terça-feira, 17 set 2019
Administração

Lições de tolerância

Tenho uma paciente, chamada D.C., cuja queixa principal é ser intolerante, tem 36 anos, é empresária, divorciada, e nem um pouco paciente. Muito agressiva, diz que já perdeu alguns namorados e teve várias brigas e conflitos, desde muito nova, por causa do seu temperamento difícil. Passou por episódios depressivos e chegou até mim para se tratar porque está num novo relacionamento, amando muito o parceiro e assim tem medo de perde-lo. Para se ter uma ideia do seu temperamento uma frase que ela diz comumente, referindo-se a quando tem a impressão de que foi ofendida e deram uma deixa é: “Se deixar a bola eu quico!”, e não perde a oportunidade de revidar, de preferência de maneira agressiva, às vezes até violenta, qualquer contrariedade.raiva

Após sua primeira regressão ela observou que, tanto na história que reviveu, como hoje, evita o convívio das pessoas, pois estas lhe são difíceis de aceitar, entre diversos outros defeitos as acha muito invejosas, maliciosas e mesquinhas, . O ser humano, como gênero, lhe parece muito frívolo e imperfeito, assim sempre procurou distanciar-se do convívio social mundano restringindo-se a programas mais caseiros ou dedicar-se ao trabalho.

Em nossa última sessão o assunto versou sobre como ela poderia desenvolver mais sua tolerância e lidar melhor com as pessoas em seu convívio social. Seu modo atual de lidar com o problema é se programar com antecedência para os eventos sociais e preparar o espírito para eventuais agressões. Expliquei-lhe que nem sempre isso vai funcionar, e nem sempre ela vai estar preparada para o que vão lhe fazer ou como vão lhe ferir, disse-lhe que preferia uma outra forma de lidar com a situação. Explanei-lhe o que pensava a respeito da seguinte maneira:

Inicialmente ela, e todos nós, temos que entender que quando alguém tenta nos magoar ou ferir é porque está mal conosco, com alguém, consigo mesmo ou até mal com o mundo, que às vezes pode parecer muito injusto. Se for em relação a nós, por um sentimento de inferioridade, inveja ou algo perecido, logo vamos ser alvo de suas difamações e maledicências; se for em relação às outras situações, seu estado emocional e psicológico pode estar tão abalado que o primeiro a atravessar seu caminho, eu ou você, eventualmente, sofreremos por seus comentários ou agressões.

A melhor maneira de lidarmos com essas pessoas que testam nossa tolerância é, primeiro, usar da compreensão para com as situações que mencionei acima, e depois nos esforçarmos para entender que todos nós estamos em diferentes momentos de nossa evolução espiritual, e que ainda somos seres imperfeitos buscando a melhor maneira de coexistir no mundo e ser feliz. Se compreendermos que nós e todos à nossa volta ainda estão neste nível de imperfeição saberemos que temos a obrigação de entender as imperfeições alheias, pois as temos em grande número também.

Na conversa com minha paciente perguntei-lhe se ela tinha facilidade para amar pessoas reconhecidamente belas de espírito, e, aproveitando, dei-lhe o exemplo do padre Fábio de Melo, por quem tenho referência através de minha mãe, sua fã, e do qual já assisti alguns programas. Na hora ela confirmou e disse que veementemente que sim, aproveitei a deixa e continuei lhe dizendo que fácil é amarmos pessoas aparentemente sem defeitos, mas temos que exercitar o amor também pelos feios de espírito, e por todos aqueles , que como nós ainda tem muito o que melhorar, lembrei-lhe Jesus, o Cristo, que com seu exemplo de amor incondicional, bem como outros seres iluminados da história, a tudo ela assentia, para meu alívio, pois significava que estava a resigificar suas crenças.

Por fim disse-lhe que a melhor estratégia para enfrentar as situações porventura difíceis que o convívio social lhe apresentar eram a compreensão sobre as pessoas e suas limitações e o amor por elas independente das suas falhas de caráter e defeitos de temperamento, como os dela própria.

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS