quinta-feira, 21 set 2017
Administração

Médico e monstro

Essa história muito interessante veio de uma paciente jovem, que tinha várias queixas e muitos problemas, com algumas características de transtorno bipolar, também sofria com crises de pânico e disfunções que pareciam vir de um certo desequilíbrio espiritual. Seu tratamento foi realizado em 2005 e vou chama-la de L.F.

Em sua terceira regressão L.F era um homem, extremadamente complicado, com um caráter doente e uma vida muito triste e desequilibrada. Ele era médico, lá pelo final do século 18, e teve uma infância marcada pela violência doméstica; o pai, alcoólatra, batia e estuprava a mãe na frente dele e da irmã, e ele quando tentava ajuda-la, apanhava até desmaiar; ao me contar isso sentia toda a raiva e revolta que lhe alimentavam naquela época, mas, apesar de tudo, era inteligente conseguindo entrar para a faculdade de medicina e se formar ainda bastante novo.medico e monstro

Com um perfil psicopata, bonito e elegante, usava ternos e cartolas da época atuando com bastante desenvoltura na vida, vestindo uma persona de sucesso, gostava de levar vantagem e obter lucro em tudo, usando as pessoas, principalmente as mulheres. Na vida íntima era ainda pior, para se satisfazer sexualmente procurava prostitutas que espancava e abusava, sempre lembrando do pai violento e se achando igual a ele, queria fazer maldades, gostava de cortar as pessoas para ter prazer. Até que conheceu uma pessoa especial, uma mulher decente, casada, paciente de seu consultório, pela qual se apaixonou.

Findou se tornando amante dela e começou a maquinar um plano para te-la só para ele. Após de tornar amigo do casal começou a frequentar a casa deles: “Decidi que era hora dele (o marido) sumir e resolvi leva-lo a um prostíbulo para faze-lo errar e se deixar levar pelos vícios, queria induzi-lo ao erro, o ensinei a trair e cair moralmente, precisava conseguir o que queria”. Se não fosse assim o mataria, só não o fez de imediato para que a amante não sofresse. Pouco tempo depois o marido da paciente um dia ele se apaixonou por uma prostituta e o casamento dos dois acabou.

Mas sua amada acabou por descobrir tudo e não quis ficar com ele depois de descobrir do que era capaz. Sentiu-se um canalha, mas seu arrependimento foi só um, de não ter matado logo o seu marido, em sua mente doentia tudo seria solucionado mais simples e rapidamente assim. Com o tempo ela findou perdoando-o e passaram a viver juntos, teve um filho com ela, e pensava consigo mesmo quando o viu: “Não quero que meu filho seja como eu, machucando as mulheres para ter prazer, vou abandonar os vícios e as traições”.

Assim se passou mais de uma década, com nosso médico vivendo bem e feliz ao lado de sua família, escondendo seu lado sombrio, sob uma imagem respeitável, mas como tudo no Universo é regido pela lei da ação e reação uma hora ele iria ter de volta aquilo que semeou; e assim aconteceu. Uma noite, saindo de seu consultório, depois de um dia de trabalho, três bandidos bêbados se acercaram dele, eram jovens e tinham numa atitude ameaçadora. 

“Quando me preparei para a briga um dele me feriu pelas costas, depois me arrastaram para um beco escuro e lá me estupraram,  senti vontade de matar os três, mas o sentimento mais forte foi o de medo pelo meu filho, de perde-lo ; mas nada adiantou, os facínoras me cortaram até morrer. Fiquei lá, jogado naquele beco, com as roupas todas rasgadas,  todo cortado, os homens me olhando e rindo, queria acabar com eles, mas já estava morto. Fiquei  muito tempo perto do meu corpo, sem aceitar o que tinha acontecido, mas no fim me resignei, lembrei da minha família e fui visita-los, dei um beijo na minha esposa e lhe pedi perdão pelo canalha que havia sido, achei que mereci a morte que tive, procurei meu filho e o beijei carinhosamente também. Ainda estava meio confuso e resolvi ir atrás daqueles homens, não conseguia perdoa-los, mas algo aconteceu, ao lembrar dos três, eles pareceram estar possuídos e eu conseguia ver por trás de seus rostos e eram  os rostos de três mulheres que havia estuprado e espancado no passado.

Depois de ver isso desisti de minha vingança, refletindo como deve ter sido difícil para aquelas mulheres serem estupradas e espancadas por mim, resolvi esquecer os três, pois lhes fiz muito mal enquanto eram mulheres, eles só me deram a paga. Pensei que o homem mais perfeito que havia conhecido foi aquele que levei para o vício, jamais deveria te-lo tirado de Mariana, mas minha soberba e poder me faziam achar que tinha o direito de fazer o que tinha feito. Por isso morri daquele jeito horrível. Decidi naquele momento que quando viesse a esse mundo de novo seria como uma prostituta, numa vida difícil, para poder entender todos e perdoar os homens que fossem iguais a mim hoje; iria vender meu corpo junto com palavras de conforto e carinho”.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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