domingo, 23 abr 2017
Administração

Violentada

De início o contexto dessa regressão não ficou muito claro para mim, dentro do processo terapêutico de S.R em 2004, algo ali parecia sem sentido; somente com o passar de muito tempo pude entender as motivações de seu inconsciente em nos trazer esta história: Ela sofria de crises relativamente frequentes de melancolia, durante as quais a vida parecia perder o sentido e nada no mundo valia a pena ser vivido. Nessa regressão ficaram marcadas lições que, de certeza, contribuíram para a fixação de “programas” mentais passados que lhe estimulavam as tais crises hoje. Acompanhem comigo.

“Sou uma criança, uma menininha de oito ou nove anos, morena de olhos e cabelos pretos brincando, sorrindo, alegre, a vida era só brincadeira. Morava com meus pais e um irmão mais velho numa casa simples, perto da praia, onde corria uma brisa gostosa. Ia tudo bem até chegar meu pai…não gosto dele, sinto medo dele…não gosto do jeito que ele me pega…me acaricia, sinto medo…ele é rude; fica rindo pra mim. Quero minha mãe e ela não chega…Depois de um tempo ele começa a me ameaçar, dizia que ia me bater se eu falasse, sinto nojo e raiva…

Um dia ele estava tendo relações comigo, tinha bebido e meu irmão viu, eu tinha 12 anos, sentia muito medo…pensava na minha mãe, queria ela. Meu irmão começou a brigar com ele, alguém pegou uma garrafa e meu pai foi ferido… morreu. Quando minha mãe chega e vê aquilo sofre e chora , ela gostava muito dele…eu não tinha mais forças…pedi pro meu irmão falar pra ela. Depois disso ela ficou muito triste e adoeceu e meu irmão foi embora, eu senti muita culpa e raiva. Eu era bonita…por isso meu pai mexia comigo. Senti muita tristeza de ver minha mãe triste, me sentia suja porque ele me tocava.

Quando eu estava com vinte e poucos anos ela morreu, a gente mal se falava…ela me olhava com raiva…me sentia culpada…eu amava ela. Depois que ela morreu fiquei só naquela casa, sentia medo de tudo. images (5)

Um dia estava sozinha dentro de casa, estava com 30 anos, me sentindo muito triste, com vontade de não viver mais…de morrer, findei me enforcando. Vi meu corpo depois da morte pendurado, branca…desfalecida. Senti muita tristeza e angústia, fiquei com pena de mim mesma…pensei que minha vida foi inútil, acho que vivi só para atrapalhar minha mãe, não me achava normal, se não tivesse vivido ela seria feliz…

Sentia raiva do meu pai e de mim mesma, podia ter sido um homem não uma mulher…pensava no meu irmão, que ele tinha raiva de mim. Me sentia culpada por toda aquela situação; eu só atrapalhei…só queria poder agora encontrar minha mãe para pedir perdão a ela”.

Somente depois de alguma conversa podemos entender que os traumas e dores daquela criança ficaram marcados na sua alma até o dia de hoje, aflorando vez ou outra na forma daquela melancolia indescritível, com sentimentos que não correspondiam à sua vida atual. Isso contribuiu muito com suas melhoras.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS