quarta-feira, 26 jul 2017
Administração

O soldado Romano

 

E.L, era um piloto comercial, casado, na faixa dos 35 anos, católico, que me procurou em 2005 por indicação de uma outra paciente. Seu maior problema era um grande complexo de inferioridade que lhe afastava das pessoas, deixando-o com poucos amigos, era, segundo ele mesmo, excessivamente tímido e indeciso. Por conta disso seus relacionamentos eram insatisfatórios, sempre achando que todas as outras pessoas  estavam acima dele.

Coloquei seu relato aqui por ele ter se lembrado de detalhes que me permitiram localiza-lo no tempo e porquê me deu informações preciosas de como era o modo de vida de uma classe de pessoas que na história antiga desperta muitas curiosidades, os centuriões romanos. Transcrevo abaixo sua história:

“Parece a época de Jesus, a mais ou menos 2000 anos… tem vários trabalhadores… são escravos romanos, usam togas brancas e estão tirando pedras de uma montanha. O local é árido, com muitas rochas amareladas donde são tirados os blocos de um tipo de pedra porosa. Eu era romano também, sou um dos guardas dos escravos, tenho 23 anos aproximadamente, nós [os guardas] usamoscenturião roupas com ombreiras e um saiote de couro com um pano vermelho por baixo, tem guardas com capacetes de ferro e outros com capacetes altos, de bronze, com uma crina de cavalo em cima.

Estamos vigiando os escravos que trabalham aqui, eles são bem tratados, desde que trabalhem, são todos homens e brancos. Eu não gostava de ver aquelas pessoas ali, pensava que eram de nosso próprio povo [romano] e ficava meditando o que seria do futuro do povo romano e da minha família. Aquilo tudo me dava tristeza, não podia fazer nada, aqueles homens foram presos por bobagens, a mando do imperador Cézar Augusto, queira ter força ou poder para mudar aquilo, mas não tinha”.

Pelas informações que ele nos deu o trabalho daqueles escravos era em uma das muitas minas de mármore que abasteciam o Império Romano. Na época de Augusto no final de 43 a.C. houve uma grande repressão, trezentos senadores e dois mil cavaleiros, oponentes dos novos governantes, foram proscritos e numerosas propriedades confiscadas no seu apogeu, e, certamente muitos destes presos políticos foram enviados para realizarem trabalhos forçados, o que parece ter incomodado a personagem do meu paciente, pelo visto o regime em que os centuriões eram recrutados e mantidos para trabalhar, era como um trabalho livre, mas que tinha certas condições que restringiam as escolhas sobre a carreira que seguiam e as obrigações que lhes eram infringidas. Mas lembram bastante a dos soldados das forças armadas hoje, na maioria dos países onde elas são remuneradas, com sua hierarquia e obrigações.

“Um dia fomos avisados que o imperador havia declarado todos os prisioneiros traidores, e mandou executa-los. Eu sabia que aquilo não era verdade, mas tínhamos que cumprir ordens , era a nossa obrigação. O fiz com a espada, eu e mais seis soldados. Depois daquilo me senti muito mal, triste comigo mesmo e com ódio do imperador, se pudesse deixaria de ser guarda, mas não podia senão seria considerado desertor, então fiquei lá.

Uns dois anos depois daquilo fui chamado ao combate contra outro povo, fui contra a vontade, mas não tinha opção, sentia medo de morrer e não gostava da guerra, ficava pensando o tempo todo numa maneira de sair do combate. Numa de nossas lutas eu estava com uma roupa de couro grossa, como uma armadura, à cavalo; encontrando o inimigo iniciamos o combate, ficou tudo confuso e findei caído do cavalo, nesse momento um combatente veio e me cravou uma espada no peito, morri ali, estático de costas no chão, junto a vários outros homens, o sangue preso pela roupa grossa.

Meu espírito ficou satisfeito por ter saído daquela vida e eu sentia que tinha que ser uma coisa melhor e que tinha que ter poder para poder fazer coisas melhores, defender as pessoas mais pobres e prejudicadas, no fim pensei que poderia ter influenciado mais meus superiores me impondo mais e não me escondendo, fiquei triste por não ter aproveitado melhor aquela vivência”.

Clique para ver uma batalha da época

Este paciente não durou muito tempo em terapia abandonando-a depois de algumas sessões, possivelmente por não conseguir mudar o que gostaria ou ter as melhoras na velocidade que lhe seria desejável, talvez eu nunca vá saber, mais ficou o interessante relato de sua regressão que, espero, tenha lhe servido de alguma forma.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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