domingo, 23 abr 2017
Administração

Marcas da guerra

S.C, um senhor de 70 anos, me procurou no final de 2002 com uma queixa um tanto quanto diferente, ele se queixou de que àquela altura da vida já havia conquistado tudo o que havia buscado desde a juventude, mas não se sentia feliz. Aproveitei uma de suas regressões para contar os fatos que vão a seguir, isso só foi possível porque ele lembrou em que século a história havia ocorrido e de como foi forte pelos horrores que passou num clima de guerra permanente. O primeiro fato que ele relembrou, naquela existência, foi quando ainda criança, numa Europa que parecia ser o século XIV, segundo ele mesmo, no que ele me disse que parecia “A Medieval_cercoguerra”. Naquele local e naquela época, em suas lembranças, ele era inicialmente uma criança que vivia em uma casa no campo com sua família, num lugar muito lindo e florido, todos muito felizes. Mas um dia tudo mudou, sua residência foi invadida por soldados que mataram seus pais, saquearam tudo e violentaram todos no lugar, mulheres e crianças, incluindo ele e suas irmãs.

Depois que os soldados se foram ele e uma irmã foram adotados por parentes e criados até a vida adulta, quando puderam cuidar de sua vida, aí ele entrou para o exército de sua pátria, a Áustria, e, cheio de ódio no coração, pensava numa espécie de vingança contra os alemães, em sua mente só havia um pensamento: que ninguém iria mais lhe humilhar. Curioso, pesquisei pelo país na história e o que achei foi o seguinte: O Sacro Império Romano Germânico, que existiu desde o século VIII até 1806, é considerado o primeiro Reich alemão . No momento de maior extensão territorial, o Império incluía o que são hoje a Alemanha, a Áustria, a Eslovênia, a República Checa, o oeste da Polônia, os Países Baixos, o leste da França, a Suíça e partes da Itália central e setentrional. A partir de meados do século XV, passou a ser conhecido como o “Sacro Império Romano da Nação Germânica”. Esses impérios e estados que viriam a formar a Alemanha de hoje viviam em permanente conflito aonde as invasões e guerras eram fatos cotidianos. Foi neste ambiente que cresceu e se criou o personagem relembrado pelo meu paciente. A partir do período histórico do Sacro Império, pode ser empregado o termo “alemães” para designar os habitantes do Império.

Meu paciente recordou-se de viver nessa época, e de que era um jovem adulto, de temperamento irado que se sentia dono da verdade e do poder. Em uma situação de “explosão de desequilíbrio” contou que uma vez, matou um colega de farda a tiros, já mostrando que desde aquela época já tinha uma personalidade arrogante e vingativa que não suportava contrariedades. Não soubemos quantas mortes cometeu lá, mas pelo que podemos ver de seu temperamento devem ter havido muitas outras.

Quando a guerra acabou passou algum tempo comemorando a vitória entre entre festas e orgias, com muita bebida. A partir dali, ainda no exército, usava seu poder para perseguir as pessoas, tinha tanto ódio dentro de si que, por exemplo,  para ele, aquele quem matou “não era nada”. Foi levando a vida assim até os 40 anos quando, andando distraído em uma rua, foi apunhalado pelas costas e morto,  por ironia, por uma mulher, de quem ele nem lembrava, mas cujo filho havia prejudicado; logo ele veterano de tantas batalhas. Depois de morto seu espírito refletiu sobre sua vida e na coisa ruim em que havia se transformado, sentiu ódio por aqueles que o violentaram na infância e destruíram sua família, supôs terem lhe transformado naquele ser desequilibrado. Mas veio a tristeza em se ver como uma pessoa fria e imoral, e sentiu que sua encarnação fora jogada fora.

Sua última decisão foi ir atrás daqueles que lhe fizeram tão mal e que em sua opinião, lhe mudaram tanto, não sei se conseguiu, mas ao final da regressão pensou em resgatar tudo que havia feito de errado perante aqueles que havia prejudicado, do século XIV até hoje, “para evoluir um pouco” segundo ele. No fim chegou a uma conclusão interessante: “Não foram aqueles que me fizeram mal que me transformaram, eu já era ruim”.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS