quinta-feira, 19 out 2017
Administração

A bruxa escocesa

Vi inicialmente somente a escuridão, de um lugar fechado, podia perceber apenas uma réstia de luz vindo do teto, era um calabouço antigo, frio e feio, estou presa em correntes, vejo um carcereiro forte, de capuz, queimado de sol…e outros homens lá, carcereiros e carrascos, meu nome era Sofia e o ano era 1600 na fria e bela Escócia.

calabouço

Estava lá porque me acusaram de ter roubado uma jóia, um rubi, da família com quem trabalhava. Minha aparência está péssima, estou muito magra, minhas vestes eram apenas um vestido marrom, velho e sujo, minhas unhas eram quebradas, sujas e feias, meu cabelo foi cortado curto e ficou horrível também, tinha uns 23 anos.

Com 17 anos  trabalhava com minha mãe,  na cozinha de um castelo antigo, pertencente à uma rica família da região, fui para lá ser mais uma criada. Desde criança tinha pressentimentos e intuições estranhas, uma vez brincando com meus amiguinhos num campo aberto vi a hora em que iria soar um trovão e me antecipei dizendo que eles iam ouvi-lo, o que aconteceu, e todos correram assustados, mas mesmo me sentindo diferente era feliz.

Continuei tendo minhas premonições, e guardando segredo delas, como uma vez em que pensei ia passar um ratinho pela cozinha e ele passou, sorri para minha mãe, mas não falei nada, ela não ia entender mesmo.Fiquei naquele calabouço alguns anos, tudo era muito sujo e a comida era nojenta, só conseguia comer o que minha mãe deixava; me sentia com muita raiva do que tinham feito comigo, mas estava impotente, somente na companhia dos carcereiros e carrascos. Minha mãe conseguiu provar minha inocência e sai de lá, já estava com 26 anos. Envergonhada, só andava de capuz, fui morar na floresta, era muito úmido, numa choça pequena e muito simples, para que ninguém me visse, vivia de vender frutas que eu mesmo colhia, mas as pessoas vinham me procurar com frequência para fazer adivinhações, me chamavam de “a moça”.

Minha vida era solitária e triste, os únicos que via por ali eram caçadores que eventualmente me compravam as frutas e me traziam algo, e pessoas que vinham para que eu rezasse e fizesse adivinhações. Fiz amizade com um, que me levou para conhecer sua família, minha aparência estava péssima, meus cabelos eram desengrenhados e escuros, pois passava carvão neles com medo das pessoas me reconhecerem como a ladra da jóia. Na sua casa tomei um banho e recompus minha aparência, me senti viva de novo.

 

Um dia estava voltando da coleta de frutas à noite quando ouvi o barulho de cavalos; eram pessoas da comunidade que estavam vindo à minha procura, uma turba com tochas, me chamavam de bruxa e queriam me punir. Com 60 anos estava muito feia, tinha perdido um olho, fugindo de caçadores, me vestia de preto, parecia uma bruxa mesmo. Os homens passaram em cima de mim com os cavalos e ainda começaram a me bater, comecei a chorar de dor e de raiva, e no meu desespero pedia que aparecessem monstros para devora-los, e realmente algo aconteceu.

Das matas surgiu um urso enorme que avançou contra eles e os fez fugir, matando alguns e dispersando os outros, fiquei ferida e minha cabeça doía. Assustada me recolhi a um canto da mata e me cobri da areia preta do lugar, fiquei não sei quanto tempo lá até que o caçador me encontrou e me levou para sua casa, estava muito machucada, ele ficou cuidando de mim até me restabelecer. Escapei da morte por doenças e agressões até a velhice, queria sair daquele lugar para viver em paz com meu dom em outro lugar e poder trabalhar fazendo minhas adivinhações. Foi por isso que roubei aquele rubi, mas nunca pude vende-lo, pois todos conheciam minha história, e findei nunca conseguindo sair da floresta.

Bem velhinha, estava na margem de um riacho muito bonito, no meio da mata, passava a mão em suas águas límpidas e pedia a Campo-floridoDeus que me levasse, já estava cansada da vida. Estava tranquila e fui sentindo que meu coração foi parando, parando, até parar de vez e eu morri. Meu corpo ficou ali, sequinho, e depois de um tempo ele foi ficando coberto de flores, se integrando aquela paisagem de que tanto eu gostava, até que sumiu no meio delas completamente, se tornando um só com o campo florido.

 Depois disso tudo meu espírito decidiu que nunca mais iria se envergonhar de seus dons, que ia falar e mostrar tudo o que soubesse e pensasse, e minha busca seria, a partir dali pela felicidade, pois a única coisa que busquei naquela vida foi me esconder por vergonha”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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