sábado, 21 out 2017
Administração

Atacando com a Inglaterra

Seu nome era Cristinal, com apenas 22 anos já era oficial nas armadas navais da Inglaterra no século XIX e servia de auxiliar de ordens à um alto lorde inglês. Naquela época vestiam-se de blazers, o lorde usava uma peruca aloirada, de cachos meio enrolados e uma calça curta, cor de marfim. Era louro, branco e de olhos azuis, como a maioria dos europeus naquela época, e andava armado com uma espada. Estavam se preparando para ir à guerra reunidos com outros homens num lugar que era uma fazenda com palmeiras e árvores centenárias, jardins e um belo lago que ficava logo na sua entrada. Tinham muitos negros trabalhando e cuidando de tudo.

Essa foi a primeira regressão de R. R, no ano de 2005, rapaz jovem, universitário, com perfil de psicopata, ainda num grau leve, cheio de problemas de relacionamento por sua personalidade raivosa e complicada; não aceitava contrariedades e só queria saber de satisfazer seus desejos, sendo mulherengo e irresponsável. Após estudar os fatos que me contou localizei seu personagem na época das Guerras Napoleônicas, apesar dele ter me dado uma data que se afastava daqueles conflitos, 1872. Mas as circunstâncias históricas que me relatou não me permitiram pensar em outra situação, tanto pelos países envolvidos, França e Inglaterra, como pelo poderio naval usado intensamente nas batalhas e até pelo tempo que durou o conflito, muito parecido com o tempo em que aquele personagem viveu a guerra, mais ou menos 19 anos.

Seguindo seu relato se viu preparando-se para a guerra, com um sentimento de medo muito grande, uma sensação de vazio e solidão como se estivesse se despedindo do mundo. Uma tristeza profunda lhe pesou no coração, ao pensar que teria de matar.DF0 Fez-lhe amargurado também o fato de ter que ir deixando para trás a mulher de quem gostava, mas sem saída foi em frente. Eis seu relato:

“Estou entrando num navio da Inglaterra, faz muito frio, sou o comandante deste navio, ele fazia parte de uma força com vários outros, bem armados. Pude notar que as pessoas estavam apavoradas, eu mesmo me sentia com muito medo, mas procurei não demonstrar. Nos dirigimos à uma ilha onde havia um forte, levávamos mulheres e crianças. Encontrei com o lorde que eu servia, ele me recebeu num abraço caloroso e fomos conversar sobre um ataque à França. Ficamos naquela ilha por quase três anos, atacávamos, matávamos, conseguimos tomar outro forte, mas a felicidade da vitória se misturava ao medo e à tristeza que sentia o tempo inteiro. Após essas vitórias voltei para casa, foram 120 dias de viagem, na chegada fui condecorado, já estava com 29 anos.

Fiquei em paz até meus 33 anos, vivia numa casa confortável, ia me casar em breve e estava muito feliz com isso, minha escolhida era aquela mulher com quem já me relacionava antes de ir para a guerra. Me vejo pouco depois no meu casamento, numa igreja cheia de flores, sinto seu perfume doce; minha noiva era alta e bela, com os olhos verdes, sua pele branca contrastava com o negro de seus cabelos. Eu só pensava em ser feliz. Logo pude perceber minha vida seis anos à frente, já tinha cinco filhos e vivia muito feliz cuidando apenas da educação deles, até que depois de três anos tudo mudou, chegam vários homens a cavalo, um deles me entrega um convite para ir ao forte, me arrumei e fui. Lá soube que tinha sido convocado para a guerra novamente, isso foi um choque! Senti medo e raiva, ódio por ter que enfrentar aquela situação de novo; me deu vontade de matar! Mas não havia jeito.

battle_of_trafalgarMe deram um navio e um pelotão de 1000 homens. Recomeçamos a matança…quanto mais matava mais vontade tinha, sentia felicidade em matar; fomos muito temidos até que tomei um tiro na perna e perdemos a maioria de nossos homens, voltei para o forte com apenas 200. Cada vez que pensava na minha família me dava mais ódio. Ficamos seis anos lá, o tempo da guerra, matei muita gente. Quando voltei minha esposa tinha falecido já a três anos e meus filhos ficaram com uma tia. Minha vida ficou um lixo, desestruturada, só sentia solidão e tristeza, desprezo pela minha terra. Queria voltar para a guerra, estava tomado pela vontade de matar, quando matava minha raiva e ódio diminuíam. Matei muito até ser ferido num dos combates e morrer, com três tiros e um buraco grande no peito. Mesmo depois da morte minha vontade de matar para me vingar do mundo não cessou. Sentia falta de amor, dos filhos, da mulher, de tudo, minha felicidade foi muito pouca”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS