quinta-feira, 21 set 2017
Administração

Na Primeira Grande Guerra

A.M chegou à terapia inicialmente em 2009, com 38 anos, já diagnosticado com transtorno do humor bipolar. Se achando intolerante, autoritário e impaciente estava tendo muitos problemas conjugais. Fez terapia até chegar o dia da primeira regressão e, como muitos que não querem enfrentar seus problemas, teve resistências enormes e findou abandonando a terapia. Voltou em 2014, do mesmo jeito, mas disposto a melhorar. Essa é sua primeira regressão de sua segunda fase na terapia, e foi muito interessante por seus dados históricos, por isso está aqui. Vou conta-la da melhor forma que puder, com algumas liberdades na escrita do texto para facilitar o entendimento.

“Estou na Alemanha, é 1913, tem muita fumaça aqui, é como se fosse um front de batalha à noite. Vejo muitas luzes no ar, tipo sinalizadores e a luz de obuses disparando, vejo também homens com capacetes nazistas, eram alemães, estávamos na Áustria. Sou um homem de 32 anos, alemão também, branco, alto, era encarregado de jogar gás Sarin para dizimar civis da Polônia, e também húngaros e austríacos. O gás estava dentro de um caminhão, Não sinto nenhuma emoção ao fazer isso, era só mais uma missão, seguia o lema que meus superiores usavam: “Sem pena, nem piedade”.gás 1

Nota: O uso de gases venenosos em conflitos iniciou-se aproximadamente na segunda década de século XX, inicialmente com gases menos letais como o lacrimogênio, evoluindo posteriormente para o clorídrico e mostarda, depois, às vésperas da Segunda Guerra, com o Sarin e o Zyclon B, este último escolhido para ser usado nas famigeradas câmaras de gás que vitimaram milhões de judeus inocentes. Mais de 90 mil soldados foram mortos com gases tóxicos nos fronts da Primeira Guerra Mundial, como ilustra a foto a esquerda; no total, cerca de 1 milhão foram intoxicados. Historicamente os alemães foram os primeiros a recorrer a essa arma de destruição em massa, numa batalha na Bélgica em abril de 1915. A  Primeira Grande Guerra começou oficialmente em Junho de 1914, mas foi precedida por outros conflitos em menor escala pelo continente europeu, por isso o relato de A.M talvez se refira a confrontos em 1913. 

“Lutei em várias batalhas e em uma oportunidade estava fazendo o reconhecimento de terreno quando saiu uma mulher de trás de um monte de pedras, estava escondida, desarmada, eu a matei ali mesmo,com um golpe no pescoço de minha baioneta, foi mais um “serviço cumprido”, ela era uma líder que inflamava a massa”.primeira guerra

Continuando sua regressão  A.M, adiantando-se no tempo, relatou: “O tempo passou entre honras e glórias, até que morri idoso num país não parecia a Alemanha, me veio à cabeça aquela história dos alemães que moravam fora do seu país. Estava vendo meus netos, numa cadeira de balanço, tive um certo “incômodo na cabeça” , ” Um aneurisma?” — Se perguntou — Esperou alguns segundos e disse: “…Que me matou. Depois da morte pensei nos meus compromissos cármicos, senti tristeza e solidão, não se deve fazer o que fiz, me dá um gosto de fel. Decidi reencarnar com a missão de ajudar as pessoas, usar a palavra bem empregada em benefício da coletividade, ser solidário, mas não na morte”.


2 Comentários

  1. nazista em 1913???tem algo errado ai

    1. Também achei muito estranho frente aos fatos históricos que conhecemos, mas não vou tentar impor meus conceitos ao que o inconsciente do paciente está trazendo está nos trazendo. Fico numa posição mais humilde de que não sei tudo sobre o que tem acontecido em nossa civilização.Abs

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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