terça-feira, 23 mai 2017
Administração

Lutar por nada

L.F foi uma paciente jovem e sonhadora, chegou em 2005 com queixas de que não conseguia entabular nenhum relacionamento mais sério; era obcecada por casar e sentia que isso atrapalhava tudo, não entendia o real sentido do amor, fantasiando muito com o que seria uma união romântica. Foi aí que se deu a seguinte regressão, com lições muito belas sobre o amar  e ser amado; vamos aprender um pouco também.

“Uma guerra, ouço tiros, sou um homem com roupa militar, capacete verde escuro e espingarda que dá um tiro por vez, tenho 30 anos e estou numa trincheira ao final da tarde. É uma região quente, tipo savana, tem várias pessoas atirando…é um lixo, quero ir embora, ficar com minha família, mas não posso, tenho obrigação de ficar. Não vejo razão para a guerra, nada faz sentido pra mim, era algo relacionado à colonização, eu era inglês e sentia revolta com os chineses idiotas”.Guerra do Ópio1

Ao preguntar sobre seu passado e como foi parar ali descobri que vinha de uma família de militares e que já havia viajado em várias missões e que antes dessa havia estado na Tailândia onde conheceu uma moça por quem se apaixonou. Casaram e tiveram dois filhos gêmeos, vivendo muito felizes até quando foi convocado para aquela guerra, teve que ir, mas se sentindo muito revoltado e triste por deixar sua esposa. Essa pareceu ser a Guerra do ópio, entre a Inglaterra e a China, que ocorreu no século 19, onde o uso do mosquete, arma de cano longo e apenas um tipo, foi bastante comum. O sofrimento do soldado durou três anos, lá matou e viu morrer vários de seus subordinados, mas só pensava na esposa que havia ficado. Perdeu por fim um perna e ficou muito tempo em hospitais, se sentindo um fracassado, pensava em como ia fazer agora para trabalhar e como ia ser sua volta para casa. Aí vai seu relato:

“Só depois de alguns meses numa cadeira de rodas voltei para casa, meus filhos estavam com seis anos, mas minha mulher tinha outro homem, um tailandês; ela mostrou muita raiva de mim, dizia-se revoltada por eu ter ido embora. Aquilo me arrasou, me senti completamente sozinho, impotente e incapaz. Voltei para a Inglaterra só para assistir minha mãe morrer de tuberculose.  Me sentia culpado por tudo, estraguei a vida de todos para seguir a carreira de meu pai, mas ao final perdi tudo e estava sozinho no mundo. Fiquei vagando por uns cinco anos até que findei me mudando para a América, acho que para tentar recomeçar e reconstruir minha vida.

Lá montei uma pequena mercearia numa cidadezinha campestre, havia uma mulher que cuidava de mim e com quem findei passando a viver. Ainda lembrava da minha ex-mulher e dos meus filhos, mas finalmente fiquei em paz e deixei todos aqueles cadáveres para trás. Parecia que vivi ali a vida inteira; não queria mais nada, só viver naquela casinha, em paz. Adotamos uma criança e vivemos bem até minha morte, com uns 82 anos, de tuberculose”. 

Mesmo depois da morte o sofrimento de nosso soldado não se findou, ele ainda carregava dentro de si as culpas e remorsos pelo que julgava ter feito, e num lugar que alguns chamam de Umbral ainda teve mais algumas lições importantes ao seu espírito:

“Logo depois da morte fui capturado por uma sombra escura que me levou para um lugar onde havia muita gente sofrendo e chorando de dor. Tive vontade de visitar minha antiga família, queria dizer para meus filhos que não fiz por mal, não podia ter desistido deles, mas agora era impossível. Senti muita gratidão pela mulher que cuidou de mim em troca de nada, me amou mesmo sem a perna e me deu um filho, mesmo não podendo. Com o tempo passei a ajudar os outros espíritos que sofriam também ali, sempre chegavam mais e mais pessoas e eu achava que podia ajuda-las de alguma forma porque não chorava como eles. Eu os consolava e lhes fazia carinho, era como um enfermeiro e isso me fazia muito bem. Dez anos se passaram até que me tiraram de lá e me levaram a um hospital; tinha muita dor no peito, de saudade de todas as pessoas de minha vida anterior e de dor também, por todos meus subordinados que morreram”.

Finalizando a regressão nosso oficial culpado redimiu-se perante sua própria consciência e aprendeu inúmeras e importantíssimas lições que transcrevo aqui para todos nós refletirmos:

 “O amor verdadeiro aguenta tudo, não esquece e não desiste fácil. Minha primeira mulher não me amava, nem sabia que eu tinha morrido e já botou outro homem em casa. Minha mulher de verdade foi aquela que cuidou de mim até a velhice Eu devia ter cuidado de cada coisa no seu momento, não devemos viver nem no futuro, nem no passado, só no presente; como quando podia ter cuidado dos homens que contavam comigo e me admiravam em vida assim como tive que fazer depois da morte. Devemos amar quem nos ama pelo que somos não pelo que representamos, e compartilhar a vida com eles, cultivando aquilo que é a coisa mais importante no mundo: a paz”.

Tinha uns 82 anos quando morri, tive Mal de Parkinson, mas me sentia bem, minha mulher ainda cuidava de mim, estava sozinho quando me fui, acho que estava num hospital, cheio de aparelhos, tive um problema nos pulmões…me deu uma falta de ar e morri. Senti muita gratidão por aquela mulher que cuidou de mim em troca de nada e me deu um filho mesmo não podendo, me amou mesmo não tendo uma perna; aquela foi minha mulher de verdade, não a outra que mesmo sem saber se tinha morrido já botou outro homem em casa — Falou com a voz carregada de ressentimento a finalizou:

“Depois da morte notei que não devemos viver no futuro, nem no passado, só no presente, sempre tem o amanhã e junto com ele a esperança, aprendi também que devemos dar valor a quem realmente nos ama pelo que somos não pelo que representamos”.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS