segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

O pergaminho

Essa história se parece com muitas outras que já vi, e ouvi, dos meus pacientes, mas a forma como se deram suas lições finais foi deveras interessante assim resolvi conta-la aqui.

S. minha paciente em 2013, reviveu uma vida acontecida em 1920, em algum país europeu, numa casa rica e grande, mais parecendo um palácio, vivendo com aquele que era seu companheiro. Apesar de sua personagem ser jovem e bela não era feliz, sentia uma grande frustração por ter sido uma menina pobre e as pessoas daquele meio social a ignorarem. Ela se via no meio de uma divisão naquela enorme propriedade, enquanto de um lado ficavam os homens a fumar e jogar, do outro as mulheres estavam a conversar e trocar frivolidades, sem se dar conta de  sua presença, chegando ao nível do deboche. À medida que o tempo passou o que era ruim ficou pior ainda e como tinha apenas uma união estável com o companheiro, obtida pelo pagamento de um dote, aquele em muito pouco tempo a abandonou, quando ainda nem havia saído dos vinte e poucos anos, para nunca mais voltar.

A partir daí viu sua raiva e frustração aumentarem bem como sumir a sua fé no ser humano e nos homens em especial. Se tornou assim uma pessoa amargurada e rancorosa que não gostava de ninguém, continuou morando naquela casa confortável até a velhice em companhia de uma governanta e alguns empregados, nada lhe faltando materialmente, mas isso não melhorava sua situação psicológica; foi simplesmente existindo, dia após dia, sem realizações nem felicidade. Morreu com uns 90 anos, sozinha, em seu quarto, sentada numa antiga cadeira de embalo, segundo ela com uma expressão de solidão e desolamento, dando fim a uma existência triste e aparentemente sem sentido. Mas a morte não é só fim e destruição como muitos pensam, é sim uma grande oportunidade de se rever atos e atitudes, com grandes possibilidades de progresso, como pudemos ver ao fim daquela regressão.

Aqui cabe uma pequena explicação, comumente após a morte nosso espírito se vê jovem novamente, pois plasma para si um corpo  como o que tinha em seus anos mais viçosos, e como querer e pensar no plano espiritual são forças muito fortes, muitas vezes ao abrirmos os olhos estamos remoçados do lado de lá; descobri isso ao perguntar aos meus pacientes como ficara o corpo depois que a morte chegara, só que me referia ao corpo físico, alguns deles entendiam que eu perguntava sobre o corpo espiritual em que passaram a se perceber e me diziam estar jovens novamente, como nos seus anos mais saudáveis. Obviamente isso vai depender do estado mental e merecimento do espírito, mas tenho visto acontecer com frequência.

Assim aconteceu com S. Após a morte se percebeu viva e jovem novamente, mas ainda estava tomada pela mesma tristeza que levou deste plano, e, naquele momento, no lugar em que ela estava, sozinha, num belo campo verde, praticamente sem árvores, num dia claro e iluminado, uma coisa muito importante aconteceu: ao olhar para o céu azul sorriu, refletindo que estava livre e com outras oportunidades para viver e recomeçar de onde havia errado, ainda olhando para o céu, abriu os braços e pediu a Deus outra oportunidade. Uma sensação de satisfação e felicidade pareciam brotar de suas palavras ao me relatar isso, ao mesmo tempo viu um grande pergaminhoMulher-do-Campo próximo, ele flutuava a pouca distância e ao fixar nele sua atenção viu que ali estavam anotadas algumas coisas que conseguiu ler ao se aproxima; ali estavam, resumidas em seis palavras, o que tinha  fazer para aproveitar melhor as vidas que viesse a ter, pois da forma como se encontrava sempre teria grandes dificuldades para viver bem. Pessoa amarga de temperamento difícil, econômica em excesso, sem nenhum relacionamento satisfatório, nunca conseguiu formar uma família, tendo uma existência solitária e triste.

As palavras que estavam escritas no pergaminho, verdadeiros ensinamentos, eram: Perdoar, Sorrir, Se instruir, Estudar, Viver e finalmente, Amar. Coisas que tem uma dificuldade natural em fazer nesta vida, como bem eu e ela sabemos. Continuou a lembrar que após ter lido o pergaminho o abraçou e pensou apenas em ser feliz, mais nada, se sentiu com isso completa e preparada para enfrentar o que quer que fosse dali para a frente. Terminamos a regressão com ela se sentido muito bem, com vários insights sobre sua vida atual e torço para que ela leve as lições do pergaminho daqui para frente anotadas em seu coração e nunca mais as esqueça, assim poderá ser feliz novamente.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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