domingo, 23 abr 2017
Administração

A coragem do cordeiro

Vendo as dificuldades de muitos dos meus pacientes em terapia noto que uma das coisas que atrasa por demais suas melhoras é a falta de coragem . Em muitos casos se eles dedicassem um pouco de sua energia a ter a coragem de enfrentar seus medos o sucesso de seu tratamento seria muitíssimo mais rápido e menos doloroso, mas isso sempre parece ser para eles muito difícil. Valores e crenças antigos e profundamente arraigados, o desconhecido, as possíveis perdas e a própria covardia de enfrentar a vida com todos os seus obstáculos, parecem intimida-los irrevogavelmente. Um bom primeiro passo nessa direção é admitir nossos erros e nossas próprias fraquezas, ou no mínimo se temos a coragem de reconhecer que somos falhos ou portadores de algum sentimento ruim; quando nos abastecermos de coragem para tal conseguimos ir para adiante, mas até isso às vezes nos falta.

Jesus, o Cristo, normalmente é lembrado pelas lições de docilidade e amor que espalhou enquanto caminhava entre nós, associa-se a sua imagem a posturas passivas de redenção, perdão e misericórdia, possivelmente fez-se isso porque cultivar uma imagem daquele tipo foi útil às igrejas, que quiseram associa-lo ao mito do Homem-Deus, sem fraquezas e defeitos, ou pode ser também porque suas lições mais memoráveis foram justamente aquelas assentadas no amor e na compaixão.

Poucas vezes, como por exemplo no ataque aos vendilhões do templo, se imagina Jesus numa atitude mais impositiva ou enérgica só que Isso é um grande engano, Só que se formos mais perspicazes em nossas observações veremos que existiu um outro Jesus, com características ativas, fortes e extremamente potentes em sua força de mobilizar a si mesmo sobre as dificuldades e ajudar os outros a enfrentar seus medos.jesus orando Só o fato de ter se afastado de sua família para sair ao mundo em pregação já foi um ato de coragem; enfrentar o poder religioso e os preconceitos da época encarnado no Sinédrio, pregar o amor e a tolerância sob o violento jugo romano então o que podemos pensar? De alguém que não tinha nada para combater, apenas a palavra, aí temos mais um exemplo da verdadeira coragem. Daquele que foi chamado por esse motivo, e com justa razão, de Leão da tribo de Judá.

Pelos relatos dos Evangelhos e da literatura espiritualista o que temos de noticias de Jesus é que sua coragem vinha do que dizia sua fé em sua missão redentora no curto período em que conviveu na humanidade, assim qualquer coisa que ameaçasse sua tarefa era rechaçada ou enfrentada de imediato, e, quando se calava, era para enfrentar confrontações infrutíferas e jamais por covardia.

Lembro-me da leitura de um livro espírita que descrevia os último momentos de Jesus aonde, em entrevista com Pôncio Pilatos, quando perguntado se não gostaria de ser salvo da morte pelos seus confrades disse: “ A vida que me ofereces [se indultado] seria deserção e covardia, só a minha morte não desmentirá aquilo que o Senhor transmitiu por mim aos homens!”. Se esta história aconteceu ou não o que não dá para duvidar que, a maioria de nós, na situação em que Jesus estava, facilmente abdicaria de suas crenças ou mudaria de opiniões frente aos outros para salvar sua própria pele. Só um louco ou alguém com muita coragem não o faria, e pelo que se conhece da história de Jesus Cristo, louco ele não era..

Hoje nos acovardamos perante pequenas coisas e quaisquer desafios, pequenas valas nos parecem abismos profundos e obstáculos ínfimos nos afiguram muros intransponíveis, achamos que nossa dor e nossas dificuldades são as mais pungentes e não reconhecemos a dor do próximo muitas vezes pior do que a nossa. Esquecemos que muitas vezes essas dores são partícipes do nosso próprio crescimento espiritual e em todas as ocasiões temos participação no que as criou, padecendo dos efeitos de nossos erros. Lembremos de Jesus que deu-nos sua vida e principalmente sua morte como exemplos para a libertação dessas mazelas antigas, mas principalmente seu exemplo de coragem a nos motivar a ir em frente, enfrentando nossos próprios medos.

Se não tivermos a capacidade, e a vontade de fazer isto, não conseguiremos tirar da vida os ensinamentos de que tanto necessitamos, seremos como crianças tolas que não conseguem sair de casa para ver o mundo com é e tirar dele o que tem de melhor para oferecer. Aí só nos restará esperar o fim, fechados em nossos próprios medos.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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CONSULTAS EM MANAUS