terça-feira, 17 set 2019
Administração

A difícil arte de escolher

escolhasTive dois contatos hoje que me levaram a avaliar como é difícil fazer certas escolhas na vida, principalmente quando essas escolhas tem a ver com relacionamentos. Um deles foi com uma ex-paciente que parou o tratamento após meia dúzia de sessões, o outro foi com um paciente que está a alguns meses em tratamento. No caso dela, desde a alguns anos está num casamento insatisfatório ande tem tudo, menos afeto e respeito, se sente completamente desvalorizada e já pensou várias vezes em separar-se, só que como tem uma situação em que tem muitas vantagens econômicas e sociais, não abre mão do casamento, mesmo à custa de sua felicidade, possivelmente por isso desistiu da terapia, pois fatalmente seria confrontada com essa decisão.

Já meu paciente atual veio para a terapia para resolver sua complicada situação no casamento também e, semelhante ao caso anterior, sente-se infeliz e desvalorizado, a esposa, extremamente agressiva, quer tudo do jeito dela e ele passa todo o tempo de convivência em comum sentindo-se preso, sufocado, mas também não consegue sair do relacionamento arranjando uma série de desculpas onde a principal é o sofrimento de sua filha comum de 2 anos. O que me chamou a atenção  foi que hoje, por coincidência, tive uma sessão com ele e encontrei com ela fora do consultório, e ambos se queixaram novamente dos respectivos parceiros e de que não aguentavam mais o relacionamento, ela dizendo que está com “problemas existenciais” e ele arranjando ainda mais desculpas para não se separar; e ambos continuam mantendo a relação aos trancos e barrancos.

No caso dele o que diz é que já escolheu a separação, percebeu que nunca a esposa vai mudar e com ela nunca vai conseguir ser feliz; já no caso da minha paciente a escolha que diz ter feito é por mudar sua atitude perante o parceiro, se valorizando e fazendo-o valoriza-la também, mas isso não tem funcionado e ela está entrando em desespero. Além disso existe um probleminha: nenhum dos dois leva à frente suas decisões e muito menos consegue mudar o status de seus relacionamentos continuando a ser infelizes; o que acontece nesses casos? Porque algo que nos faz sofrer tanto se torna tão difícil de ser abandonado ou pelo menos encarado de forma diferente?

O que posso perceber em casos assim é que podemos até fazer certas escolhas conscientemente, mas não conseguimos leva-las à frente basicamente por um dos dois motivos, ou porque estamos ganhando algo com a situação, ou pelo menos achamos, como no caso da minha ex-paciente; a outra situação é mais complexa, é que que acho que está ocorrendo com meu paciente, na realidade muitas vezes nem sabemos porque não conseguimos levar certas decisões adiante, essas tem mais a ver com conteúdos que estão no nosso inconsciente do que com  que achamos que queremos racionalmente.

No nosso inconsciente podem estar traumas, desacertos e desajustes de nossas vidas passadas que podem nos influenciar hoje, mas essas coisas não são um impedimento absoluto às nossas decisões, somente podem ser um teste a nossa força de vontade. Na realidade o que temos que fazer é aprender a usar nossa razão nas decisões, dosando nossas escolhas com aquilo que realmente vai nos fazer sentir bem depois, quer dizer pesando bem que tipo de reação emocional a longo prazo isso vai nos trazer. Os excessos nas escolhas, tanto para o lado da razão como para o da emoção, vão trazer contrariedades no futuro. Somente a emoção sem o discernimento da razão, vai levar a decisões irracionais e passionais, baseadas na fantasia e na paixão. Já quem privilegia apenas a razão, sem dosar as consequências emocionais de seus atos, vai sofrer de certeza no futuro, pois o que nos completa e realiza é justamente nosso lado emocional, seja pela felicidade, alegria ou simplesmente pela sensação de paz de espírito.

É necessário que saibamos usar nossa razão e consigamos entender nossas emoções para que não venhamos a sofrer na vida pelas nossas inconsequências  nossos erros, temos que aprender a escolher, afinal, em que queremos crer e o que queremos ser, e isso está ao alcance de qualquer um basta ter vontade e coragem para fazer o que é necessário.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS