terça-feira, 17 set 2019
Administração

Os relacionamentos e a internet

amor_virtualUma das coisas que notei logo que iniciei minhas postagens foi que a divergência de leituras que os vários estudiosos da cultura humana tem sobre a influência da internet sobre os nossos relacionamentos, alguns advogam que ela é benéfica às relações humanas enquanto outros dizem exatamente o contrário. Minha opinião pessoal se identifica com a do primeiro grupo e a citei em um post anterior, hoje, para corrobora-la vou citar um artigo da revista “Mente e cérebro”, número 208, de Maio de 2010, que trata do que se chama de “redes sociais”.

No artigo citado informa-se que após várias pesquisas de universidades americanas e australianas concluiu-se que a interação social via internet propicia uma facilitação entre os mais variados tipos de pessoas facilitando a interação entre elas e diminuíam a solidão, esses resultados logicamente variavam em relação ao perfil psicológico do indivíduo.

Outro fato mencionado é que nenhum resultado sobre o total do tempo passado on-line foi relacionado com o excesso de solidão. Somente aqueles que já tem uma persona solitária ficam mais solitários ainda ao usar a tecnologia das redes sociais. Já os desajustados socialmente podem, durante um tempo, até assumir uma postura conciliadora e sociável, mas esse papel não conseguirá ser mantido por muito tempo.

Não existe menção na pesquisa a relacionamentos amorosos, o que acho que fez muita falta, pois a nível de relacionamentos esse é talvez o mais intenso, mas podemos inferir algumas conclusões baseados nos resultados anteriores, principalmente se tratando do assunto solidão.

A solidão normalmente é fruto de nosso modo de ser, de nossas atitudes, ações e temperamento, mas também pode ser consequência de nossas escolhas. Não que ninguém deseje ou faça a escolha de ser só, por mais que até verbalize isso, mas sim de escolher um tipo de vida ou companhia que habitualmente vai nos levar naquela direção. Como já disse a solidão normalmente não é opção, nós vamos nos colocando na vida de forma a afastar de nós as pessoas, nos exilando de sua afetividade sem que nos apercebamos; aí só quando é tarde demais, descobrimos que não temos mais ninguém que nos ame de verdade ou que pelo menos nos suporte.

Se as escolhas que fazemos na vida forem feitas com base apenas numa visão egoísta ou, se quisermos um tipo de existência em que nosso temperamento só traga dor, desagrado ou sofrimento àqueles que estão à nossa volta, ou ainda não soubermos viver afetiva e amorosamente os relacionamentos, é claro que ninguém vai querer estar próximo ou dividir nenhum tipo de afeto conosco, aí só sobrará a solidão, dolorosa, incompreendida e perene.

A internet hoje é um meio a mais de expressarmos nosso caráter e tendências, se estas forem na direção errada, do isolamento, do medo, do desapego afetivo, teremos perdido uma ótima oportunidade de exercitarmos nossas emoções, aprimorando-as num sentido mais nobre e amoroso. Como as pesquisas confirmam, por permitir um contato mais impessoal inicialmente entre as pessoas, estas podem ir lentamente deixando seus temores, sua timidez e suas frustrações de lado para se permitirem se aprofundar em relacionamentos que poderão não ser perfeitos, como nunca o são os relacionamentos humanos, mas que colocarão o interessado num outro patamar de interação social.

Mas a internet não serve apenas para facilitar os relacionamentos, ela vai  atuar em níveis do funcionamento social da humanidade inimagináveis. Por exemplo, em uma conversa informal com um amigo ele me contou uma história interessante, disse que seu pai, já idoso, só estava ainda vivo por causa da internet; isso aconteceu porque após o pai se aposentar e perder algumas atividades paralelas caiu numa solidão potencialmente destrutiva, da qual só conseguiu sair porque seu filho, meu amigo, fez um blog e foi este que lhe salvou. Através dele seu pai se sentiu produtivo novamente, e melhor, recomeçou sua vida social recebendo pedidos de informação e troca de contatos com pessoas de todo o globo.

Outra circunstância interessante citada por meu amigo ainda em relação ao seu pai, mas que serve para todas as pessoas, é que na internet, mais especificamente nos blogs, existe a possibilidade de uma perenidade das informações a respeito da pessoa que publicou o blog. Como num livro, só que com uma riqueza de informações muito maior como vídeos por exemplo, os blogs podem ter uma duração de dezenas de anos levando para a posteridade as ideias e formas de ser e pensar de quem os escreveu.

Vai ser possível então , só imaginando, que bisnetos ou tataranetos visitem o blog de seus antepassados e vejam sobre eles seus escritos, preferências e tudo mais o que estivesse ligado ao blog do antepassado distante. Hoje já é possível vislumbrarmos essas possibilidades que mais do que nunca vão aprofundar a aperfeiçoar as relações humanas. Viva a internet!

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ARQUIVO MORTO

AOS MEUS PACIENTES

Nos últimos 10 anos tive pacientes dos mais diferentes tipos no meu consultório: tive os agradáveis, os difíceis, os que queriam resolver logo sua vida, os que queriam apenas aliviar suas dores, aqueles que não sabiam o que queriam, os curiosos; alguns jovens, corajosos; anciãos às portas da morte, pacientes espiritualizados, céticos, cínicos, com fé demais, com fé de menos, "loucos varridos", pacientes divertidos, prepotentes, alguns amargos; todos de alguma forma doentes... de tudo: do corpo... da alma... do coração; mas todos com algo em comum, a necessidade de dividir suas dúvidas e angústias com alguém, de encontrar uma saída para suas dores e formas de acertar o que estava errado em suas vidas.

(clique aqui para ler na íntegra.)

CONSULTAS EM MANAUS