quinta-feira, 21 set 2017
Administração

Uma mulher rígida demais

M.P era uma paciente jovem, na faixa dos 30 e poucos anos, um casamento desfeito, com vários problemas de relacionamento, principalmente os amorosos, dizia que sempre entrava nos romances mais para fazer o que era correto socialmente do que por realmente gostar e querer se envolver. Dona de um temperamento, definido por ela mesma, por vezes, como implacável, normalmente batia de frente com as pessoas, sendo muito agressiva e tendo terminado vários relacionamentos apenas pelos parceiros a terem contrariado. Além de tudo isso ainda estava se sentindo frustrada e com raiva o tempo inteiro, por isso veio em busca de ajuda, pois já não aguentava viver mais daquele jeito, nem consigo mesmo.

Em sua primeira regressão viu, logo de início, uma mulher na faixa dos 30 anos, com quem se identificou. Era loura,top-10-list-noticias-bizarras-era-vitoriana-01 com os cabelos presos num coque, de rosto tão fechado e sisudo que, segundo ela mesma, a fazia parecer ter 50 anos; era muito rígida e autoritária, vivendo numa casa bonita de madeira no início de século 19. Ao descrever o lugar em que vivia e os costumes daquela época notei que aquela vida tinha ocorrido na Era Vitoriana, uma era de grande repressão social, sexual e dos próprios costumes, ditada pela mulher mais poderosa daquele século, a Rainha Vitória da Inglaterra. Não consegui saber se minha paciente viveu exatamente na Inglaterra, mas se não foi lá, de certeza sofreu grande influência da cultura de sua época o que a ajudou a se tornar o que foi. O que mais chamou a atenção de M.P naquela personagem foi que se percebeu muito religiosa, pudica, austera, achando que tudo era pecado e vivendo de circunstâncias e aparências.

Criava 5 crianças, seus enteados, filhos um homem, pelo que descreveu, de aparência fraca e deprimida, com menos de 40 anos, com quem havia casado por conveniência. Se sentindo dominadora e raivosa, chegava a ser má para com quem estivesse por perto. Como era obrigada a criar as crianças por  força daquele casamento, mas não lhes tinha amor , descontava nelas suas frustrações e descarregava sua raiva lhes batendo com frequência, dando-lhes castigo, e humilhando-os, também lhes fazia se sentir culpadas por pequenas faltas. 

Ao avançar o tempo, dentro da regressão, ela se viu com algo e torno dos 60 anos, se embalando numa cadeira em casa, sentindo-se muito só e triste, arrependida de ter sido como foi, pensando que devia ter sido mais tolerante e que não tinha ganho nada sendo daquele jeito. Seu marido morreu quando ela tinha 42 anos e depois dele ela nunca arranjou mais ninguém, criou as crianças sozinha e depois de adultas nenhuma delas vinha visita-la. Viveu mais alguns anos assim, na solidão, até contrair tuberculose e morrer. Na hora da morte teve seu último acesso de raiva e lembrou de ter se contorcido toda até parar de respirar. E foi aí que aquela personagem sem nome da qual M.P ainda guuardava as lembranças tentou entender a vida que acabara de deixar. Com seu espírito já liberto, chegou à conclusão que tinha perdido uma existência, não fazendo nada do que queria: não fez amigos, não dançou, não amou. Ficou com raiva de si mesma e do marido, achou ainda que ele a tinha usado junto com as crianças; se sentiu muito injustiçada e os achou muito ingratos, pois depois de adultos a abandonaram, enfim um completa vítima da vida.

Com esse pensamento seu espírito foi atrás daquelas que haviam sido suas crianças um dia e as quais cuidou e, de um por um, quando os encontrava falava e falava, reclamava do que eles haviam feito com ela; queixando-se e se vitimizando, mas logicamente eles não a ouviam, seu espírito estava noutro plano dimensional, invisível e inaudível, mas quando ela fazia isso acontecia algo interessante, segundo M.P, eles começavam a se lembrar dela e a falar a seu respeito, como se sua presença espiritual despertasse neles as memórias de sua infância, e eles começavam a falar com os familiares e conhecidos, só que seus relatos eram apenas de coisas negativas, de como ela foi má e de como não havia sido uma boa mãe para eles. Estes relatos a surpreenderam muito e achou tudo aquilo uma mentira, afinal os havia criado, mas se sentiu muito mal ao ouvi-los lhe recriminando.

Apenas uma daquelas crianças que visitou, agora tranformado em adulto, não falava mal dela e foi na sua casa que seu espírito resolveu ficar para descansar, pois se sentia muito cansada e ali, pensando em tudo o que passou chegou à conclusão de que havia desperdiçado aquela existência com seus valores de pecado e de tudo ser errado; no fim chegou à conclusão de que não adiantava jogar nos outros a culpa pela sua infelicidade, como fazia com seus filhos adotivos  e seu marido e, se pudesse escolher de novo, queria apenas ser feliz.

 


 

ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

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