música — Falou calmamente, vendo outra cena —  “Me vejo numa cabana de palha e troncos amarrados, na selva, pouco antes daquela cena, estou amolando um machadinho que vou usar bastante depois…me vem à mente um machado golpeando e o sangue caindo…eu fazendo um escalpe, minha tribo ganhou outra luta e matamos todos, à machadadas, arrancamos as cabeças. Depois de toda matança fazemos aquele rito, dentro da roda tem os escalpes para dar mais força. Minha mulher entrou na cabana enquanto eu pensava na carnificina, eu me sentia forte, o máximo, podia tudo, sou o guerreiro mais valente e o mais forte da tribo, me encho de orgulho” — Disse com soberba e segurança; deixamos o tempo avançar.

“Me vejo anos depois, já com uns trinta anos, me sentia imbatível, forte como uma montanha, estou andando na floresta caçando uma fera, alerta como um animal, fazia isso só para me auto afirmar. Estou atento, tenso, com uma lança napantera-negra-imagem mão, quero matar aquele bicho para mostrar na aldeia do que sou capaz”. Mas as coisas não aconteceram como ele queria, e, de repente, L.C soltou um grito, assustada falando: “O bicho pulou em cima de mim! Nossa! O bicho veio de cima e me estraçalhou, vou morrer!! Fiquei todo estraçalhado, moído… que decepção!…Me arrisquei em vão, só por orgulho

Depois dessa cena seu espírito teve vários insights dizendo com a voz amargurada de arrependimento: “ Pensei na minha mulher que estava grávida e não ia ter mais ninguém para cuidar dela e do meu filho…não precisava provar nada para ninguém, não me imaginava derrotado, meu sentimento foi de decepção e arrependimento. Achava que ia ser mais uma glória a se juntar com as outras, para que? A felicidade não é ficar provando as coisas para os outros, temos que viver nossa felicidadezinha no dia a dia, ela está na vida simples, na paz interior, na auto realização em pequenas coisas. É besteira correr atrás do reconhecimento dos outros, não vou mais correr atrás da ilusão da glória e do reconhecimento, de me sentir melhor do que os outros. Felicidade é ter paz, tenho que aprender isto, eu tinha a felicidade pertinho e não a via.

Ao retirar a venda, finalizando a regressão, L.C acentuou ainda mais seu aprendizado me dizendo: “ Simplicidade, paz e humildade, é tudo o que preciso para ser feliz”.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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