terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Perseguida

S.R era médica muito competente na sua área, mas como cliente era muito resistente, corria o ano de 2006 e ela vinha avançando a passos muito lentos na terapia. Estava sofrendo nos últimos tempos de dor numa de suas articulações coxo-femural, era uma dor resistente à analgésicos, mesmo os mais potentes. De nada adiantava ter procurado tratamento com especialistas em ótimos centros médicos como São Paulo, pois nenhum havia lhe dado solução, apenas pequenas melhoras. Foi após as duas regressões que lhes relato a seguir que terminou seu sofrimento com aquela dor específica, por isso, e pela forma curiosa como foi a gênese do problema vale seu relato aqui, nesta área do blog que trata justamente de como influências de outras pessoas, e outros planos, podem nos afetar dolorosamente. A primeira regressão aconteceu normalmente onde ela lembrou dos seguintes fatos:

“Vejo um homem, ele está procurando algo na mata, perto do mar, meio curvado…está só de tanga, tem cabelo e barbas pretos e longos, seus olhos são negros também, tem uns 25 anos.  Eu estou perdida…estava viajando e meu navio naufragou…consegui chegar até esse lugar; estou me escondendo do selvagem, ele está me procurando porque sou diferente, sinto muito medo. Sou uma jovem de 22 anos, branca, magra, de cabelos quase loiros , de olhos claros e chapéu de abas jogos-indígenascurtas, uso um vestido azul claro. Penso em fugir, mas antes que consiga ele joga uma lança em mim e me fere…sinto dor…me atingiu na bacia…depois de me achar me joga no chão , é selvagem…me arrasta dali pelos cabelos, a cabeça dói…sinto medo, penso no meu pai, então ele arranca a lança e fica me olhando curioso por um tempo . Ele fala, mas eu não entendo, mas dá pra ver que ele não está com raiva, eu estou muito assustada, penso no que ele vai fazer. Então ele me leva mais para dentro daquelas terras, num lugar que tem cabanas e outras pessoas iguais a ele, selvagens, sinto muito medo.

Aquelas pessoas me tratam, põe folhas na minha perna que sangra e amarram; me deixam deitada descansando. O tempo passa e eles ainda cuidam de mim, mas sinto muita dor onde fui ferida — Enquanto falava, expressando seu medo, notou que uma daquelas mulheres parecia ter algo diferente e isso se confirmou logo a seguir: “Tem uma mulher que não gosta de mim, ela tem ciúmes, minha perna piorava a cada dia, sentia tristeza e desânimo, o selvagem cuidava de mim com carinho, ele pode fazer o que quiser — Disse isso parecendo notar que ele era o líder daquele povo — “Mas ainda sinto medo. Aquela mulher me maltrata, põe uma coisa que queima na ferida, sinto medo dela, ela quer me matar, não consigo andar, quero correr e não posso… a dor só piora. Eles chegam e veem o que ela fez, a amarram e levam embora, ela ficou com mais raiva ainda, e eu…eu comecei a gostar dele, é carinhoso e cuida de mim.

Se passaram três anos, estou andando naquele lugar, com a perna dura, aquela mulher ainda tem raiva de mim, pensava na minha vida, no meu pai, sinto saudades. Passei a viver com o selvagem, ora com medo, ora feliz. Até que um dia a mulher me apunhalou na barriga, acabou comigo, eu morri…com expressão de dor — Depois desse relato ela começou a falar de quando seu espírito já estava em outro plano, e ainda lá era perseguida — “Mesmo depois de morta minha ferida não cicatrizava. Ela me culpava, seu espírito não saia de perto de mim, eu queria fugir, me esconder dela, sentia muito medo!!”

Na regressão que fizemos logo a seguir assim que começamos S.R sentiu como se fosse um “capacete de tortura de metal” na cabeça lhe dando uma “dormência” e disse-me que isso estava ocorrendo para que não visse algo. Nestas situações, onde ocorre uma nítida interferência externa na regressão, costumo logo checar se é uma “presença” do passado junto ao paciente, e não deu outra, perguntei a S.R quem estava fazendo isso com ela e ela me descreveu a pessoa: “É uma mulher, de cabelos pretos lisos, nua, de peitos moles, só de tanga, está com uma fita na cabeça e tem entre 20 e 30 anos, com um olhar de raiva pra mim”.

indiasNessas condições nunca a “visita” do passado está entrando em contato com o cliente inutilmente, sempre há alguma pendência que ficou para trás, e foi o que descobrimos rapidamente ao lhe perguntar o que tinha havido entre elas: “Ela não gosta de mim por causa de um homem que nós duas gostamos naquela ilha, sou intrusa naquele lugar”. Imediatamente me dei conta que aquela índia que lhe perseguiu na última regressão, e que inclusive depois da morte continuou a perturba-la, ainda não havia desistido de seu intento. Estimulei S.R a se entender com ela perguntando o que ela podia dizer a ela agora que tudo havia passado, S.R confirmou: “Não tenho culpa, eu não sabia que era ele’ — Falava como se já o conhecesse do passado — “mas, não adianta, ela diz que eu sabia, que ele era o mesmo homem de outra vida, onde nós nos apaixonamos…”. Nesse momento percebi que aquelas relações cármicas iam mais longe ainda, e quis saber o resto da história pedindo a S.R que me contasse.

“Me vejo jovem, uns 18 anos, tocando piano numa sala cheia, de roupa longa e corpete, cabelos encaracolados. Ele estava lá também, com mais ou menos 40 anos, elegante, me elogiou, era amigo de meu pai, era casado e estava se mudando para nossa cidade. Passou a ir sempre com a mulher dele em casa nos visitar, me galanteava o tempo todo, eu gostava, mas tinha medo de me envolver. Notava que a mulher dele percebia e não gostava, eu nunca havia gostado de ninguém, era uma criança, ele acariciava meus cabelos e dizia que eu era como uma filha para ele.

Durante uma festa eu estava no quarto ele entrou e começou e me acariciar, estava bêbado e não resisti, acabei cedendo, depois fiquei apaixonada, mas me sentia culpada, ficamos nos encontrando às escondidas até que ela nos pegou, gritou, ficou com raiva, me chamou de vagabunda. Pegou uma faca pra me matar e enfiou em mim, mas para me defender ele tentou segurar…e a faca entrou nele também, ele morreu e eu fui pro hospital, depois disso minha família me renegou, comecei a tocar nos cabarés” —Terminou sua reflexão de forma muito triste — “Destruí a vida de nós três, desonrei minha família…ela ficou na prisão até morrer, ainda com ódio de mim. Minha vida foi triste, tocando nos cabarés, acabei morrendo doente antes dos 40 anos, sozinha, me sentindo culpada e culpando ele, mas apesar disso ainda sentia saudade”.

Notando o sofrimento com que  terminou aquela vida percebi uma chance de redenção do passado de S.R e pedi-lhe que dissesse algo aquela que à tanto tempo lhe perseguia, e elas começaram uma discussão entre duas pessoas em planos diferentes que tinha somente a mim de testemunha : “Eu não tive culpa…gostava dele, meu coração me dominava! Ela diz que eu tive culpa sim…pedi que me perdoasse, não tenho raiva dela, mas ela diz que é mentira…eu devia ter evitado…”— Após alguns segundos a personagem de nossa cliente mudou a conversa — “Eu sei que tive culpa em ceder, queria que ela pudesse me perdoar, ela está de cabeça baixa e chora, mas não entende… Fica assim até que chega um homem e a leva, acho que ela não está mais com raiva, o ódio no olhar dela está diferente, alguém a abraça e a cobre e ela se vai. Estou tranquila”.

A dor que S.R sentia era na área aonde naquela existência anterior foi ferida e estava, até os dias atuais, sendo reativada por aquela “presença” do passado. Ao se entender com ela e cessar aquela perseguição cessaram também as dores e ela pode suspender o uso dos analgésicos que estava tomando, passando dali para a frente a tentar resolver problemas de outra ordem.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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