terça-feira, 23 mai 2017
Administração

O cavaleiro atormentado

M.F veio à terapia em 2003 com sintomas de agorafobia e síndrome do pânico, também se encontrava depressiva e melancólica, cheia de problemas de relacionamento e intuições negativas, estava realmente necessitada de ajuda. Essa foi a sua sétima regressão e como verão, deveras interessante.

Normalmente temos uma visão romântica dos cavaleiros medievais, a imagem que sempre nos venderam foi a de nobres homens com propósitos elevados com uma conduta moral das mais ilibadas, incapazes de fazer o mal por seus severos códigos de conduta, mas não foi bem assim, esses cavaleiros tinham senhores e estavam a serviço de diversos propósitos, como poderemos conferir nessa regressão ao século 15.

“Vejo uma luz se movimentando…é como se fosse um lampião à noite. Estou em uma casa luxuosa com lustres de cristal, o chão é todo desenhado e nas paredes tem grandes cortinas. Fora existe também um jardim, com caminhos, por onde as pessoas passeiam. Está tendo uma festa com gente elegante que usam roupas longas, casacões, capas, vestidos longos, estamos no século XV. Sou jovem ainda, um rapaz de uns 16 anos, filho de alguémmedievais-batalhas da nobreza, estamos todos ansiosos aguardando alguém importante, um rei. Penso em como as pessoas são interesseiras e fúteis, apesar de sentir uma certa inveja de toda aquela pompa e reverência, não gosto de estar aqui”.

O tempo passou e a personagem de nossa regressão,  o rapaz, já contava com uns 20 e poucos anos, estava num campo aberto, treinando com alguns cavaleiros, usando uma armadura: “Vejo chegar uma pequena tropa a cavalo, mandando todos entrarem em forma. Estamos indo até uma cidade próxima, em busca de valores, ouro, tínhamos que recolher impostos. As pessoas não gostam de nós, eu achava que elas tinham razão, mas tinha que ser leal aos meus. Minha vida a partir dali foi assim, de invasões, lutas e brigas; matávamos, machucávamos e púnhamos fogo em casas de gente comum. Era uma batalha desigual, contra pessoas comuns, sem armas, eu sentia raiva de fazer aquilo, não queria fazer aquelas coisas, via as pessoas chorando e gritando, mas era impotente. Foram muitas batalhas” – Contava isso com uma voz entristecida.

“Bem mais tarde me vejo mais velho, com uns 60 anos, de cabelos brancos, estou num jardim de árvores altas, com várias pessoas e crianças, é uma “festa da colheita”. Fico pensando que foram pessoas como essas que eu matei, me sinto triste e com muito remorso, tenho raiva de mim mesmo, por não ter tomado outra decisão. Foi muita estupidez, matei pessoas, fiz guerras que não foram as minhas, e no fim não tinha família nem conseguia mais amar. Pensei que foi uma grande besteira ter invejado o rei um dia, ali sim tinham pessoas felizes, alegres, naquela festa do rei não havia alegria assim. Me senti um covarde…”

O tempo foi passando para nosso cavaleiro que terminou sua estória assim:

“Pouco tempo depois estava naquele jardim, sentado embaixo de uma árvore, senti uma grande dor de cabeça e foi o fim, morri ali mesmo, tranquilo, envelhecido, magro, com os cabelos brancos presos. Senti felicidade depois que me despedi daquele corpo, por ter morrido embaixo daquela árvore que eu mesmo havia plantado, isso me deu conforto e alívio da dor que sentia no peito, daquela vida triste e sofrida; ficou apenas uma sensação de inutilidade. Mas tinha gente me esperando, com uma mulher à frente, para me acompanhar até um lugar parecido com esse jardim, mais tranquilo. Meus últimos pensamentos foram que não adianta lutar por aquilo em que não se acredita, se tivesse feito isso não teria feito tanta gente sofrer, dali pra frente iria ter mais coragem”.


2 Comentários

  1. Renato,Vc foi segundo o que vi…Cavaleiro… Isto!!! Hehe

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  2. Renato,Bc foi segundo o que vi…Cavaleiro… Isto!!! Hehe

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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