sábado, 24 jun 2017
Administração

Lutando na Guerra do Ópio

Uma pequena recapitulação da história:

Em meados do século XIX a Inglaterra era a potência europeia mais desenvolvida e, a partir de 1860, iniciou-se uma segunda etapa da Revolução Industrial; junto com ela outras grandes potências começaram a buscar outros mercados para absorver seus excedentes, surgiu assim uma expansão imperialista que atingiu principalmente a África e a Ásia, que se tornaram palco de disputas e rivalidades na divisão do mercado mundial. Os produtos chineses, tais como a seda, o chá e a porcelana alcançavam bons preços na Europa, mas os produtos europeus não conseguiam entrar no mercado chinês. Esse comércio era pouco rendoso para a Inglaterra, apenas um produto interessava particularmente aos chineses: o ópio, narcótico extraído da papoula, que produz efeito adormecedor sobre cérebro. Os ingleses cultivavam o ópio na Índia e vendia-o em grandes quantidades na China.

A droga chegou a representar a metade das exportações britânicas para a China e em 1839 a droga ameaçava seriamente não só as finanças do país como também a saúde dos soldados, a maioria viciados, foi quando o governo chinês proibiu a importação do ópio. Principal atingido pela proibição, o Reino Unido decretou guerra contra a China no dia 3 de novembro de 1839, no que ficou conhecido como Guerra do Ópio. Foi nessa época que viveu nosso personagem, revivido por L.F, jovem moça que se tratou comigo em 2005.

Sua personagem era um homem que possivelmente lutou naquela guerra, um soldado, pelo que pude inferir pela descrição dos fatos e lugares, principalmente dos países, que relacionou em suas recordações e que vocês podem conferir comigo. Nunca poderemos ter certeza, mas transcrevo alguns trechos de sua regressão a seguir:

guerra do ópio“Uma guerra…com tiros.. estou atirando também, uso uma espingarda que dá um tiro de cada vez, tenho mais ou menos 30 anos, uso uma roupa militar com um capacete verde e tem outras pessoas à minha volta atirando e recebendo tiros também, sou oficial e estar ali era uma obrigação, estamos numa região quente com vegetação fina tipo savana. Eu era da Inglaterra numa guerra relacionada à terra e colonização, mas não queria estar lá, sentia revolta com os chineses idiotas”

Ao investigar a história da personagem sua personagem contou que ele foi filho de uma militar que servia na África e foi morto num evento que lhe marcou pelo resto da vida. Aconteceu que naquela vida eles estavam explorando um terreno junto com um povo nativo quando uma tribo inimiga os atacou e os levaram prisioneiros; seu pai findou sendo morto a sangue frio com uma lança que lhe transpassou na sua frente; ele assistiu a isso tudo apavorado e com muito medo, tinha apenas 12 anos, lembrava de sua mãe que ficara na Inglaterra enquanto ele passava um período com o pai. Depois de algum tempo foi resgatado por outros militares e voltou para casa até ficar adulto decidindo torna-se militar também começando a viajar o mundo em missões até a morte da mãe de tuberculose quando tinha 35 anos; sentia vontade de vingar a morte do pai e muita culpa por não ter ficado mais com ela, mas não sabia que rumo tomar na vida.

Nas missões que empreendeu depois que ficou adulto, conheceu na Tailândia uma jovem quando tinha 25 anos — “Estava num mercado passeando com outros soldados quando vi aquela jovem tailandesa, muito bonita, gostei dela e me aproximei até começarmos a namorar. Casamos e tivemos 2 filhos gêmeos, estava muito feliz, mas tive que ir para a guerra novamente” — Neste novo conflito matou e viu morrer muitos, até perder uma perna e ficar vagando de hospital em hospital se sentindo fracassado, passou três anos assim. Conseguiu voltar para casa depois disso, numa cadeira de rodas, sem saber como ia  viver a trabalhar.

“Meus filhos já estavam com 6 anos quando voltei, mas minha mulher havia arrumado outro marido, um nativo, sentia muita raiva e revolta de mim por eu ter ido embora, me senti sozinho, impotente e incapaz..tinha perdido tudo e estava sozinho no mundo. Depois de algum tempo, já com 40 anos, consegui me estabelecer na América, tinha uma pequena mercearia, mas a memória sempre me trazia meus filhos e minha esposa. Tinha uma mulher que cuidava de mim que findou se tornando minha parceira, adotamos uma criança, o tempo foi passando e deixando para trás a vida que tive, todos aqueles cadáveres e todas as más lembranças, tudo o que queria era viver em paz naquela casinha. Tinha uns 82 anos quando morri, tive Mal de Parkinson”.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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