domingo, 28 mai 2017
Administração

Segurando Jesus

Nas regressões que faço no consultório já me vi frente às mais diversas situações, e a regra é que não se encontre, nesses casos, personagens históricos nem famosos. Normalmente os pacientes se veem em personagens comuns e anônimos, bem, não foi o que aconteceu aqui.

Esse é o relato de alguém que teve o que chamamos de “regressão espontânea”, fora do consultório, que é algo que pode ocorrer a qualquer um, em circunstâncias apropriadas e, muitas vezes, é confundido com sonhos, falsas memórias, imaginação, etc. Não se tratam de epifanias, nem tem conteúdo religioso e sim de memórias que retornam à consciência sem controle nenhum.

Nessas lembranças foram revividas as situações em seu personagem vidas atrás encontrou com Jesus, o Cristo, numa de suas peregrinações e isso por si só é algo único e, que tenho certeza pode levantar muitas dúvidas a respeito de sua veracidade, que não pretendo discutir nem confirmar aqui, isso fica a critério do leitor. Vou contar sua história pelo seu valor emocional e histórico que vem a seguir, com a descrição da regressão revivida  contada pelas palavras do envolvido:

Eu estava no primeiro dia de um trabalho na enfermaria de uma Fundação Espírita em Manaus/Amazonas, a qual tinha começado a frequentar  para tratamento de minha esposa, e posteriormente me interessei em prestar algum tipo de serviço voluntário. Como era novato a dirigente do lugar me pediu para ficar apenas em preces para ajudar a manter a boa vibração ali. Assenti e sentei, quieto num canto, procurando liberar minha mente das preocupações do dia a dia.

O silêncio logo tomou conta do lugar e,  após uns 5 minutos em prece senti algo estranho: um cheiro de poeira, tipo de barro seco, entrou pelas minhas narinas, muito forte, meu cérebro demorou a processar o que estava acontecendo, aquela percepção não tinha nada a ver com o lugar em que me encontrava. Logo em seguida me veio a imagem à mente de um homem caindo no chão em meio a uma nuvem de pó amarelo, aquele pó típico de estrada de barro quando é agitado por quem passa ou pelo vento forte.

Ele tinha uns 30 e poucos anos, era moreno, magro, baixo, vestindo uma túnica de linho rústico que foi branca um dia, surrada , com aparência de muito pobre, com um pequeno adereço na cabeça perecido com aqueles que vemos às vezes na cabeça dos judeus. Logo percebi que eu era aquele homem, só não entendi o que estava fazendo ali.

Senti de imediato que ele era eu, vi que tinha me jogado aos pés de alguém que ia passando por um caminho chão batido, essa pessoa vinha cercado por outras como que o protegendo, mas tinha conseguido chegar perto deles e, num ímpeto, avancei e pulei! Ao chegar aos seus pés fiquei agachado, sem coragem de olhar para o seu rosto, segurando sua roupa, sem saber direito o que queria, nem porque estava fazendo aquilo, meus pensamentos eram desordenados, e nessa hora notei que era muitíssimo ignorante, alguém com muito pouca inteligência, obtuso mesmo, Mas à minha mente, meu inconsciente trouxe de forma inequívoca a resposta de quem era aquele personagem: era Jesus de Nazaré, o grande profeta.

Ele vestia uma túnica branca e andava serenamente, apesar da multidão que se aglomerava em torno dele, alguns homens de aparência rude procuravam isola-lo das pessoas, parecia mais um popstar dos dias de hoje, quando em meio ao tumulto dos fãs enlouquecidos. Ao segura-lo pela barra da túnica e ele parou com minha súbita ação e me olhou com curiosidade por alguns instantes, como se perguntasse o que eu queria… só que nem eu sabia”.jesus pregando

Vou fazer uma pequena pausa aqui para contar algo que chamou a atenção do regredido: “Quando ele parou e ficou muito próximo a mim, senti, junto com o cheiro da poeira, um odor delicioso, muito sutil, como de flores, extremamente delicado, como nunca sentira lá ou aqui; flores de um outro plano, associado à esse odor vieram sensações amorosas e notei que essas sensações se originavam dele junto com uma impressão de “majestade espiritual” difícil de descrever, mas que impunha grande respeito.

“Com a cabeça junto aos seus pés, calçados com pobres sandálias de couro, olhei de soslaio seu rosto contra o sol que rebatia por trás de seus cabelos, queimados pelo sol inclemente da Galiléia, um pouco acima dos ombros. Esses cabelos eram de um castanho escuro, mais claros nas pontas, levemente ondulados, e seu rosto era jovem, mas sério e, diferente do que vemos em ilustrações e pinturas comuns, arredondado, me pareceu ter uma barba muito rala, também não vi seus olhos, mas pude sentir seu amor e misericórdia ao pousa-los sobre mim.

A dificuldade em vê-lo era também muito em função de me sentir inferiorizado por ele ao ponto de não conseguir olhar diretamente em seus olhos, era como se irradiasse dele uma elevação espiritual imensa, ao ponto deu não conseguir nem olha-lo.

Quando ele se foi fiquei ali, agachado, em meio à poeira, por mais alguns minutos, confuso, sem condições nem de olhar para onde ia. Após essa cena ouve uma breve interrupção e me veio outra, mais rápida, onde o vi ao longe, em meio a colinas baixas com pouca vegetação. Ele estava pregando à multidão. De onde eu estava não dava para ouvi-lo, eu só via sua figura pequena bem distante, mas sentia uma atração muito grande pelo seu magnetismo, pude perceber que aquela cena aconteceu antes da que eu me joguei aos seus pés e entendi que por isso eu havia decidido encontra-lo, algo nele atraia as pessoas, como um imã atrai ferro”.jesuspregando2

Depois desses flashes de memória o “regredido” explicou que se percebeu naquela vida como uma pessoa extremamente ignorante, na mais exata acepção da palavra: “Até minhas condições de raciocínio eram muito pequenas. Vivia uma vida limitada e pobre em função de minha pouca capacidade para qualquer trabalho mais elaborado, talvez fosse um pescador ou algo assim”.

Teve essas impressões e mais algumas como por exemplo o lugar onde vivia – “Me veio o nome Cafarnaum à mente quando me perguntei que lugar era aquele”. Essa cidadela localizada à margem norte do Mar da Galileia foi o centro do ministério do Salvador (Mt. 9:1–2; Mc. 2:1–5). Importante e bem sucedido centro comercial e de pesca, era o lar de gentios assim como de judeus, Jesus realizou lá grande parte de suas pregações e onde havia um número expressivo de pescadores.

“Após o encontro com Jesus meu personagem ficou muito tocado pelo seu amor, e mudou muito, mesmo sem refletir sobre isso. Passei a partir dali a repassar sua mensagem e ao fazer isso me embevecia e enchia de júbilo, mas implicava um grande risco, me fez parecer um simpatizante do cristianismo e por isso fui preso e supliciado. Sei disso porque me vi numa cena, algum tempo depois da morte de Jesus, carregando um pesado cepo de madeira sobre os ombros, amarrado às minhas mãos. Soube muito tempo depois que esse tronco em latim era chamado “Patíbulo” e era um pedaço grande e pesado de madeira de oliveira usado nas crucificações na mesma forma em que lembrei:

“O sol ardia sobre minha cabeça, tinha muita sede, carregar aquele cepo era muito cansativo e doloroso, estava em andrajos, os soldados me escorraçavam. Enquanto caminhava lembrava dele e de seu amor e não entendia o porque de fazerem aquilo por quem só pregava coisas boas e amorosas. Mas ao final ficou uma só impressão: eles eram tão ignorantes como eu, e como disse Jesus: Não sabiam o que faziam”. 

Suas conclusões finais vincularam impressões atuais às suas lembranças do passado: “Hoje ao lembrar dele, a cada vez que falava às massas, era como se ondas de uma emoção incontrolável me tomassem e me levavam às lágrimas. Foi preciso que eu passasse por tudo isso para descobrir o porque daquele personagem histórico sempre mexer com minhas emoções, mesmo quando eu era ainda praticamente um descrente, sem religião alguma, Acho que assumi um compromisso com ele naquela época e talvez só agora tenha condições de cumpri-lo.”


2 Comentários

  1. O SENHOR É DE MANAUS?

    1. Sim, cheque minhas informações no “contato”.

 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

VÍDEOS

YouTube responded to TubePress with an HTTP 410 - No longer available

CONSULTAS EM MANAUS