terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Vítima do abandono

Marcelo chegou em 2004, desorientado, seu casamento tinha acabado de acabar e já estava começando um novo relacionamento, cheio de dúvidas porque a nova parceira tinha um “passado”.  Dizia se achar muito mais do que os outros por isso não aceitava o passado de sua parceira.Teve vários casos extraconjugais em conquistas que considerava troféus, mas reclamava que nunca encontrara uma parceira que lhe realizasse. Estava sofrendo com insônia e angústia e me chamou a atenção que desejava da vida tudo com muita rapidez. Foi nessas condições que iniciamos suas regressões, infelizmente desistiu da terapia pouco depois dessa sessão, vou reconta-la transcrevendo suas próprias palavras para que vocês tirem suas próprias conclusões.

“A cadeira está girando…acho que é um espírito…não sei.. parecem mais de um…tem um que segura meus braços, nos punhos tem algo como cipós enrolados..não vejo bem”.

Após esse início foi fácil perceber que tinha mais alguém presente na sessão, interferindo na regressão, ao lhe perguntar quem era aquela pessoa ele disse tratar-se de uma mulher. Nesse momento recordações começaram a vir espontaneamente à sua memória: “Vejo uma mulher clara de braços finos e cabelos e olhos claros também, alta, usa um vestido de mangas compridas, colorido. Tem um olhar tranquilo e seus olhos brilham…de tristeza”. Fiquei curioso e perguntei-lhe o que foi que havia acontecido entre ele e aquela mulher de quem estava lembrando, ele me contou então a seguinte estória: “Vingança…ela era minha mulher vivíamos numa casa de campo pequena e simples, cheia de verde em volta com galinhas, porcos, carneiros. Também tinha uma criança, uma menina de uns três anos, vejo ela  brincando na frente da casa, era minha filha, fazia um dia belo e claro . Eu era o caseiro daquele lugar, tinha uns 35 anos, mas estava envelhecido, baixo, forte de cabelos enrolados e olhos escuros, minha tarefa era cuidar daquele dali.

Era uma pessoa simples, mas me sentia feliz, livre, tinha amplos horizontes, mas não sei o que aconteceu, de repente eu me revoltei…queria ser livre, conhecer outras mulheres, passei a me sentir triste, como um pássaro enjaulado. Comecei a beber e bater muito na minha mulher, tinha muita raiva, ela só ficava acuada num canto e chorava muito. Um dia fui embora, a abandonei, ela ficou lá, cuidando da criança e de tudo, sozinha…ficou muito, muito triste; terminou aquela vida sozinha. A filha casou, teve filhos e cuidou dela até a morte. Percebo agora que minha filha passou a vida com muita raiva de mim, sempre que eu tentava me reaproximar ela me expulsava, isso me deixava entristecido’’– Falou tristemente.

Esclarecido o que havia acontecido com o meu cliente naquela vida procurei ajuda-lo a que se reconciliasse com aquela “visita do passado”. Minha primeira surpresa foidownload (1) quando lhe perguntei quem era esta que queria tanto a desforra – estava convicto de que era sua esposa abandonada – sua resposta foi, para mim, inesperada: “Era minha filha; será porque eu abandonei a mãe dela?” – se perguntava, e ao mesmo tempo respondia: “Eu era imaturo, achava a vida lenta” .

Perguntei-lhe o que precisava ser feito e ele, caindo em si, respondeu: “Preciso pedir-lhe perdão, mas ela não quer me deixar, está chorando , diz que não vai me perdoar, que quer me ver morto”.

Vendo que a mulher não ia desistir de sua vingança, perguntei do cliente se ele conseguia perceber mais alguém no ambiente que pudesse ajuda-la, ele rapidamente me disse que havia sim, estava lá também aquela que havia sido sua mãe naquela vida. Nesse momento ele me descreveu a cena que estava presenciando: “Ela abraça a filha e tenta levanta-la, ela está agachada no chão, chorando. A mãe insiste mais um pouco e lhe pede que vá com ela até que finalmente consegue, e vai, levando embora a filha também e desaparecerem”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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