quarta-feira, 26 jul 2017
Administração

A dondoca

Era uma moça jovem e bonita, na transição do século XIX para o século XX, passeando numa praia com um rapaz que parecia ser seu namorado; feliz e risonha, seu vestido e pele branca contrastavam com os cabelos e olhos negros, estavam brincando e se divertindo, numa cena muito bela e bucólica. dondoca

Depois de algum tempo se casaram e as dificuldades logo surgiram, principalmente por  causa de seu temperamento difícil, o marido tentava melhorar a convivência, sem muito sucesso; para piorar não conseguia ter filhos e isso lhe deixava triste, se sentindo incompleta, por mais que tivesse conforto material, se tornou uma pessoa amarga. Somente aos 40 anos conseguiu engravidar e isso foi um acontecimento libertador, após o nascimento de seu filho seu humor melhorou o que deixou seu marido mais aliviado e feliz, mas ainda continuava uma pessoa difícil de lidar, pois tinha uma carência e uma insatisfação muito grande dentro de si.

Devido ao seu comportamento a relação deles foi se distanciando e, em torno dos 60 e poucos anos, começou a refletir que a vida estava chegando ao fim e percebeu que não havia sido feliz por sua própria culpa. Pensava: “A vida não foi como sonhei e eu não me contentava com o que tinha, qualquer coisa fora do lugar me tirava do sério; podia ter aceitado melhor a situação e as dificuldades e não ser tão controladora, sentia uma dor e uma tristeza enormes dentro de mim, fiquei me culpando muito, afinal não  é por as coisas não serem do jeito que queremos que são ruins”.

O marido findou morrendo alguns anos depois e só aí, com esse choque, foi que percebeu como tinha sido tola, avaliando: “Muitas vezes a gente acha que uma pessoa não é amorosa conosco, mas somos nós que não o permitimos, não temos um olhar carinhoso ou um toque mais confortante para com ela, cobramos coisas muito bobas e tiramos o brilho de nossa vida conjugal, deixei de ver o outro lado das coisas e não fui amorosa como deveria”. A falta que ele lhe fez foi imensa, lembrava de seus gestos, do olhar e do sorriso, ficou se sentindo frustrada e com muita culpa depois disso, mas não havia mais jeito.

Após alguns anos foi a vez dela deixar essa existência, calma e confortavelmente em sua casa, perto de sua família.após a morte,vendo onde tinha errado e sentindo que deveria mudar, seu espírito parece ter aprendido coisas importantes com aquela vida e resolveu o seguinte: iria ser mais compreensiva dali para frente, principalmente com o cônjuge, procurar se tornar menos amarga e mais tolerante,  procuraria desenvolver a paciência e deixar as coisas fluírem na vida; fazer planos, mas deixar também as coisas acontecerem. sem se irritar com isso. Segundo ela mesma: “Me enxergar me fez descobrir que a felicidade era possível no agora, desde que notasse que as pessoas talvez não fossem como eu queria, mas que me amavam assim mesmo, ia, a partir dali, ser menos perua e dondoca, fui muito vaidosa, tive tudo pra ser feliz e não soube aproveitar’”.

Mas a melhor lição ficou para o final: “Não ia ser mais uma pessoa que acha que está aqui já pronta, mas sim perceber que cada vida é uma chance de aprender e evoluir”

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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