sábado, 18 nov 2017
Administração

Vingança do outro mundo

Um dos sentimentos mais comuns no ser humano é a vingança, basta-nos sentir injustiçados de alguma maneira que pronto, já temos a propensão a começar a fazer planos de vingança. Para quem pensa que isso se restringe à situações apenas neste mundo ou que a morte pode resolver pendências e injustiças cometidas, surpresa!! tal situação pode se estender até depois da morte e ficar nos afetando vidas afora.

Esse foi o caso de uma de minhas primeiras pacientes, lá em 2002, C.L, que tinha já tinha casado algumas vezes e em todos teve vários problemas e, para ela, os relacionamentos sempre terminavam por culpa dos parceiros. Orgulhosa, exigente ao extremo e muito melindrada, facilmente chegava às raias da agressividade, até física, segundo ele, com os “ex”.

obsessãoTinha muitos sintomas relacionados aos seus aspectos espirituais como: tonturas tipo “labirintite”, pesadelos e “perturbações na cabeça”, sem esclarecer muito bem de que tipo, além disso sentia-se frequentemente “abobada”, com sensação de ficar fora do corpo e impressão de ter sempre alguém por perto e de ser observada. A partir de suas queixas e das sessões iniciais fizemos a primeira regressão. Nesta, após infindáveis resistências, descobrimos a causa desses sintomas: uma “presença” do passado a perseguia. Vamos ao relato.

Essa personagem apareceu no começo da regressão, inicialmente se disfarçando como parentes, o que lhe denunciei, e logo ela começou a ter alterações em suas percepções. Disse que estava sentindo como se estivesse fora do corpo e até a poltrona em que estava deitada balançar, e mais: “É forte …é como se estivesse tentando nesse momento entrar no meu corpo…sinto o corpo todo crescendo, puxando”. Intervi para que ela não permitisse tal perca de controle dentro do consultório. Perguntei se era alguma “presença” do passado, o que ele confirmou: “Acho que ele é aquele homem que meu espirito entrou nele” — Disse, sentindo uma compressão no peito “como se fosse morrer”, lhe dando muita falta de ar e repetia que estava tendo uma sensação de que ele queria entrar no seu corpo e se apoderar dela.

Depois dela ter evitado contato durante vários minutos finalmente aceitou ouvir o que a “presença” tinha a contar. Enquanto a “presença” lhe fazia relembrar os fatos foi me dizendo o que estava vindo à mente. Foi uma história que tinha muito a ver com seus problemas atuais de relacionamento conjugal, só que terminou em morte e vingança. O que ela lembrou foi o seguinte: Em uma vida passada ela era uma mulher de meia idade, pobre e maltrapilha, que vivia com um homem bruto que lhe maltratava constantemente, causando-lhe muita humilhação e sofrimento, isso foi alimentando em seu coração o desejo da vingança e vontade de tentar sair daquela situação até que um dia ela a consumou essas idéias, matando-o estrangulado e fugindo logo depois.

Ainda durante a fuga foi encontrada numa estrada por homens que a procuravam pelo crime, eles estavam à cavalo e nem se deram ao trabalho de lhe perguntar nada, decapitaram-na ali mesmo. Aí começou a sua vingança, e não contra o ex-marido, mas sim contra aquele que a matou.

Inicialmente seu espírito revoltado e raivoso resolveu ir atrás daquele homem que a decapitou, e ao encontra-lo disse que “entrou no corpo dele”, ( foi ai que entendi a referência a isso quando o visitante lhe assediou no início da regressão), ao fazer isso disse que ele passou a rir gratuitamente e ficou muito agressivo, passando a viver um vida conflituosa e infeliz. Essa situação de desequilíbrio emocional por sua perseguição perdurou até a morte daquele homem.images (1)

Ao perguntar o que a “visita” queria dela ela falou: “É como se ele quisesse, assim…entrar no meu corpo…se apoderar de mim”, o visitante insistia nisso. Perguntei à paciente o que ela deveria fazer ou falar com o personagem para que ela a deixasse em paz. Ela tinha a resposta na ponta da língua: “Preciso que ele me perdoe e esqueça da minha vida” — Disse, sem convicção. Demorou um tempo até que conseguiu ser sincera no pedido e assim que o fez o viu foi se afastando devagar, diminuindo até sumir de suas vistas.

Fazendo um balanço da situação vi que o visitante do passado procurou a vingança de forma muito semelhante à forma como foi obsidiado no passado e que terminou levando-o à morte, ficou tentando assumir o controle do corpo da minha paciente, descompensando-a emocional e psicologicamente, tornando sua vida um inferno, e, com certeza deveria estar fazendo isso no seu dia a dia sem ser percebido, dando origem a intuições e sintomas dos mais desagradáveis para a paciente; ainda bem que seu entendimento veio a tempo, e quebrou aquele ciclo de vinganças sem fim.

Se imaginarmos que nós todos temos nossos acompanhantes invisíveis ( e sei que isso não é agradável) vamos entender que várias atitudes e estados de humor pelos quais passamos tem relação com a influência dessas pessoas para quem o tempo e o espaço deixaram de distancia-las de quem um dia já lhes fez mal.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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