domingo, 23 abr 2017
Administração

Uma freira no Tibet

Essa regressão foi feita em 2006 com a paciente J.F., uma mulher difícil, orgulhosa e controladora, que com seus 60 anos tinha inúmeros problemas de relacionamento, principalmente com seus filhos, dos quais se queixava serem distantes, mas que quando estavam perto só recebiam cobranças e críticas, aliás como todo o resto, amigos, parentes, etc. Indicada por uma amiga comum chegou à terapia extremamente vitimizada, sentindo-se rejeitada, desprezada e desrespeitada pelos filhos  quando estes chegaram à idade adulta, de certeza por não terem conseguido antes fugir do seu jugo.

Dizia que por vezes impunha sua vontade, mas só “quando era extremamente necessário”, dá pra tentar imaginar quando não era. Também não tolerava ser contrariada guardando muitas mágoas do passado, principalmente do ex-marido. Creditava a origem dos seus problemas a influências espirituais negativas e ao “carma” que trazia em relação à sua filha, com quem os problemas de relacionamento eram mais aparentes; sem se aperceber de sua participação na constituição dos mesmos.

Após 5 sessões iniciamos suas regressões, a quinta regressão é a que relato aqui, as outras ficaram girando em torno de vidas aonde foi egoísta, vivendo apenas do desfrutar das possibilidades da hora e semeando infelicidade para si e para o próximo, em busca de valores e glória. Somente na última, a sétima, foi que viu o que realmente valia a pena nas relações, e na pele de um cacique índio aprendeu que a beleza da vida está na bondade. Mas esta fica para outra oportunidade. Vamos ao relato daquela quinta regressão. Me chamou a atenção de cara a paciente lembrar das roupas que usava dizendo que “eram roupas de 1920” e que estava na Ásia, num lugar “tipo o Tibet”, depois de atravessar uma cordilheira. Daqui para frente vou transcrever seu relato:

Era uma jovem de 19 para 20  anos, de cabelos pretos e curtos, magra. Passei umtibet mês muito ansiosa até chegar ao Tibet, ao chegar fiquei admirando as pessoas, as mulheres tinham túnicas coloridas e quando elas se encontravam eram festivas. Procurava algo, não lembro exatamente o que, até chegar num lugar que tem crianças abandonadas e lá fico cuidando delas com outras pessoas, me sentia muito próximo daquelas crianças e pensava no porque de tanto sofrimento.

Depois dali me vi na cozinha de num convento na Europa, com mais ou menos 30 anos, de hábito azul claro, alegre com outras irmãs. Naquela época apareceu no convento um homem no convento, tipo cigano, de espada, esse homem me quis, findei deixando o convento para viver com ele, eu estava com 38 anos e ele com 32. Fomos viver na Andaluzia, na Espanha numa casa mediana, com um filho e uma senhora idosa e fui feliz. Quando contava 48 para 50 anos ele faleceu e fiquei com um grande sentimento de perda, me sentindo desprotegida, meu filho nessa época tinha 12 anos.

Pedi que avançasse no tempo até o próximo momento importante daquela vida e ela continuou: “Estou numa festa típica, me divertindo com meu filho, tenho 55 anos e penso no que vai vir para mim no futuro”. O tempo continuou avançando e ela falou: “Estou numa igreja vendo o casamento de meu filho. Vou visitar meu marido no cemitério e me sinto triste, passo a viver só, com minhas lembranças. A vida foi assim até que morri de repente com 68 anos, numa cadeira de embalo, serenamente. Depois de morrer meu espírito pensou que não era aquele caminho para eu ter seguido, deveria ter feito caridade, e devia ter lutado por isso, mas terei outra oportunidade de cuidar de crianças; minha missão era ter ajudado os outros, Deus tinha me dado tudo, enquanto tive saúde outras pessoas eram doentes, eu devia ter me dado um pouco mais e feito coisa melhor”.

Depois de 7 regressões a paciente passou, segundo ela mesma, a ver a vida com outros olhos e admitiu que criava problemas onde não existiam. Passou a ter um nível de compreensão muito melhor sobre a vida e as pessoas e notou que seus filhos  muitas vezes não estavam querendo lhe magoar quando lhe contrariavam. Parou a terapia ali e sumiu, mas creio que muito melhor na vida.


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

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