quinta-feira, 21 set 2017
Administração

A história de Amanda

Esta, como outras histórias, vem de um passado que ninguém conhece, na sessão de B.B em Março de 2012, e do qual não sobrou nada nem ninguém para contar, e mesmo que houvesse não conseguiria saber transmitir com tantos detalhes as dores pelas quais passou Amanda, sua personagem. Vou deixar que ela lhes conte, em meio às lágrimas, como me contou, das dores de sua vida.

Meu nome é Amanda, tenho 13 anos e todos dizem que sou muito linda, sou branca, magra, dos olhos azuis, tenho os cabelos castanhos claros longos, encaracolados nas pontas uso um vestido simples, mas mesmo assim todos me admiram. fazenda de café

O ano é 1856 e moro com meus pais numa fazenda muito grande, a fazenda Esperança, cheia de escravos, plantamos café, sinto o cheiro dele, gosto muito do cheiro, mas não gosto de tomar não, mesmo com a insistência do meu pai. A fazenda fica entre o Rio de Janeiro e São Paulo, é no fim do ciclo do café e já começamos a sentir alguma complicação aqui, meu pai tem dificuldades para tocar as coisas. Ele é muito rico, veio do estrangeiro, fala francês e quer que eu aprenda. Eu não tenho irmãos, sou filha única e por isso todos me tratam como uma princesinha .

Fui cuidada desde criança por uma escrava que chamo de “Bazinha” gosto muito dela, é como se fosse minha mãe, cuida de mim até hoje, não sei da minha mãe verdadeira, acho que nunca a conheci. Tem outra pessoa que gosto muito também, um escravo, o Zé, ele é doce, zela por mim, me protege e acho que ele é apaixonado por mim”. Ah, tem mais uma coisa, sou cega, não sei como foi, mas acho que fiquei assim com uns seis anos e às vezes isso me angustia, queria ver, poder fazer as coisa.

Tem uns homens, os capatazes, que cuidam dos escravos, eles são maus, maltratam os escravos e mesmo de longe sinto seu sofrimento, queria ajuda-los, mas não tem como. De casa ouço eles cantando na senzala à noite, gosto muito deles, eles são bonzinhos, me tratam com carinho.

A vida foi boa até meus 18 anuntitledos, vivia num mundo dourado, era rica, linda, com pessoas que me amavam e protegiam. A única coisa que me perturbava além da cegueira era meu pai, ele queria que eu casasse com alguém rico de qualquer jeito, acho que ele queria ficar mais rico, só que eu não quero isso não, quero casar com alguém que ame. Nessa época aqueles capatazes começaram a conspirar contra meu pai. Queriam se aproveitar que ele estava com dificuldades porque o café estava deixando de dar dinheiro, para tomar as coisas dele, o invejavam e desejavam tirar minha virgindade.

Uma noite depois da “Bazinha” me por para dormir aqueles 5 homens, os capatazes, consumaram seu crime, invadiram a sede da fazenda, mataram a “bazinha” e meu pai! já haviam cortado a cabeça do Zé mais cedo. Foram até meu quarto onde acordei assustada, sentindo a claridade das tochas que eles carregavam, ali mesmo arrancaram minhas roupas e me violentaram..” — Contou ela em meio à lágrimas de dor e revolta.

“Acabaram meus sonhos, Deus não existe!! se ele existisse não ia deixar esses homens acabarem com minha vida! não iria permitir que os escravos sofressem no tronco! tanto sofrimento…” Amanda gritava.“Depois disso fiquei arrasada, destruída, deixada no quarto…meus olhos ardem quem nem fogo, porque sou bonita? Deus não existe!! Aqueles homens me prenderam ali, ficava naquele quarto escuro, sozinha, amarrada, sofrendo violentações sucessivas, até que engravidei” – Deixamos o tempo passar e ela continuou:

“Tive uma filha… ela é linda, o nome dela é Josefina, me dizem que é lourinha e parece com o líder daqueles homens, acho que é filha dele, minha única distração aqui é ela, mas ele não a deixa ficar muito comigo não, diz que sou apenas uma escrava cega e imprestável, mas ela sente minha falta e gosta muito quando estamos juntas.Vou vivendo assim, feito um vegetal… sozinha sentada, dia após dia na varanda da casa… servindo de escrava para aqueles homens. Os anos vão passando sem que eu sentisse nada, só minhas pernas cansadas e pesadas. Quando minha filha ficou adulta contei minha história para ela e lhe pedi que se vingasse por mim, ela não queria, mas insisti até que ela aceitou. Matou todos os cinco homens, à faca, de um por um, até o pai dela. Me senti vingada e feliz, continuamos lá, ela casou com um bom rapaz e fiquei vivendo com eles; todos os escravos foram embora, agora só tem imigrantes trabalhando na lavoura, o café praticamente acabou”.

Os anos se passaram para Amanda, até que todo aquele sofrimento se transformou apenas em lembranças dolorosas e ela finalizou a história assim:

“Morri velhinha, com uns 80 anos – admirou-se de si mesma, como que olhando num espelho após muito tempo: “Nossa… como fiquei diferente… quem te viu e quem te vê…cabecinha branca, enrugadinha, debilitada, na varanda onde sempre ficava, sentada numa cadeira, a morte chegou placidamente, só me encontraram bem depois”. Suspirou, pensou um pouco e completou:

“Pensando em tudo nunca fui feliz de verdade, tive tudo mas não consegui desfrutar, fui cega, violentada e escravizada e mesmo depois da Josefina ter morto aqueles que me fizeram tanto mal minha felicidade foi efêmera, a tristeza continuou até minha morte, e findei me arrependendo de ter pedido pra minha filha se vingar por mim, nunca pude fazer nada por ninguém, nunca fui nada…Lembro de um escravo que morava na fazenda…,  ele sempre me falava de Deus, era uma luz na senzala, mas eu nunca prestava atenção, agora, depois de morta, vejo que devia ter acreditado nele. Descubro agora que ninguém é vítima, tudo o que recebemos teve origem no que fizemos em outras vidas, por isso passei por tudo aquilo. Daqui pra frente vou buscar a Deus e dar meu testemunho de fé nas provações que passar”.

 


3 Comentários

  1. Obrigada Dr. Ney pelo carinho!!
    A história de Amanda mudou minha vida!!!
    Agora posso compreender muitas coisas… depois conversaremos melhor
    sobre isso!!

    Que a Graça e a Paz do Senhor Jesus seja contigo!!

    1. Fico muito feliz em saber disso querida, espero que você continue sua linda caminhada sempre. Beijos.

    2. Muito obrigado, pelos eioolgs, Camila. *-* *-* Engrae7ado vocea comentar que quer um layout. Pois, faz uns dias que estou fazendo um para ce1. Mas, era surpresa. AhuahuahuaAgora, je1 foi!Eu ia te contar quando estivesse pronto.Eu je1 tinha pensado em escolher um blog que eu gosto muito, para presentear. E claro, o casar e decorar foi meu escolhido do ano.O ruim, e9 que quase ne3o tenho muito tempo para mexer com ele, estou fazendo aos poucos. Mas, em breve eu termino! :)Beijos:*

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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