sábado, 24 jun 2017
Administração

Uma mãe árabe

Esta é uma história de amor, numa família que existiu sabe-se lá a quantas dezenas de anos atrás no oriente médio, contada por uma mãe daquela época, personagem anônima perdida nos meandros da história. Pela voz de uma paciente numa regressão essa história mostra como o amor transcende o tempo a morte e a distância, unindo todos nós em seus braços fraternos. Vamos à ela.

Num mercado árabe, em uma tarde ensolarada, minha paciente se viu no corpo de uma jovem senhora que cuidava de seu filhinho em meio ao burburinho de vendedores e passantes, enquanto observava seu marido trabalhar em uma das tendas que vendiam mercadorias. Era um mercado agitado e colorido, em meio à ruelas estreitas de pedras, com casas e construções rústicas de pedra e madeira, sentia-se feliz e completa apesar da vida simples, sem riquezas materiais.mercadoarabe2

Ao começar a contar a história minha paciente começou a chorar, curioso perguntei-lhe o porque do choro e ela me disse que era por saudade daquela vida, que mal ela começara a lembrar, e continuou:

“Meu marido estava trabalhando, ele era dono de uma das tendas, tinha uns 37 anos, claro, de olhos pretos e sobrancelhas grossas, já eu tenho 27 anos, meus cabelos são negros e meus olhos castanhos, clara também; ele é bom, não somos ricos, mas somos felizes”. Contou, ainda chorando.

Muitas vezes meu marido briga comigo por ciúmes, quando chego em casa tarde, mas não estava fazendo nada demais, apenas me demorava um pouco mais na rua, ele me ralha e ás vezes me ameaça, fico com medo, mas vamos vivendo bem, apesar dessas decepções,  me sinto feliz e realizada. Por volta dos 50 anos meu marido caiu doente, definhando rapidamente, fico ao seu lado, em casa, segurando sua mão, com muito medo de perde-lo, pois apesar dificuldades o considerava um homem e companheiro muito bom, o tempo passou e ele conseguiu sobreviver, nessa época ele já havia melhorado o humor, como ela relatou: ele me olhava com olhos bondosos.

Já o vejo mais velho, está com sessenta e poucos anos e nossos filhos já haviam casado, tínhamos netos e vivíamos sós, em nossa casa, envelhecendo juntos, estou muito enrugada. Meu filho se tornou um belo rapaz, de barbas pretas, sinto muito amor por ele, que me enche de carinho e alegrias, minha filha é uma boa moça também, e sou muito feliz. Meu marido morre primeiro, com 79 anos, e eu poucos anos depois, aos 83, estava na cama em companhia dos meus filhos; minha filha chorava muito, segurando minha mão, meu filho me fitava, com os olhos tristes, me fazendo ficar sem vontade de deixa-los, já sentindo saudades, mas fiquei feliz, pensei que ia reencontrar meu querido marido.

Senti um amor maior que tudo, incomensurável e puro pelos seus filhos, fiz tudo pelo meu marido também, fui obediente, paciente e aprendi a esperar e acreditar nas mudança, afinal temos todos que aprender a amar e perdoar, porque nem sempre as pessoas vão ser como as conhecemos, mas  sempre vão permanecer em sua essência. Decidi naquele vida acreditar no amor e não enfrentar ou bater de frente com meu marido, vivendo cada dia para ser feliz, com tolerância e sabedoria”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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CONSULTAS EM MANAUS