quarta-feira, 26 jul 2017
Administração

Loucura e morte

A loucura, como muitos chamam, pode ser desde uma doença crônica, como a esquizofrenia, até uma crise passageira, como um surto psicótico, pode também ser um processo mental e espiritual complexo que se origine insidiosamente, com influências espirituais obsessivas e findem transformando a vítima num ser onde a razão dá lugar a alucinações e delírios dos tipos mais absurdos. Este último parece ter sido o caso da personagem de S.R, minha cliente em 2007, cuja história veio numa regressão muito interessante, onde um rapaz simples, do campo, num acesso de fúria e desejo cometeu um crime bárbaro. Vejamos sua história. 

“Um rio grande, de águas claras, numa planície onde tem neve. Estou olhando para umas moças que estão sentadas, rindo, estamos num lugar campestre. Elas se vestem de vestidos longos, rodados, com rendas, usam chapéu e são bem jovens. Sou um jovem também, de uns vinte e oito anos, uso uma roupa simples de calça e casaco, tenho olhos e cabelos pretos, trabalhava para elas como um tipo de criado. Em minha mente passavam pensamentos de desejo por aquelas moças e vontade de ataca-las, sentia raiva delas, achava que elas me esnobavam. a-duquesa

Um dia aproveitei que estávamos sós e as ameacei com uma faca, as levei para o meio da mata e as amarrei numa árvore…tive relações sexuais com as duas, elas reagiam e gritavam, mas estávamos muito isolados e ninguém podia nos ouvir. Após ter me saciado das duas as matei e fugi dali. Eu era ruim…acho que era louco também. A culpa de ter feito aquilo logo me assaltou, parece que caí em mim e pude perceber o que tinha feito, mas já era tarde…me senti péssimo, com nojo de mim e raiva delas…se elas não tivessem me esnobado…elas também eram culpadas, me tratavam como inferior, riam de mim.

Passei uns meses fugindo e me escondendo no meio daquela mata, vivia num lugar sujo, estava um lixo, parecia mais um bicho, não sabia o que era mais nada. Um dia, a família daquelas moças me pegou, me prenderam e passaram a me maltratar muito, sentia raiva e nojo de mim ainda. Fiquei assim muito tempo, não era mais humano…era um bicho. Meu pai não quis mais saber de mim, só minha mãe chorava e chorava. Morri daquele jeito, de tantos maus tratos …meu corpo ficou ali, maltrapilho e todo ferido. Depois da morte, senti decepção comigo mesmo, raiva e desprezo… pela diferença social, não tirava da minha cabeça o riso de deboche delas, ainda achava que tinha sido usado, maltratado até meu limite.

Decidi, a partir dali, para as vidas que viessem, não me expor mais, não queria mais ser tratado daquela maneira, não ia mais deixar as pessoas ficarem me humilhando. Mas a tristeza de ter deixado aquilo acontecer ainda me atormentava, achava que tinha deixado alguém destruir minha vida criando ilusões. Na minha cabeça o amor virou ódio e vingança… a culpa foi delas”.

Delírios de um sociopata, que via a realidade distorcida por sua doença e que foi capaz de uma ato extremamente cruel, possivelmente influenciado por obsessões internas e externas que incutiram em sua mente que servir era humilhante, e alimentaram seus delírios que, ao fim, serviram apenas de desculpa para que aquele ser saciasse seus impulsos animalescos. Minha cliente hoje não tem mais nenhum resquício daquele louco delirante que foi um dia, calma e resignada, tem uma inteligência e lucidez acima da média, mas com certeza as lições que aprendeu com aquela vida lhe ajudaram, em muito, a superar seus próprios traumas na vida de hoje.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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