segunda-feira, 24 abr 2017
Administração

Sofia, a bruxa

Essa história me foi contada por uma paciente especial; vou chama-la de Sofia, pois esse era seu nome na vida que lembrou no passado, hoje tem 30 anos, mas cara e jeito de 15, trabalha como apresentadora de televisão e tem um jeito alegre e expansivo, festivo mesmo, que chama à atenção.

Pela boca dessa menina-mulher diferente ouvi uma personagem do passado contar de uma vida de agruras e sofrimento, realista ao ponto de S.H dizer, impressionada após a regressão, que se sentiu lá no passado , reverenciando a vida, se percebendo e emocionando como se estivesse vivendo todas as situações no aqui e agora. Mas vamos deixar que Sofia nos conte sua vida, bela e sofrida.

“Sou uma menina, de mais ou menos 7 anos, branca, loura, de olhos azuis, estou brincando com outras crianças num campo aberto, mas penso e vejo coisas que as outras crianças estranham, como numa hora em que vai soar um trovão e me antecipo dizendo que eles iam ouvi-lo, o que aconteceu, e todos correram assustados, mas mesmo me sentindo diferente era feliz e satisfeita. Vivíamos na Escócia, por volta de 1600 numa pequena e pobre comunidade. Era gelado lá.

Com 17 anos fui ajudar minha mãe em seus afazeres na cozinha de um castelo antigo, pertencente à uma rica família da região, eu era mais uma criada noviça, mas continuava tendo minhas premonições; uma vez pensei que ia passar um ratinho pela cozinha e ele passou, sorri para minha mãe, mas não falei nada, ela não ia entender mesmo. Me sentia diferente e isso assustava as pessoas de certa forma, mas procurava viver normalmente, apesar de tudo. Um dia me acusaram de ter roubado uma joia da família, um rubi, e mandaram me prender para me punir; fui colocada num calabouço horrível, sujo e escuro, minha aparência ficou péssima lá, emagreci muito, minhas vestes eram apenas um vestido velho e sujo, minhas unhas eram quebradas, sujas e feias, meu cabelo foi cortado curto e ficou horrível também.

Fiquei lá alguns anos, minha mãe vinha me deixar comida, me sentia com muita raiva do que tinham feito comigo, casebreeriomas estava impotente, somente na companhia dos carcereiros e carrascos. Fiquei lá alguns anos até minha mãe provar minha inocência, quando sai já estava com 26 anos. Envergonhada só andava de capuz e fui morar na floresta, numa choça pequena e muito simples, vivia de vender frutas que eu mesmo colhia e as pessoas vinham me procurar com frequência para fazer adivinhações, me chamavam de “A moça”.

Minha vida era solitária e infeliz, os únicos que via por ali eram caçadores que eventualmente me compravam as frutas e me traziam algo. Fiz amizade com um, que me levou para conhecer sua família, minha aparência estava péssima, parecia uma bruxa mesmo, meus cabelos eram desengrenhados e escuros, pois passava carvão neles com medo das pessoas me reconhecerem como a ladra da joia. Na sua casa tomei um banho e recompus minha aparência, me senti viva de novo.

Um dia estava voltando da coleta de frutas à noite quando ouvi o barulho de cavalos; pessoas da comunidade estavam vindo à minha procura, com tochas, me chamavam de bruxa e queriam me punir. Passaram em cima de mim com os cavalos e ainda começaram a me bater, caí no chão e comecei a chorar de dor, raiva e desespero – Sua voz nesse momento era de um sofrimento profundo – Em pensamentos pedia que aparecessem monstros para devora-los, e aconteceu algo impressionante. Das matas surgiu um urso enorme que avançou contra eles e os fez fugir, dispersando a todos, fiquei ferida e cheia de dores, assustada me recolhi a um canto da mata e me cobri de areia preta, fiquei não sei quanto tempo lá até que o caçador me encontrou e me levou para sua casa, cuidando de mim até me restabelecer.

Queria sair daquele lugar para viver em paz com meu dom em outro lugar e poder trabalhar fazendo minhas adivinhações. Foi por isso que roubei aquele rubi, de vez em quando ficava olhando-o, pensava nisso, mas nunca pude vende-lo, todos conheciam minha história. Fiquei por ali mesmo até ficar bem velhinha, um dia estava naRIACHO FLORIDO GIFT++++ margem de um riacho muito bonito, no meio da floresta, passava a mão em suas águas límpidas e pedia a Deus que me levasse, já estava cansada da vida – Falava com suavidade, transmitindo uma paz muito grande – Senti que meu coração foi parando, parando, até morrer. Meu corpo ficou ali, sequinho, em meio aquela natureza bela. Depois de um tempo ele foi ficando cada vez mais coberto de flores, até que sumiu no meio delas completamente.

Meu espírito depois disso tudo decidiu que nunca mais iria se envergonhar de seus dons, que ia falar e mostrar tudo o que soubesse e pensasse. Minha busca seria, a partir dali pela felicidade, pois a única coisa que busquei naquela vida foi me esconder, por vergonha”.

 


1 Comentário

  1. <3

    Dr. Ney,

    Tenho ctz absoluta que Sofia se enche de orgulho da mulher que se tornou nessa vida!!!
    Ela ñ tem um pingo de vergonha em ser ridícula, em ser feliz, em ser ela msm.

    (Suspiros)

    Beijos

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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